Fábulas: Palas Atenéia, tranqüiliza Aquiles e Agamenão...








.....Corria o nono ano da guerra de Tróia. Tragicamente os gregos estavam sendo eliminados por uma peste. Ficaram também ameaçados de perder dois de seus maiores heróis, Aquiles e Agamenão em disputa pelo amor da escrava Briseis.
.....O adivinho Calcante revelou que a peste era um castigo enviado por Apolo, pois o grego Agamenão, cego de amor, raptara a casta Criseide, filha de Crises, venerável sacerdote do deus-luz e pelo insulto de Aquiles em cortar a cabeça de uma de suas estátuas.
.....Na reunião dos chefes, ficou resolvido que o raptor devolveria a moça ao pai; única solução para dar fim à calamidade que destinava aos bravos soldados. Agamenão concordou em executar a decisão, entretanto, exigiu que Aquiles lhe desse Briseis, escrava raptada por Aquiles em outra ocasião. Todavia, este não respondeu. Em silêncio voltou à sua tenda, cabisbaixo e constrangido. A escrava era sua. Não desejava perdê-la.
.....Quando os arautos foram buscar a jovem, o herói a entregou, mas, inconformado, recusou-se a continuar lutando. Ficou a margem da batalha. A peste cessou, mas Aquiles só pensava em desafiar Agamenão para um combate singular. A guerra fora esquecida.
.....Palas Atenéia, de olhos brilhantes e lança aguçada, sentindo seu exército enfraquecido pela disputa entre os dois heróis, desceu das nuvens e apareceu a frente de Aquiles, no instante em que este erguia sua espada contra o rival. Segurou-o pelos cabelos, chamando a sua atenção. Pelo brilho dos olhos, o herói prontamente reconheceu a deusa. Perguntou-lhe o que viera fazer:
....."Estaria disposta a escutar insultos de Agamenão, o orgulhoso? Esse insolente filho de Atreu não merecia ser ouvido. Uma sílaba em sua boca é veneno".
.....Mas a deusa, mais que ouvir, viera pacificar. Aquiles não deveria usar a espada contra o compatriota, mas a palavra. E as palavras que dissesse transformar-se-iam em profecias. Assim, seria recompensado pelos deuses com três vezes mais felicidade.
.....A espada desembainhada não queria ceder, mas a outra mão de Aquiles apanhou o ponho de prata e depositou-a na bainha. A ordem contrariava seu coração, mas obedeceu. Agamenão, por sua vez, devolve Briseis e os soldados então voltam a combater ao lado de seu maior herói rumo a vitória...
 

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