Fábulas: Ártemis, por engano mata Orião, seu amor...






.....No céu a constelação de Órion está sempre a fugir da constelação de Escorpião. Este é o palco eterno no qual todas as noites e por todos os tempos isto acontece para nos mostrar Orião fugindo do escorpião que por sua vez, nunca o alcança. Orião assustado, põem-se em uma eterna fuga.
.....Alguns poetas da antiga Grécia dizem que, antes de brilhar no céu estas duas constelações, o mortal Orião havia sido na terra um excelente caçador, de grande porte, belo e dotado de enorme força bruta, além de sua magnífica inteligência.

.....Dizem também que poderia ter sido filho de Euríale com o deus Poseidon. Ou de Hireu, ou até mesmo de Gaia. Não se tem escritos que dêem com exatidão sua paternidade e maternidade.
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O que nos interessa é a história coincidente entre todos os poetas: Ártemis, a deusa virgem, o viu em uma de suas caçadas e teve seu coração ardentemente perturbado pelo belo rapaz.
.....Sua castidade teria sido perdida de imediato se Apolo, seu irmão, que junto neste fatídico momento, não percebesse a alteração emocional da irmã e não interferisse. Leva-a então rapidamente para outro lugar, longe de Orião, zelando assim, movido por ciúmes ou por preocupação, sua divina virgindade, mantendo Ártemis sempre longe do fogoso rapaz.
.....Mas em um dia ensolarado, Orião despe-se e fugindo do calor, mergulha alegremente no mar. Confiante em sua destreza e na sua força física, de braçada em braçada vai-se distanciando cada vez mais da praia até ficar como um minúsculo ponto em alto mar. Por ali estavam Ártemis e Apolo conversando, brincando sorridentes na mesma alegria que dois irmãos comuns teriam um com o outro. Apolo, ao ver aquele ponto e o reconhecendo como Orião, coloca seu perfeito cérebro para funcionar e, uma idéia simples e eficaz vem a sua cabeça. Com uma inocência sedutora, Apolo desafia a irmã a acertar o tal ponto longe no horizonte com seu arco e flecha. Ártemis, bela e orgulhosa nada desconfia e, feliz por poder demonstrar seus dotes de caçadora, aceita tal tarefa. Emocionada e cega pelo seu egocentrismo, prepara o arco e a flecha e acerta mortalmente o distante ponto. Pouco depois, trazido pela maré e pelas ondas, veio à praia o corpo do infeliz caçador. Ártemis, desesperada, nada pode fazer. Um mortal falecido não poderia voltar ao mundo dos vivos. Banhada pelas suas próprias lágrimas, Ártemis apela para Zeus e, implorando, pede ao todo poderoso do Olimpo que transformasse Orião em uma constelação, conquanto poderia ver todas as noites seu amado homem. Magicamente, Zeus desfaz o corpo do quase amante de Ártemis e de cada pedaço faz virar uma estrela de espetacular brilho e as lança no céu. Ártemis poderia agora manter sua eterna virgindade se contendo apenas com o amor que sentia por seu belo caçador.
.....Em outros escritos, achados também em grande número, mostram uma história diferente e menos romântica. Orião num dia, em meio a sua caçada, encontra Ártemis sozinha em seu descanso na floresta na ilha de Quios e tenta violentá-la sem o menor pudor. Ártemis, zelosa por sua castidade e profundamente irritada com o atrevimento do simples mortal, faz aparecer do fundo da terra um escorpião que, por ordem sua, pica o jovem matando-o de imediato.
.....Orião e o escorpião foram em seguida transformados, por Ártemis, em duas constelações. Muito longe, no alto céu, no reinado de Urano, todas as noites Orião tenta escapar do escorpião, fazendo esta história se repetir todas as noites, até o fim dos tempos, por qual mostra para todos os mortais o valor da honra.
 

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