Homem e os deuses:
Posidon, rubosto, sério e protetor...







.....Representando o elemento úmido, Poseidon era, por quase todos na antiga Grécia, o esposo da deusa Deméter, personificando assim, o princípio da fecundação do reino vegetal e, em especial ao longo da costa de toda a terra helênica e suas ilhas.

.....Os navegantes, os mercadores e os pescadores o veneravam com grande ardor intitulando este deus como protetor. No cabo Sunio foi erguido, em sua homenagem, um santuário belo em arte e em tamanho. Também em vários locais foram encontrados templos poseidônicos, principalmente nas ilhas de Egina, Eubéia, Teno e Rodes.
.....Os jônicos do Peloponeso tinham em Poseidon o seu deus nacional. Em Mícale, montanha da Jônia, o deus tinha o seu mais importante santuário no qual seus devotos realizavam a Panionia, festa nacional. Já em Corinto, de dois em dois anos, comemoravam, em sua homenagem, os Jogos Ístmicos com a finalidade de se conhecer o melhor em dotes físicos, o melhor na poesia e o melhor na música. Os vencedores recebiam coroas com ramos de pinheiro, árvore vitalícia de Poseidon.
.....Poseidon era venerado em quase toda a Grécia por ser ele a força causadora dos terremotos. Seu nome era muito respeitado na Tessália, região de origem vulcânica. Nesta região, o povo tinha como verdade o vale de Tempe ter sido aberto por Poseidon, permitindo, em favor dos tessálios, a desembocadura do rio Peneu até o mar. Da mesma forma, os espartanos o cultuavam, personificando ainda ao deus, a idéia de criação. O chamavam de: “Poseidon, o criador”.
.....Hippios, “equestre”, também era seu nome em várias cidades. Na Tessália eram feitas corridas de cavalos em seu nome. Nas festas Tauréia, vários touros de cor negra eram sacrificados em seu louvor, os quais, eram jogados do alto de um penhasco ao mar com vida. O animal personificava as turbulências oceânicas.
.....Com grande semelhança a Zeus, Poseidon era representado nas mais diversas manifestações artísticas. Única diferença, embora gritante, eram suas afeições, conquanto as de Zeus eram sempre serenas e as de Posidon, severas e carrancudas.
.....Suas mais perfeitas e significativas representações datam do quinto século antes de Cristo, no chamado século de Pérecles. No Renascimento, os artistas procuraram inspiração na cultura grego-romana e, neste sentido, o escultor Bernini personificou Poseidon em sua obra “Netuno e Tritão”. Na literatura, Camões em sua obra “Os Lusíadas” apresentou a mítica grega como símbolos vivos, como seres atordoados pelas emoções humanas e, no sexto canto do poema, Poseidon se apresenta como um ser superior, atropelando os acontecimentos e os alterando de acordo com sua vontade. É convencido por Dionísio de que os portugueses o haviam desafiado, alegando que poderiam vencer seus poderes no mar. Poseidon então resolve mandar Eólo, o vento, destruir os marinheiros que se atreveram a desrespeitar sua supremacia sobre a natureza.
.....Nos finados do quarto século antes de Cristo, Poseidon foi levado a Roma e lá, o povo romano o identificou com seu deus Netuno, juntando os dois em um, chamando-o desde então de Netuno. Sua celebração se dava sempre no verão, aos vinte e três de julho, na época da seca. Possuía seu santuário, no Império Romano, no vale do Circo Máximo, entre os montes Palatino e Aventino.
.....Na tradição romana Poseidon/Netuno tinha uma amante singular chamada Salácia ou Venília, mostrando uma relação mais direta com os homens...
 

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