Homem e os deuses:
Ares, a explicação para o mal...









.....Todas as nações e povos da antigüidade tinham um deus da guerra. A guerra era uma prática constante entre eles; uma das maneiras de se manterem em pé, de acordo com as necessidades de terras e de rotas comerciais. Desta maneira, os gregos também, mesmo com a cultura voltada à reflexão filosófica e ao comércio, se viam várias vezes envolvidos em guerras, mesmo que apenas para sua autodefesa. Nestas circunstâncias, os gregos também recorriam ao seu deus da guerra: Ares.

.....Além de Ares, os gregos contavam com Palas Atenéia como divindade guerreira auxiliar. Os dois eram filhos de Zeus e venerados com igual devoção e respeito. Palas Atenéia era sempre invocada para inspirar os heróis, formatar defesas e conduzir nobre idéias para uma vitória inteligente e menos dolorosa ou prejudicial, sua invocação era para vencer com astúcia a força bruta.
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Já o deus Ares, nunca aceito pela sociedade grega, por ser proveniente de um povo belicoso, os trácios, considerados o mais bárbaros e desprezíveis dos gregos, personificou a crueldade, sendo companheiro constante do terror, da discórdia e da morte, representados inclusive em seus filhos com Afrodite: Fobos (medo), Deimos (terror/morte) e Heris (discórdia). Quando presente nas batalhas, levava os homens à morte sem glória, à devastação sem propósito, à vitória sem merecimento. Era um mal necessário, utilizado como último recurso quando a escravidão era certa.
.....A superioridade de Palas Atenéia sobre Ares é vista sem dificuldades em suas lendas. Enquanto Palas Atenéia é uma deusa genuína da Grécia, personificando a inteligência, Ares, divindade quase que estrangeira, personificava a força bruta. Em combate, Palas Atenéia punha-se sempre em prol dos gregos, enquanto Ares aliava-se a qualquer um pelo bel prazer de lutar. No poema A Ilíada de Homero, que conta a história da guerra de Tróia, os dois deuses são postos em luta corpo a corpo. Ares fica tremendamente irritado na planície de Ílion de fronte as portas da cidade-estado de Tróia. O deus da guerra enfurecido com as habilidades de Palas Atenéia diz lhe insolitamente:
....."Então, mosca de cão, lanças os deuses uns contra os outros com tua tempestuosa coragem? Com o que teu grande coração te incita? Deves pagar pelo que me fizeste."
.....Depois lhe dá um golpe de espada que coloca longe o escudo de Palas Atenéia, que, nem Zeus seria capaz de lhe arrancar das mãos. A deusa se retira estrategicamente com a decisão de vingar-se. Mostra então que um ataque inteligente tem mais valia que a força bruta, que a violência desordenada. Aguardando o momento certo, a deusa ateniense joga-lhe uma pedra no pescoço e Ares, que não esperava a agressão, cai e, junto, suas armas forram o chão da planície. Feliz, saboreando a vitória e a vingança, Palas Atenéia diz:
....."Pobre tolo! Não tinhas compreendido ainda quão superior me gabo de ser."
 

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