Homem e os deuses:
Deméter, o símbolo do ciclo da vida...








.....Démeter tem sua personificação no âmbito agrário na qual suas lendas fazem referência de forma poética. Os gregos procuravam explicação, por meio desta deusa, para os fenômenos e procedimentos relacionados com a terra. Sua própria etimologia significa Mãe-Terra, uma mãe universal.

.....Poseidon une-se à Deméter se transformando em cavalo, abstraindo assim, a seqüência dos afazeres agrários como, arar e semear os campos. O cavalo, símbolo mítico de Poseidon, puxa o arado e prepara a terra para receber as sementes distribuídas pela deusa Deméter.
.....As sementes são simbolizadas pela deusa e, quando sua filha Persófane nasce, Deméter assume dupla maternidade. Cuida da vida na qual se dá à luz e, ao mesmo tempo, cuida da terra que agasalha e alimenta as sementes.
.....Serve assim como exemplo para as mulheres habitantes de toda a região grega, conquanto eram encarregadas tanto dos afazeres maternos, como no cultivo das terras. Nos primórdios da cultura helênica os homens eram responsáveis pela caça, pesca e guerras. As mulheres, pelo cuidado dos filhos, rebanhos e das lavouras. Assim é explicado Deméter como uma deusa e não como um deus. Personifica a proteção das plantações por conta do carinho maternal.
.....Sendo ela a deusa das colheitas e da fertilidade, ajuda os vivos a cultivar a terra, fixando os povos nômades, depois lhes ensinando a se organizarem, domesticar e atrelar os animais, arar o solo, cultivar, semear, cuidar das plantações, colher, debulhar o trigo, armazenar, moer os grãos, transformá-los em farinha e, por fim, fazer o pão. Neste aspecto mítico, alguns estudiosos aceitam a tese de que este mito se condensa na explicação das migrações micênicas e de sua fixação na região que, mais tarde, seria chamada de Grécia.
.....Assim como Persófane, raptada por Hades, os grãos são enterrados na terra e são levados pelos mortos para as profundezas onde são fecundados e germinados. Como diz a lenda, na ausência de Persófane, Deméter abandona os homens à sua própria sorte e vai se refugiar em seu santuário erguido pelos gregos em sua homenagem em Elêusis. Assim, vem o período da entresafra e a fome ao povo, como dito por Homero em seus Hinos. Zeus intervem a favor dos homens e faz com que Deméter e Hades acordassem quanto a posse de Persófane. Um terço do ano a filha de Deméter viveria nos infernos com o deus dos mortos, um terço em companhia de sua mãe na terra com os homens e, o tempo restante, no Olimpo com os outros deuses. Enquanto Persófane permanecia nos Campos Elíseos com Hades, os homens teriam o inverno e, com sua volta à terra, a primavera.
.....Persófane, ao voltar do mundo dos mortos, encontra-se com Deméter no templo de Elêusis e lá se desenvolveu, em sua honra seu maior culto, o culto da fertilidade. Este culto em pouco tempo se tornou um dos mais famosos e importante em toda a Grécia, ganhando respeito de todos, inclusive de outros povos.
.....De interesse agrário simples, pulou com o tempo para uma simbologia mais complexa e profunda, ligando-se ao ciclo da vida e da morte em relação aos homens e aos vegetais. A terra alimenta as sementes, que alimenta o homem que, ao seu tempo, morre e alimenta a terra. Nada morre no conceito de que tudo renasce através da terra. Mais a frente no tempo, sob a influência da mítica órfica, esse renascimento se perpetuou como sendo a transmigração das almas, a metempsicose. Todas as almas retornavam ao mundo dos vivos para sua evolução e purificação por meio das experiências terrenas, assim como os espíritas encaram hoje, o conceito de reencarnação.
 

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