Os deuses: Zeus, o filho de Cronos e Réia...






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Cronos viveu sem paz, sem dormir, de olhos abertos e atentos na escuridão do mundo procurando uma solução, uma resposta. Como escapar ou evitar a penosa profecia de sua mãe Gaia? Como impedir que algum de seus filhos lhe destronasse?
.....Depois de muita confusão mental e medo, muitos tramas e planos, veio repentinamente a resposta dentro da noite escura:
.....Como algum filho poderia roubar-me o trono se os mesmos não existissem?
.....Cronos, de súbito foi até Réia, sua esposa, e, sem lhe dirigir alguma palavra ou gesto, em silêncio, pegou a prole que acabara de vir ao mundo e a devorou de imediato. Era o início da macabra rotina.
.....A tantos outros filhos, Réia deu à luz. Nenhum deles ela teve o prazer de criar, ou até mesmo dar o primeiro abraço. Sua vida era pura infelicidade. Era seu dever encontrar uma solução para salvar a vida de seu futuro filho que desenvolvia em seu ventre. Réia, em desespero, procurou sua mãe Gaia, que por sua vez, personificando a natureza e seu curso, a ajudou. Combinaram um plano infalível e de prontidão o colocaram em prática.
.....No exato momento em que Réia entrara em trabalho de parto, partiu e escondeu-se em uma caverna no escuro bosque da ilha de Creta, longe da sangrenta vigilância do marido. Ali, em paz, Réia pariu Zeus.
.....Existem duas teorias diferentes com relação ao exato local do nascimento de Zeus. A mais aceita tem referência à ilha de Creta, indicando ora o monte Ida, ora o monte Aégeon e ora, o monte Dicteu. A outra, averbada pelo poeta Calímaco (IV século a.C.), como Arcádia a maternidade do deus. Sendo as duas teses coesas quando citam a ilha de Creta como o lugar no qual Zeus foi criado. As Ninfas e os Curetes, jovens adoradores de Réia, o educaram.
.....Após seu tempo de estudo, já formado e independente de seus educadores, com a ajuda dos irmãos e dos monstros, destrona, sem piedade, Cronos em uma batalha equilibrada. Depois venceu, em uma luta que durou dez anos, os Gigantes e seus irmãos Titãs e Titânias. Com a vitória tripla, apoderou-se do comando de Cronos tornando-se o senhor absoluto do mundo, terminando o maldito ciclo das divindades aterrorizantes, das forças desordenadas, que, como Cronos, o tempo, tudo corrompiam e destruíam. Para os filósofos, a vitória de Zeus, neste caso, simboliza a vitória da razão e da ordem sobre os instintos e emoções descontrolados.
.....Zeus é o mais jovem Titã e, segundo as lendas mais antigas, divide o mundo entre seus principais irmãos. A ele ficou a governabilidade do céu e da terra, além da responsabilidade sobre os fenômenos atmosféricos. É Zeus o deus que dá aos homens o caminho da razão e ensina-lhes que o verdadeiro conhecimento só é percebido e aprendido pelos sentidos e pelo raciocínio. Não assiste passivamente os sofrimentos humanos. Pelo contrário, tem compaixão e se magoa por todos eles, não se deixando levar apenas pela emoção, pois, é ele a imagem da justiça e da razão reta.
.....Sabe que não pode intervir no decorrer das descobertas em que cada homem pode e deve passar, pois, cada homem tem que viver sozinho suas próprias experiências. Recompensa apenas, como limite consciente, os esforços honestos, assim como castiga as impiedades. Por todos estes atributos, Homero o chama de “Pai dos deuses e dos homens”. O termo pai, em síntese, se refere a uma relação de poder, autoridade e não a uma relação simplista de afetividade ou de sentimentalismo. Como sua origem é corresponde ao pai de família que mantém o sustento, proteção e uma incontestável autoridade sobre seus dependentes, deu início assim, ao sistema patriarcal.
 

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