Fábulas: Ares e Afrodite, um amor clandestino...





.....A mulher que se atrevesse a recusar seu amor e seus carinhos eram violentamente estupradas. Ares as perseguia com a mesma fome e ira que aplicava nas batalhas. Encaminhava-se para o amor da mesma maneira que marchava para suas campanhas militares, seguro de seu ardor e força.
.....Já com a deusa da beleza e do amor, sua estratégia foi outra. Ares deixou suas violentas ações e ofereceu a Afrodite, com elegância e carinho, seu formoso corpo como um desafio à capacidade amorosa da deusa. Falou-lhe palavras e palavras de afeto e amor, encheu-a de finos presentes, conquistando primeiramente sua sincera amizade que, aos poucos fora aumentando dia-a-dia até que descobriram que realmente estavam perdidamente apaixonados um pelo outro.

.....Fizeram planos e arquitetaram formas para se unirem no amor sem que o marido de Afrodite, Hefestos, o deus do fogo, descobrisse.
.....Enquanto o coxo marido de Afrodite trabalhava em sua forja a noite inteira, Ares a visitava sorrateiro e a amava loucamente. Felizes levavam suas vidas. Somente Hélios, o Sol, poderia perturbar a trama dos deuses amantes, pois, o deus Sol não admitia maus segredos; personificava a autencidade e honestidade. Tudo, para Hélios, tem de ser feito as "claras".
.....Ares então tomou as devidas providências possíveis para não ser fragado por Hélios. Levava aos seus encontros com Afrodite, seu servo, confidente e amigo, o jovem Alectrião. Desta maneira, Ares se deitava com Afrodite enquanto seu amigo vigiava na porta, tanto a chegada de Hefestos, como o Sol levantar e iluminar o mundo dos homens. Sua missão era avisar em tempo para que o deus da guerra desaparecesse.
.....Exausto, seu fiel amigo, adormeceu em determinada noite. Ares e Afrodite amavam-se intensamente e despreocupados, não perceberam o dia nascendo claro e límpido. O senhor Sol logo aponta no horizonte surpreendendo os dois amantes em fortes e ardentes abraços sexuais. Revoltado com tal atitude do irmão e da irmã, indignado com a traição dupla a Hefestos, Hélios vai à presença do deus do fogo e, em todos os detalhes, conta-lhe o ocorrido. O deus coxo deixou o ferro que forjava cair no chão, sentindo suas forças irem embora como se fossem sem retorno. Agradeceu a consideração do iluminado deus e recolheu-se em uma escura solidão. Estava arrasado, humilhado e envergonhado pelo feito de Afrodite e Ares.
.....Tal adultério não poderia passar impune ou passar sem vingança. Refletiu muito e então teve uma iluminada idéia, uma trama infalível contra os dois amantes. Com finíssimos fios de ouro criou uma rede invisível com tal força que nenhum deus poderia destruí-la ou mesmo escapar.
.....Ao término de sua obra foi de encontro a sua infiel esposa. Escondendo-lhe seu ódio e vergonha, armou sorrateiro a rede no leito manchado pela desonra e disse a Afrodite que teria de trabalhar fora por vários dias. Sem mais satisfação, despediu-se e foi-se...
.....Com os olhos de um deus, Ares tudo observava e, ao partir do deus do fogo, foi para o palácio ver sua amante. Mal se encontraram Ares disse:
.....“Vem querida para o leito. Que grande prazer é o amor. Hefestos está de viajem, segundo penso, a caminho de Lenmos."
.....Na cama, se amaram felizes e, quando se deram por conta já estavam presos pela rede encantada que o marido traído e vingativo havia confeccionado. Neste mesmo instante, Hefestos que fingira estar em viajem, volta e surpreende os dois em seu próprio leito em fogoso amor, presos na invisível rede de ouro. O deus forjador nunca havia sentido tanto ódio e vergonha desde seu nascimento. Imóvel de raiva, parado à porta, desabafa em um grito horroroso chamando a atenção de todo os deuses no Olimpo:
.....“Zeus, pai de todos os restantes deuses bem-aventurados, vinde aqui presenciar uma cena ridícula e monstruosa. Por eu ser coxo, Afrodite, sua irmã, de contínuo me cobre de desonra. Ela ama Ares, o destruidor, porque é belo e tem pernas direitas, ao passo que eu sou defeituoso de nascença. Mas a culpa não é minha, apenas de minha genitora, que melhor teria procedido se não me houvesse gerado. Vinde ver este aflitivo espetáculo, como eles foram dormir, nos braços um do outro, em meu próprio leito. Mas por mim que se amem, não creio que queiram ficar assim deitados. Em breve, terão de se levantarem, mas a minha armadilha, a minha rede os reterá cativos, até que o irmão dela me restitua todos os presentes que lhe dei por sua imprudente irmã. Pode ser bela, mas não tem brio!”
.....Apolo, único a interferir na confusão nefasta, consegue convencer Hefestos a libertá-los, pois, do contrário, ficariam eternamente presos naquela cena para que todos os vissem e se lembrassem do que foram capazes de fazer. Afrodite, por sua vez, logo que foi libertada, retirou-se para Chipre, sua ilha favorita. Já Ares, foi à Trácia em busca de redenção, procurando esquecer tudo por conta do que de melhor sabia fazer: Guerrear... Mas antes de partir, castigou seu amigo Alectrião pelo seu erro. Por ter negligenciado seu dever para com o deus e, por conseqüência, ter causado toda a confusão, o transformou em um galo no qual iria, desde então, avisar eternamente os homens do despertar de Hélios, o deus Sol.
 

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