O Homem da Revolução Industrial...
.....A Revolução Industrial foi inevitável na história da humanidade. Seu início foi na Inglaterra do meio ao final do século XVIII, acabando de vez com o sistema feudal e abrindo caminho para o capitalismo primitivo. Foi por conta da ascendente burguesia, já com os poderes econômicos em mãos, que o Liberalismo foi fundamentado.

.....Revolução Industrial: do artesanato a produção em escala, depois em série.
.....Os burgueses do final do século XVII já eram cidadãos abastados devido o acúmulo de capital proviniente da produção e comercialização dos mais diversos produtos. Alguns próprios de manufatura local e muitos outros provindos de vários locais do mundo com o advento dos descobrimentos marítimos do século XV. Contribuíram muito para o domínio das técnicas ultramarinas por meio de seus patrocínios. Neste sentido, o homem europeu atingiu as mais remotas regiões do globo, expandindo o comércio e sua visão de mundo. A comercialização e o aumento populacional fez com que se mudasse o sistema de produção e conseqüentemente a divisão de trabalho. Era necessário produzir mais em menos tempo.
.....Foram substituídas as ferramentas pelas máquinas; a energia do Homem pela energia motriz. Saiu do sistema doméstico de produção para o sistema fabril. Todas estas mudanças foram ocasionadas pela pressão social e pelo grande avanço tecnológico - resultado das idéias renascentistas que vinham se desenvolvendo nos séculos XV e XVI.
.....O artesanato era a primeira forma de produção, digamos "industrial". Surgiu no fim da Idade Média com o aumento populacional e sua respectiva urbanização e desenvolvimento comercial. A produção era independente, tendo cada produtor seus próprios meios de produção, suas instalações, ferramentas e matérias-primas. Os produtos eram fabricados na própria casa, pelo próprio artesão ou, no máximo, com seus filhos e até mesmo, quando obtinham grandes resultados, com seus vizinhos.
.....Com o inevitável aumento de consumo, estes artesões foram obrigados a aumentarem sua produção e a contratar pessoas para atender a demanda, passando de simples artesões para o que hoje chamamos de pequenos empresários.
.....Neste sentido, a população urbana se dividiu em duas importantes classes comerciais, sendo uma a que fornecia a matéria-prima e os pequenos empresários que, por fim, produziam o produto final vendendo-os para a população, sendo esta última a segunda classe.
.....Neste processo, o artesão para atender a demanda, começou a organizar sua produção em linha, como por exemplo, no artesanato têxtil: o primeiro fiava, o segundo tecia, o terceiro tingia e por fim, o empregador dava o acabamento final, fazendo uma escala de valores para o produto acabado. Não obstante, surgiram os pioneiros e visionários que passaram a manter casarões cheios de pessoas produzindo em linha recebendo um salário mensal e não mais por peça acabada. Foi assim o início das primeiras fábricas no mundo.
.....Aos poucos, estes empresários passaram a colocar em operação máquinas sob a gerência de um chefe, resultando na exploração da nascente classe trabalhadora, o proletariado. Não haviam regras trabalhistas e nem uma preocupação ética na livre concorrência. Tais fatos deixaram os trabalhadores praticamente na condição de escravos do trabalho. Firmou-se assim, uma nova divisão social, marcando definitivamente o aparecimento do proletariado e do empresariado; o início da Revolução Industrial propriamente dita.
.....Os ingleses foram os pioneiros na transição do artesanato para produção em série, resultado de um mercado proprício atestado pelo capital acumulado das explorações marítimas e de seus recursos naturais, de uma estrutura agrária própria e de uma urbanização adiantada e organizada.
.....Os burgueses ingleses, após derrotarem a monarquia, controlaram o mercado interno e se projetaram em seguida para o mercado exterior por meios pacíficos, do comércio liberal e da ocupação militar. A Inglaterra tinha a hegemonia naval, pela qual, controlava as rotas comerciais pelo mar, comandando assim, o ritmo da produção e seus preços.
.....No começo foi a tecelagem de lã que projetaram os ingleses para o mercado exterior. Buscavam a matéria-prima do algodão em países como o Brasil, Estados Unidos e Índia e, como esses produtos eram mais adequados aos países tropicais, eram revendidos como produto acabado de volta; fato que levou a Inglaterra a exportar mais de 90% de sua produção, acumulando assim, grande quantidade de capital. A arrancada industrial se deu efetivamente pela exploração de matérias-primas provindas a baixíssimo preço das colônias e, depois de processadas, revendidas a estas mesmas colônias a preços altíssimos.
.....Com os bancos já bem organizados e grande quantidade de dinheiro no mercado a juros baixos, a Inglaterra se fez uma potencia industrial. Portugal e os demais países se mantinham por conta do comércio de produtos naturais e comercialização de escravos entre as metrópoles coloniais, além de metais e pedras preciosas, que, por sua vez, iam parar nos cofres ingleses.
.....Com o parlamento inglês ao lado dos investidores, os benefícios governamentais foram saindo das mãos dos camponeses para as mãos dos burgueses, ficando os primeiros, em pouco tempo, vivendo de subsistência em suas terras improdutivas. Conseqüentemente a população foi forçada a migrar para as cidades, deixando para trás a agricultura e o artesanato, para se refugiar nas ascendentes industrias dos centros urbanos. Desta maneira, a mão-de-obra se tornou maior que a procura, barateando ainda mais o custo operacional das indústrias, motivando cada vez mais, a exploração desta mesma mão-de-obra.
.....Este sistema foi exportado de imediato para outros reinos na Europa que, em uma explosão comercial e tecnológica, passou a vigorar no mundo todo.
.....Este processo foi marcado pelas invenções provocadas por problemas concretos que apareciam e eram resolvidos na prática e de imediato. Estes inventos tinham que atender as necessidades de momento, do contrário, nasceriam mortos.
.....No início do Renascimento, da Vinci pensou na máquina a vapor, mas que só foi posta em prática na Revolução Industrial, duzentos anos depois. John Kay, no auge da industrialização dos produtos, colocou em prática sua inovadora máquina lançadeira, marcando o início desta nova era. Estas duas máquinas deram grande agilidade na escala de produção reduzindo o tempo e o custo de uma só vez, causando grande escassez de matérias-primas. Dado a praticidade dos investidores e a falta das matérias-primas, a demanda de inventos então não pararam de crescer, sendo para cada produto, uma nova máquina. Por exemplo, James Hargreaves inventou a Spinning Jenny que permitia ao operário fiar de uma só vez oitenta fios e Richard Arkwright com sua máquina Water Frame, movida à água e mais econômica. Samuel Crompton, combinando estas duas máquinas numa só, conseguiu uma excelente qualidade de tecelagem sem igual na época. Mais tarde, Edmond Cartwright, inventou o tear mecânico que não dava perda à matéria-prima.
.....Com o aumento da produção, necessário foi uma nova fonte de energia. Uma mais eficiente que a força motriz por Rodas d´Água. Oportunamente, James Watt apresenta sua nova máquina a vapor com manivela e biela, transformando o movimento linear do pistão em movimento circular. Neste processo, as madeiras utilizadas nos maquinários foram substituídas por peças de metal, estimulando a indústria siderúrgica e assim por diante...
.....A Revolução Industrial trouxe e concentrou em um curto prazo a população nas cidades sedes dessas fábricas, nas quais, a divisão social foi inevitável, ficando de um lado os donos de capital e maquinário (meios de produção) e de outro, os operários como simples peças sobressalentes. Os segundos, em maior número que a demanda, impossibilitavam uma justa divisão econômica. A necessidade particular de subsistência de cada operário em si era insignificante quando colocada fente ao interesse único de toda uma classe.
.....Londres, capital da Revolução Industrial, chegou a ter mais de 1 milhão de habitantes no século XVIII em condições miseráveis, obrigados a se submeterem as regras escravagistas das fábricas. Com o tempo, passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças, diminuindo ainda mais a remuneração pecuniária desta nova classe social.
.....Não haviam leis trabalhistas e nem indenizações por acidentes de trabalho ou qualquer outra coisa neste sentido, deixando os operários a mercê de seus patrões. Por outro lado, a constante mecanização do trabalho, reduzia ainda mais o número de operários nas fábricas e conseqüentemente seus salários e qualidade de vida. Neste período, a expectativa de vida de um proletário se igualava a de um homem no inicio das invasões bárbaras, oitocentos anos antes - perto de trinta anos em média.
.....Estes fatos deram origem a vários problemas socias, tais como, o de pessoas se entregando ao alcoolismo ou a baderna anárquica. Outros a se rebelarem contra as máquinas provocando grandes agitações como a de Lancaster e em Lancaschire, na qual, os proprietários chegaram ao ponto de se organizarem militarmente para protegerem seus patrimônios.
.....Com o tempo - da Revolição Francesa em diante -, estes empresários tiveram que, por livre e espontânea pressão, atender aos vários pedidos desta classe tão explorada, concordando em uma lei trabalhista. Acertaram em "comum acordo"; a Lei Trabalhista de Speenhamland, garantindo a subsistência mínima de um trabalhador e um imposto pago por todos para o custeio dos desempregados.
.....Com o aumento do proletariado e os abusos de seus patrões, surgiram as Tradeunions e depois os Sindicatos. Com o tempo, os proletários conseguiram a proibição do trabalho infantil, a limitação das mulheres nas jornadas de trabalho e, em apenas alguns tipos de ofícios. A mais importante conquista foi o direito de greve.
.....Assim o empresário passou a ver o proletário como sócio minoritário de seus investimentos, distribuindo melhor a renda e entendendo, matematicamente, que eles próprios eram os consumidores dos produtos fabricados, nos quais, com melhores salários, mais consumiam, transformando o mundo no que chamamos hoje de neo-liberalismo.



Resumo histórico da Revolução Industrial:
.....1.700 d.C.
.....Início da Revolução Industrial apenas na Inglaterra, sendo esta a primeira oficina do mundo.
.....Primeiros produtos industrializados de bens de consumo; os têxteis.
.....Produção em escala com máquinas a vapor.
.....1.800 d.C.
.....Início da Revolução Industrial em toda a Europa, América e Ásia.
.....Principais países detêm a produção - Estados Unidos, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia.
.....Aumento da concorrência.
.....Aumento da produção de bens de produção.
.....Expansão das ferrovias por todo o mundo.
.....Início das novas formas de energia.
.....Implantação de hidroelétricas.
.....Início do uso do petróleo como forma de energia.
.....Revolução nos transporte como a locomotiva e barco a vapor.
.....1.900 d.C.
.....Aparecem os conglomerados industriais.
.....Começam os reinados das multinacionais pelo mundo.
.....Automatização da indústria.
.....Início da produção em série.
.....Explosão do consumo nas sociedades de países mais desenvolvidos.
.....Expansão dos meios de comunicação.
.....Avanço da indústria química e eletrônica.
.....Aparece a engenharia genética.
.....Início da Era da Robótica.
.....Início da Era do Conheciemnto.

 

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