Homem e os deuses:
Ártemis, protetora da natureza...











.....Ártemis tem sua origem bem controvertida e, em acordo com algumas versões, ela é derivação de outra deusa, bem mais primitiva, de uma época arcaica na qual Homero a chamava de Potina Theron, “A senhora dos animais selvagens”.

.....Ártemis de Éfeso foi o nome que inspirou esta deusa. Ártemis de Éfeso era uma deusa asiática que personificava a fecundidade com caráter diverso da Ártemis grega. A de Éfeso, tinha seu desenho em uma vasta túnica cheia de cabeças de animais e, no peito, achavam-se vários seios.
.....Esta estatueta de terra-cota foi encontrada pelo povo micênico em sua migração para a região da Grécia e litoral da Ásia Menor. Mas, a maneira como esta deusa era venerada pelos nativos egeus e hititas, de costume poligâmico e poliândrico, com enorme riqueza sexual, ritos agrícolas e várias deusas da fertilidade, ia de encontro aos costumes sócios-culturais dos primeiros gregos, que, monogâmicos e patriarcais, não concebiam esta divindade como a era de fato. Assim, ao contato entre estas duas culturas, com certeza, houve uma preponderância da concepção gega. Ficou então Ártemis com a característica de fertilidade e acabou por se transformar em uma virgem caçadora, permanecendo apenas o seu nome, tendo sua conotação mítica completamente mudada e adequada aos costumes gregos.
.....Ártemis não era apenas uma deusa caçadora. Era também, dentre várias atribuições, e durante o desenvolvimento da cultura grega, dada como protetora dos animais selvagens. A contradição entre proteger a vida selvagem e ser uma caçadora se dá por conta do caçador comum. Nas épocas mais remotas, o Homem caçava apenas para sua subsistência, pela sua necessidade íntima de se alimentar e sobreviver e, sua atitude perante a natureza não era predatória. O Homem não destruía a natureza nem os animais, como hoje se faz necessário proibir a caça em determinadas épocas do ano, como na época da reprodução, por exemplo. O povo grego preservava a vida animal por meio de um código mítico, colocando Ártemis como a deusa da caça com suas setas infalíveis e, ao mesmo tempo, protetora dos animais, castigando severamente àqueles que matam sem escrúpulo, que matam filhotes e fêmeas prenhas, assim, configurando também, a personificação de protetora da juventude em todas as formas de vida na terra, inclusive a do Homem. Em suas festas, as mulheres virgens ofereciam-lhe seus cachos de cabelos e suas túnicas virginais.
.....A relação da virgindade de Ártemis está diretamente relacionada a sua personificação de protetora da caça e da natureza selvagem. Sendo assim, a natureza selvagem mostra-se resistente à dominação humana e retribui com severos castigos áqueles que tentam profanar seus mistérios mais intrínsecos, tornando-se mais que cruel. Seu animal, o cervo, tido como seu predileto, mostra com exatidão esta imagem. É um animal bonito e de porte que, a qualquer custo, se refugia sobre qualquer tentativa de domesticação.
.....Era necessário uma deusa com essa personificação para adequar os ideais de pureza no povo grego, por qual, estes procuravam uma beleza que não agredisse e suscitasse a cobiça e o instinto sexual humano. Por isso, todo e qualquer estímulo erótico à Ártemis, “Belíssima entre todas as deusas”, como se referia Hesíodo, devia ser castigado sem piedade. Seu aspecto puritano, sem desejo e sem culpa, mostrava um tempo em que o Homem vivia em contato direto com a natureza, sem destruí-la.
.....A Lua recebia grande importância, pois, tinham, os gregos, como certo sua forte influência sobre alguns fenômenos naturais. Esta idéia contaminou outros povos mais evoluídos, refletindo, por exemplo, nos trabalhos agrícolas, na semeadura, poda das oliveiras e plantações de árvores. Assim como foi com Apolo, seu irmão de pai que se personificou como deus do Sol, Ártemis, mesmo que mais tarde e sem ter correspondência direta com sua figura primordial, foi assimilada à Lua. Não obstante, Ártemis teve seu culto muito difundido. A tinham como uma deusa bela e solitária, virgem e embranquecida, sempre a fugir do amor dos outros deuses. Fria a qualquer interesse amoroso.
.....As jovens esposas se colocavam à proteção da deusa dos animais em seus anseios e desejos momentos antes de um parto. A ela reverenciavam as roupas das mulheres mortas no decorrer dos partos e as vestes das que se faziam felizes pelo bom nascimento. Os gregos relacionavam as diferentes fases da Lua com os fenômenos menstruais das mulheres e da gestação em si.
.....Identificando-se com a Lua, Ártemis assumiu várias feições, como por exemplo, Hécata, deusa da Lua e também como uma feiticeira grega. Sendo assim, passou também a ser invocada na área das mágicas e da medicina, tanto para o bem como para o mal.
 

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