Os deuses: Dionísio, faz do vinho sua arma...


.....
Mais uma vez traindo Hera, sua esposa e irmã, durante várias noites Zeus amou Sêmele, princesa Tebana. E como prova de afeto, jurou-lhe, pelas águas sagradas do rio Estige, realizar qualquer um de seus desejos.
.....Ao descobrir a traição e o juramento, Hera maliciosamente procurou a princesa e, sabendo que nenhum mortal sobreviveria à visão divina, induziu-lhe a pedir à Zeus, rei do Olimpo, que lhe mostrasse seu verdadeiro aspecto.
.....Assim, cumprindo sua palavra, o deus atendeu ao pedido da princesa. E, mal apareceu em toda sua glória, o palácio incendiou-se e Sêmele morreu entre as chamas. A jovem, contudo, levava no ventre um filho de Zeus. Auxiliado por Hefestos, o deus arrancou-lhe a criança e a costurou em sua própria coxa, para que ali completasse sua gestação. Chegado o momento, o pequeno rasgou a carne paterna e saiu para a vida. Era Dionísio.
.....Toda a sua infância viveu fora do Olimpo, longe da perseguição de Hera, pois Hermes, o mensageiro dos deuses, o levou para Nisa, cidade fabulosa da Arábia, ou talvez da Índia, onde havia o vale mais belo do mundo, inalcançável para os mortais. Ali o entregou aos cuidados das Ninfas.
.....Certo dia, passeando pelo vale, casualmente Dionísio deparou-se como uma fruta desconhecida, a uva. Mais importante ainda, descobriu que dela se podia fazer o vinho.
.....Sendo filho de pai divino e mãe mortal, Dionísio não era aceito como deus, e, tão logo descobriu os efeitos da bebida que inventara, decidiu utilizá-la para impor sua divindade aos homens e aos seres olímpicos. Assim, terminado o período de sua educação, e atingida a maioridade, Dionísio pôs-se em viagens pelo mundo. Iniciou seu caminho para a glória, apoiado na poderosa arma que havia descoberto: o vinho.
.....Com seu cortejo, Dionísio viajava pela Grécia proporcionando aos seus devotos grande alegria e felicidade. Através do vinho, que o deus tornara abundante, todas as preocupações abandonavam os corações humanos. O medo se esvaziava. A coragem se redobrava. A vida ganhava maior esplendor. Para os males se encontrava a cura. Uma profunda confiança no próprio poder impulsionava qualquer homem para os grandes atos.
.....Enquanto durava o estado de embriaguez, os homens sentiam dentro de si a presença de uma força superior e divina. Acreditavam-se dotados de poderes iguais aos que tinham os deuses...
 

.