Homem e os deuses:
Afrodite, representante do amor incondicional...








.....Não se têm mais dúvidas sobre a origem de Afrodite, mesmo tendo nos relatos dos antigos mitos, diferentes circunstâncias de seu nascimento. Sua origem é dada pelos povos do oriente, conquanto, nos primórdios, ela era apenas uma variante de outra deusa semítica de nome Ishtar, venerada pelos mesopotâmios, e, Astarte para o povo assírio e fenício de Milila, Babilônia. Esta variação deu origem à deusa do amor e da beleza introduzida na Grécia pelos marinheiros e mercadores que rondavam o mundo durante a expansão cultural e econômica da Grécia.

.....Como a antiga deusa asiática, no início, Afrodite era considerada a deusa do instinto e da fecundidade, confundindo-se com a deusa Deméter.
.....Suas ações, de caráter ilimitado, comportava toda a natureza e os componentes dos homens, dos animais e dos vegetais. Acreditavam que Afrodite espalhava o elemento úmido na natureza, fato primordial de todo o princípio gerador da fecundação. Isso se dava também com as árvores e plantas, personificados como frutos do amor de Gaia e Urano. A chuva, enviada pela deusa, era o elemento que fecundava.
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Com o passar do tempo, Afrodite teve a sua conotação de deusa do amor e da beleza com a personificação das formas mais nobres e puras deste sentimento. Mais a frente no tempo, e, com a evolução social, política e cultural do povo grego, Afrodite também assumiu os mais diferentes aspectos e recebeu várias denominações e diferentes cultos.
.....Seus variados atributos aparecem em suas lendas nas quais, ora era a protetora dos amantes, ora ela mesma envolvida. É Afrodite que tem o poder de satisfazer os mais diversos desejos amorosos daqueles que a procuram em seus templos, como por exemplo, a lenda do escultor Pigmaleão, ou, de incentivar paixões trágicas como a de Helena e Paris, ou a de Priamo com Tisbe...
.....Era em Afrodite que os gregos representavam sua sabedoria em relação à vida e à morte. Tinham consciência de quão curta era a vida e que, seu ciclo respeitava a seguinte ordem: No início a força e a beleza da juventude, depois uma idade de plenos poderes e formação do caráter e, por fim, a sabedoria acompanhada da velhice e morte. Nem mesmo os deuses tinham o poder de mudar esta constante. Toda a vida na terra, de uma certa forma, estava submetida nesta ordem e destino. Sabiam apenas que só algumas plantas tinham este ciclo quebrado morrendo e revivendo nas quatro estações do ano.
.....Com tudo, Afrodite promovia alegrias e sofrimentos. Representou, na consciência do povo grego, o poder reprodutor da natureza por qual se confiava a manutenção da espécie, como evoca o hino órfico:
..... "Tu geras tudo o que está no céu. Na terra fecunda, mesmo no abismo do mar."
.....Por este lado, podemos então concluir que Afrodite, como deusa helênica, apoderou-se dos caracteres da deusa Astarte fenícia e da deusa Atar aramaica, na qual deu origem, no tempo grego-romano, a composta e orientalizada Atargátis, deusa da fecundidade e da geração, assumindo também muitas outras atribuições de outras deusas.
.....Nas lendas míticas de Adônis e de Hades com Persófane, o ciclo das estações lhe é referido e nos mostra a consciência lógica dos gregos sobre as definições das estações do ano subdvididas entre período fértil e período árido. Também em outras lendas, como a de Apolo e a de Dionísio, o ciclo das estações contém sentidos diferentes. Afrodite representa assim, a vida primaveril. Assume a maravilha anual dos vegetais e a renovação das existências em função do amor, numa relação entre os homens e os vegetais. Sem primavera não há fertilidade, sem fertilidade não há vida e, sem vida, não há futuro.
.....Mesmo personificando o instinto fecundativo e gerativo existentes em toda a vida, Afrodite foi, assim dizendo, a deusa do amor em seu mais amplo sentido literário. Tinha sua simbolização ao atrativo sexual sem limites, fazendo com que os gregos do tempo homérico a considerassem como um símbolo corrupto e dissolvente.
 

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