Os deuses: Hefestos, o filho da solidão...







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As feridas que as constantes ausências de Zeus abriram no ciumento coração de Hera só podiam mesmo ser sanadas com duras vinganças. Sozinha em seu palácio, a rainha do Olimpo tramava planos para punir as seguidas infidelidades do divino esposo. Ao fim de longos pensamentos, decidiu-se. Era preciso denunciar aos deuses o abandono que Zeus lhe impusera.
.....E, para isso, nada melhor que gerar um filho sem que tal concepção o marido participasse. Haveria de ser uma criatura gerada por meio da própria deusa. Seria belíssima como a própria mãe e faria a morada dos deuses vibrarem de emoção e de felicidade.
.....Pacientemente Hera esperou que nascesse o filho de sua solidão. Tão logo deu a luz, examinou a prole com ansiedade e sentiu dentro do peito a mais profunda decepção. O pequeno Hefestos era feio demais. Era disforme. Era coxo. Não lhe alegrava o coração, nem poderia servi-lhe como instrumento de vingança, pois, jamais teria coragem de apresentar aos seus pares tão horrenda criança. Envergonhada, agarrou o menino com ambas as mãos e, do alto do Olimpo, atirou-o no mar.
.....Do fundo do oceano, a Nereida Tétis e sua amiga Eurínome, viram quando o pequeno corpo mergulhou. Correram para apanhá-lo. Com extremo carinho, agasalharam-no em seus braços e depois o levaram para uma caverna escondida, conquanto cuidaram do feio menino como se fossem realmente mães. Durante nove anos Hefestos viveu em tão amorosa companhia. Depois partiu para seguir seu destino de deus feio e solitário. Habilidoso artesão dos metais, ganhou o título de senhor do fogo e da forja.
 

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