Homem e os deuses:
Apolo, personificação do belo e do harmônico...








.....Os antigos gregos acreditavam que sem a luz nada seria possível. Suas duas principais atividades seriam impossíveis na escuridão. O trabalho no campo e as excursões navais. Assim, não poderiam representar o progresso no qual o povo atravessou com base nestas duas atividades. Acreditavam que a vontade adormeceria para sempre na escuridão, e a Grécia, neste sentido, estaria fardada a desaparecer.

.....Garantindo a própria soberania e sobrevivência, os gregos cultuavam Apolo, deus da luz por excelência. Glórias cerimoniais, soberbos sacrifícios e um lugar de grande honra, os gregos reservavam à Apolo entre os demais deuses do Olimpo.
.....Tinha várias atribuições e, dentre elas, as mais importantes como a condução dos pastores, a multiplicação das colheitas, o encaminhamento dos navegantes, a iluminação dos artistas, a proteção aos médicos, o zelo pela saúde e a profetização do futuro. Estas eram mágicas personificações para um deus, cujo povo, tinha suas atividades voltadas para o progresso.
.....Tendo o povo grego se expandindo cultural e economicamente e seus habitantes se concentrando cada vez mais em cidades, em meados do nono século antes de Cristo, os atributos de Apolo, tais como o de protetor dos viajantes marítimos e dos cultivadores da terra, se juntaram a outras funções, como por exemplo, a de inspirar os artistas e as artes, ajustando-o perfeitamente com as funções antigas dos tempos mais rudes e mais difíceis. Essa mesma luz que encaminhava as embarcações e fecundava os campos e rebanhos, poderia, não obstante, iluminar a mente dos homens, levando-os a criarem obras e mais obras de arte com as mais belas concepções de anatomia e realismo. A lenda entre Apolo e Mársias, em competição justa, atesta suas novas atribuições. Este mito mostra a superioridade grega no campo das artes sobre os asiáticos. A lira, usada pelo vencedor Apolo, era o instrumento básico da música grega, seu som era harmônico e puro, enquanto a flauta de Mársias era vista como um instrumento rude, incapaz de acompanhar as belas canções dos poetas gregos.
.....Personificação do belo sobre o feio, do sublime sobre o vulgar, do grego sobre o oriental, da harmonia sobre a desordem, o mito de Apolo, na disputa com Mársias, mostra claramente a preocupação do artista em se sentir protegido e inspirado pelo seu deus. Tinham, como exemplo, a personificação da obediência na lei, na harmonia, na medida e na disciplina. O princípio era conseguir o padrão ideal de beleza absoluta, ideal quase nunca alcançado, esbarrado à rude opacidade do mundo real, como foi com o próprio Apolo, segunda a lenda que conta sobre sua perseguição à Ninfa Dafne...
 

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