Polêmico? Depende...


.....A validade da auto-ajuda.



.....A questão da auto-ajuda já foi o ápice da conduta humana, isso por mais de milênios, até que o conhecimento passou a ser dividido, ou seja, deixou de ser tudo filosofia para se transformar em áreas específicas. Isso não é errado, pois o próprio Aristóteles foi defensor ferrenho da subdivisão da filosofia em ciências distintas, como por exemplo, as ciências naturais, cuidando essa das coisas da natureza, as ciências exatas, cuidando essa das matemáticas e as ciências humanas, cuidando essa das coisas políticas, psíquicas etc.


.....Hoje tem-se a ciência, com suas várias divisões e subdivisões, e a filosofia, seguindo esses caminhos acadêmicos diferentes. Contudo, tanto uma como outra foram apoderadas pelos acadêmicos, isso com início no Renascimento, chegando aos dias atuais como matérias postas apenas aos profissionais do conhecimento, ou seja, os reconhecidos intelectuais, todos com seus títulos, colocando as coisas da vida diária de lado, separando o homem dele mesmo. Em outras palavras, hoje, tanto a ciência como a filosofia, tratam os assuntos inerentes ao homem, mas não ao homem como esse em si mesmo em seus anseios e desejos mais particulares em detrimento dos anseios e desejos mais profundos e homogêneos, isto é, sob a ótica generalizada, não mais como algo único e particular cujas ações e reações são postas exclusivamente a cada um dentro da determinada sociedade na qual encontra-se inserido.

.....Ficou de lado observações singulares e simplistas como, por exemplo: Como faço com minha raiva? Como supero meu ciúme? Como posso viver e fazer o que quero se preciso fazer o que não quero para viver?

.....Outras questões mais são inerentes ao temo, tais como, como “eu”, um velho, posso interagir em uma era digital, era tal que não aceito e não pertenço?

.....A questão é: tanto a filosofia, como a ciência, em nome dos acadêmicos, rejeitam tais especulações porque essas não lhes dão crédito como intelectuais, os rebaixando ao nível de vulgares idiotas. Assim é vista a questão da auto-ajuda nos dias atuais, isto é, literatura para idiotas. Todavia, não se é na própria filosofia e ciência que se tem a base e fundamento para toda a literatura da auto-ajuda?

.....Por outro lado, não nega-se, nos dias atuais, os oportunistas e charlatões que versam, sem base alguma, sobre auto-ajuda com fim único de enriquecimento, mas isso não pode ser parâmetro para a temática, pois, os “não” acadêmicos se interessam e, inclusive, em grandíssimo número, sobre o tema, buscando explicações e orientações acerca das coisas triviais da vida, posto ser a jornada da vida algo decisivo para um homem ser feliz ou infeliz, pois somente a cada homem lhe compete agir e, desse agir, obter seus resultados fáticos, felizes e ou infelizes.

.....Nesse ínterim, buscam as pessoas do senso comum modelos com os quais possam seguir e, é na filosofia que encontram, nos livros (sérios) de auto-ajuda seus gurus, conselheiros, ficando apenas a discriminação acadêmica limitada aos intelectuais acadêmicos.

.....Posto isso, fica claro o preconceito sobre a literatura da auto-ajuda. São inúmeras as pessoas que, por conta da discriminação intelectual, a negam, entretanto, compram vários títulos e os estuda no sigilo de seus lares.

.....Contudo, o mais importante nesse texto é a pessoa entender que a auto-ajuda é, sem sombra de dúvidas, o melhor conselheiro ao alcance da mão de quem procurar, decidindo, inclusive, por experiência própria, se é coisa válida ou não, independente do que rezam os intelectuais acadêmicos, pois, afinal, auto-ajuda é “bobagem”. É conversa para boi dormir e burro ouvir.

.....Para esclarecer se a auto-ajuda é algo válido, de forma prática, seguem alguns exemplos de alguns dos grandes mestres que corroboram com a idéia e importância da auto-ajuda em seu nível mais pessoal, ou seja, em seu resultado imediato à pessoa em particular, cada uma em seu próprio mundo, em sua própria realidade fixa:

.....Platão:
.....Defensor ferrenho da comunicação quando de relacionamentos, sejam esses sexuais, amorosos, comerciais, políticos, militares, familiares etc. Afirmava que, sem uma pessoa não dissesse com precisão o que queria de outra, o objetivo, tanto de uma como de outra não seria atingindo, gerando tensão e, conseqüentemente desarmonia e, por fim, infelicidade, seja em que nível for, pois, infelicidade é sempre infelicidade. Afirmava a infelicidade e a felicidade serem sentimentos cujos auges dependiam mais da pessoa em si do o que lhe acontecia. Afirmava ser a própria pessoa a culpada de sua reclamada desgraça. Ensinava para seus alunos que esses eram os responsáveis por suas condutas, ações e atitudes e, assim sendo, os próprios reis de suas felicidades e ou infelicidades.

.....Thoreau:
.....Viveu isolado por dois anos para se concentrar no que se é essencial à vida feliz. Descobriu que para tal, uma das coisas a serem feitas era se desconectar o maior tempo possível das coisas mundanas da sociedade (seus avanços), procurando observar mais tempo suas reações psíquicas e, delas tiram proveitos em ações relevantes às coisas diárias vividas em sociedade, ou seja, para os dias atuais, de era digital e ritmo acelerado, desconectar um tempo diário (meditar, por exemplo) é um remédio para o stress, deixando a pessoa livre para viver mais para trabalhar e trabalhar menos para viver mais. Thoreau foi o primeiro filósofo a entender a problemática dos avanços tecnológicos em detrimento dos avanços emocionais e ou espirituais.

.....Aristóteles:
.....Lutou muito para que seus alunos não buscassem a riqueza como um objetivo último, no entanto, dava conselhos de como adquiri-la por meios gerados através de ações intelectuais que desse a riqueza como consequência. Em outras palavras, Aristóteles defendia que a pessoa deveria fazer, profissionalmente, o que gostava e, a riqueza, uma simples consequência fática, um resultado indiscutível àquelas pessoas que conseguissem viver do ofício que amava. Aristóteles afirmava a riqueza ser tão necessária à felicidade como poder se fazer as necessidades fisiológicas quando de vontade, no entanto, a riqueza, para ele, era apenas um dos muitos meios de se obter felicidade, não a única coisa. Assim, afirmava ser sábia a pessoa buscar as coisas que lhe dessem alegria, pois, se determinada coisa dá alegria, então dá algum tipo de riqueza.

.....Russel:
.....Carl Jung disse um dia: “encontre um trabalho que goste e nunca terá que trabalhar um dia se quiser na vida.” Russel, contemporâneo de Jung, era da mesma opinião, contudo elaborou todo um ensaio no qual defendia que a pessoa, para ser uma pessoa em si, precisaria de tempo para viver como pessoa em si, e, para tal, trabalhar menos. Não quis dizer que uma pessoa deve-se não trabalhar (pelo contrário), mas sim buscar o resultado de um trabalho, não o trabalho em si, como algo inevitável para sua sobrevivência, tal como Aristóteles imaginou séculos antes. Russel previu que o trabalho consumiria a vida das pessoas, destruindo, por fim, suas amizades e familiares...

.....Tolstoi:
.....Ferrenho defensor da escolha, do “faça sua escolha”. Isso é visto em sua obra Guerra e paz. Tolstoi defendeu que toda pessoa deve ter a coragem de escolher entre o que quer e o que não quer. Todavia, sempre racionalizando a questão envolvida. Mas o que passou, em sua filosofia de vida, foi a idéia de que a pessoa para ser feliz precisaria ter a coragem de escolher, pois, a escolha era o alimento da de uma vida emocional sadia.

.....Sócrates:
.....Fundador da dialética, buscava sempre questionar a si mesmo para entender quem era e, desse ínterim, descobrir o que realmente queria e assim buscar para ter sua alma afagada, coisa que deu o germe para a teoria de Schopenhauer sobre a questão do desejo. Todavia, Sócrates ensinava seus alunos a buscarem, primeiro, a si mesmo, depois estão fazer uma interpretação lógica das coisas que a sociedade cobra como conduta, superando assim todos os conflitos e complexos emocionais, vivendo uma vida particular, mas ética, dentro da sociedade, ou seja, o homem não é a sociedade e nem pertence à sociedade, no entanto, deve aproveitar-se dela, sem que com isso, ultrapasse o limite de qualquer outro homem, tal como a si próprio. Idéia essa, inclusive, avalizada por Cristo, quando aconselhou os homens que amassem o próximo assim como a si mesmos e que não fizessem a outrem aquilo que não fariam a si mesmos.

.....Não seriam esses exemplos de auto-ajuda?

.....Assim, poder-se-ia desmistificar e “desbestificar” a questão que discrimina a literatura da auto-ajuda, tirando-a do lugar comum, a trazendo de volta ao seio das coisas inerentes aos humanos de forma mais fática e concisa.

 



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