Os deuses: Ares, pai do medo, discórdia e morte...


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Os exércitos estão prontos. O silêncio vai tomando conta de tudo. Já não existe mais a noção do tempo. Os combatentes esqueceram as coisas que ficaram no passado e não conseguem mais sonhar com o futuro. Tudo virou efêmero na presença dos filhos de Ares e Afrodite, o medo, a discórdia e a morte.
.....De repente ele aparece. O campo de batalha é seu reino, a luta com os soldados, o seu prazer, o sangue derramado, o seu triunfo. Tem o corpo grandioso e perfeito. As mãos e os braços são muito fortes. Densos e longos cabelos ornam-lhe o rosto. Veste uma armadura confeccionada por Hefestos, o armeiro dos deuses. Usa capacete e carrega pesada lança, ao mesmo tempo em que se protege com enorme escudo. Salta de seu carro puxado por fogosos cavalos, mistura-se aos demais guerreiros. Não defende nenhum ideal. Não tem amigos e nem inimigos. Não é partidário da justiça, porque não respeita as leis. Não protege o bravo e nem o covarde.
.....Apenas desfere golpes aleatórios e ao acaso. Seu brado de luta ressoa como um grito de terror que faz tremer até os mais valentes soldados. Quieta, endurecida e silenciosa, a natureza aguarda a destruição que ele deixa a cada passo. Ele é Ares, deus da guerra, filho de Zeus e Hera.
.....Depois da guerra, tudo novamente se reconstrói. Flores, plantas e pássaros voltam a reviver, até o retorno de Ares e, com ele, a outra vez a destruição.
.....Deus cruel e instintivo, tem como compania constante seus filhos Fobos, Éris e Tánatos, personificando respectivamente o medo, a discórdia e a morte. Sua presença levava à morte sem glória, à devastação sem propósito, à vitória sem merecimento. Constituía um mal necessário utilizado pelos gregos como último recurso para evitar a escravidão.
 

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