Fábulas: Poseidon, condena seus próprios filhos...






.....Os Telquinos, demônios mágicos e metalúrgicos da ilha de Rodes, gênios escultores e causadores de chuva ou neve, instruem uma "adulta" criança resgatada do estomago do pai, do ex-soberano do mundo, Cronos. Vive esta "criança" com suas mágicas e poderes, com seus anseios e desejos. Virara adolescente, num deus jovial, arrojado, atrevido e inteligente.
.....Com caráter atenuante, atira-se sempre às paixões humanas. Desejou a bela Halia, irmã dos Telquinos, que o criaram e educaram. Quer compartilhar do espírito e tomar posse do corpo da belíssima e altiva mulher. Persegue-a por infindável tempo com a certeza de realizar suas mais sexuais intenções.
.....Halia consegue heroicamente resistir durante algum tempo às investidas amorosas do jovem deus. Recua, aproxima-se e foge novamente numa inocente frescura. Aos poucos seu coração vai cedendo e se apaixonando. Quando em fuga, seu verdadeiro desejo é de ser logo alcançada e possuída com voraz fome de amor a qual o jovem deus dizia ter-lhe.
.....Os Telquinos se divertem com tal situação e cenas. Gênios e mágicos, sabem de ante mão o desfecho final desta história, mas nada revelam para preservar o curso natural das coisas.
.....Um dia Halia é pega e então se cumpre o que se é de mais esperado. Poseidon já adulto mentalmente a possui e toma-lhe como sua esposa sem perguntar para qualquer divindade se tem a benção ou não. Casam-se e geram seis filhos e uma filha. São felizes, personificando o espírito e corpo unidos em um só.
.....Mas a desgraça não tarda a abater-lhes. Um filho após o outro vão perdendo a noção das coisas. Sem mais perceberem a diferença entre eles e seus pais, entre o pai e a mãe, figurando entre eles mesmos a dúvida de quem são, esquecem por fim, o porque estão no mundo. Loucos e furiosos, investem contra a mãe. Desejam-na com o mesmo ardor e paixão que o próprio pai nutria por ela.
.....Halia, pelo amor que sente por seus filhos, finge não entender o estranho e ardente brilho em seus olhos. Com medo da reação de Poseidon, não conta sua desconfiança e suas dúvidas sobre seus filhos, pois, loucos como estão, nada melhor que o amor materno para ajudar-lhes e não o ódio paterno a condenar-lhes. Halia tenta desesperadamente e inutilmente ajudá-los a vencer o nefasto desejo e inquietação, tendo em mente, nunca abandoná-los.
.....Todos os gritos de Halia ficam presos em sua garganta quando todos investem em beijos, abraços, carícias íntimas, tentando arrancar-lhe a túnica.
.....Dado momento, Poseidon chega e, misturando sentimentos de perplexidade e sentimentos irados, fica confuso e tem a reação que qualquer homem tem ao ver seus entes queridos o traindo pelas costas. Vibra o Tridente com tanta raiva e força que acaba por encerrar seus filhos para sempre no mundo de Hades que os aceita como castigo e, que ao entender o feito, nada faz para evitar tal atitude do irmão. Halia, já salva, volta-se para o mar e, silenciosamente, com o olhar distante, some no mar para todo o sempre.
 

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