Os deuses: Deméter, fertilidade, colheita e civilização...







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No doce brilho de suas tranças, douradas como os trigais, perdiam-se os olhares divinos. Chegavam aos seus ouvidos, ardentes suspiros olímpicos e juras de amor.
.....Tanto as súplicas como as ofertas, respondia Deméter, filha de Cronos e de Réia, com o silêncio e fuga. Entretanto, Poseidon, agitado deus dos mares, não aceitou a recusa e insistiu em perseguir a amada através dos pomares e das hortas que ela vigilante protegia.
.....Para escapar da insistente corte, Deméter metamorfoseou-se em água e escondeu-se junto de um bando de cavalos que pastavam. Porém, o disfarce não foi o bastante para iludir o enamorado Poseidon que, tudo percebeu.
.....Não tencionando abandonar o assédio, metamorfoseou-se em um cavalo. Assim, uniu-se à Deméter.
.....A deusa, magoada, abandonou o Olimpo onde compartilhava do néctar e da ambrósia com seus pares, e saiu pela terra sem rumo para espantar a ira e o furor. Cansada de agir de maneira tão contrária à sua natureza pacífica, um dia deteve os gestos irritados e lançou-se nas águas do rio Ladão que tinha o precioso poder de fazer esquecer as mágoas e as vergonhas. Ali, Deméter deixou seu ódio por Poseidon e, purificada, retornou ao Olimpo.
.....Mas dentro de si levava duas criaturas engendradas pelo deus. Uma filha, cujo nome, nenhum poeta jamais registrou, e um cavalo, que chamou de Arião, capaz de falar e prever o futuro. Na negra crina deste filho, a suave Deméter via diariamente agitar-se ao vento a lembrança de uma união involuntária que tanta tristeza lhe causara.
.....Todas as lendas sobre Deméter referem-se a seu caráter agrário, e, de forma poética, procuram explicar fenômenos e procedimentos ligados à cultura da terra. Deusa da colheita e da fertilidade, Deméter ajuda os mortais a cultivar a terra.
 

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