O Homem na Globalização...
.....O Homem superando todas as suas adversidades, sucessos e insucessos, saiu de sua condição selvagem para a condição civilizada. Teve no decorrer dos milênios, mais sucessos que fracassos. Percorreu a história se desenvolvendo socialmente, passando de tribos para aldeias, cidades, cidades-estados, estados, ligas, impérios, reinados, nações e conseqüentemente, sistemas como o colonialismo de povoamento e exploração, mercantilismo, nacionalismo, socialismo, capitalismo e, por fim, nos dias atuais, a Globalização.

.....Globalização, ruptura social e futura unificação do Homem.
.....A Globalização deve ser entendida como um processo atual de enormes proporções econômicas e sociais nos quais se observam inúmeros problemas sociológicos a serem resolvidos, mas que não impedem o desenfreado desenvolvimento deste sistema que, não obstante, as atuais grandes potências incentivam. Com o fim do regime socialista e a queda do muro de Berlim, as grandes potências capitalistas tiveram seus caminhos livres para seu objetivo real e simples; produzir para gerar estabilidade e empregos internos, mantendo sua ordem social e econômica escoando sua produção aos países menos desenvolvidos com menor capacidade de produção, não importando mais à distância, cultura, política ou religião.
.....Hoje, as empresas, resultado final da Revolução Industrial do final da Idade Média em diante, têm uma conotação multinacional; são verdadeiros impérios comerciais que se instalaram em vários países no mundo, dando o devido escoamento em seus produtos. Por outro lado, observamos também, a crescente força humana que chamamos de prestadores de serviços que, de maneira sistêmica, se interagem com o processo de Globalização.
.....Na verdade, o conceito de Globalização nada mais é que a quebra de fronteiras comerciais entre nações por conta do resultado da alta tecnologia, como por exemplo, a comunicação instantânea, a internet, a difusão do conhecimento, a velocidade dos transportes, a grande capacidade de se produzir o que quiser na quantidade que se quiser, dentre outros. Estes fatores romperam as fronteiras de praticamente todos os países do globo no que tange as distâncias e tempo e, em velocidade maior que a absorção e mesclagem das várias culturas e povos envolvidos. Para se ter uma idéia disso, como exemplo, é só imaginar um hindu confucionista, amarrado as suas antigas tradições tomando uma Coca-Cola e comendo um sanduíche do Mac Donald´s enquanto medita, ou, um terrorista mulçumano mascando um chiclete com uma camiseta de algum grupo de rock a espera do próximo ataque.
.....Mesmo que se tenha um mundo sem fronteiras por conta dos transportes, da informação, da comunicação em tempo real etc., não se tem ainda a paz cultural entre as nações. O valor monetário ainda é de menor importância em relação às raízes e diferenças culturais dos povos já envolvidos neste sistema, no qual, a Globalização só se vê efetiva em nível governamental e comercial, deixando o individuo isolado em suas crenças, dogmas e paradigmas.
.....Mesmo tendo o Homem atual, maior tolerância religiosa, principalmente entre as maiores religiões, que hoje, diga-se de passagem, já globalizadas como a do cristianismo, do confucionismo, do islamismo, do taoísmo etc., não dá a segurança de se viver como globalizado propriamente dito no nível individual.
.....O pé em que se encontra hoje a Globalização se observa apenas no nível empresarial e governamental, como já dito e, de certa maneira, intelectual. Intrínseco a isso, tem o mundo uma divisão entre países de primeiro mundo, detentores da soberania industrial e domínio comercial, e os países em desenvolvimento e do Terceiro Mundo que, são de todas as maneiras, abafados pelas grandes potências, impondo-lhes o imperialismo comercial de suas grandes empresas multinacionais. Este controle se dá por meio de uma balança comercial privilegiada no sistema financeiro capitalista, amarrando juros altíssimos para aqueles governos que precisam importar alimentos, produtos e tecnologia, que neste caso, englobam tanto os em desenvolvimento como os de Terceiro Mundo.
.....Ainda as nações se encontram militarmente armadas, defendendo sempre os seus interesses comerciais, pelos quais, na religião, hoje acham a maior desculpa para se tirar melhor proveito desta disputa. Por exemplo, os Estados Unidos, Inglaterra, França e outros países mais, escondendo seus reais interesses e não se mostrando vivamente, acertam conflitos armados no Oriente Médio, palco de uma disputa entre o cristianismo e o islamismo que, na verdade, só há o interesse sobre as jazidas de petróleo ou o controle do preço do seu barril.
.....No outro lado do mundo, temos a China com uma enorme população e mão-de-obra barata, produzindo tudo o que se pode imaginar e exportando a preços baixíssimos para todos os países, travando uma desordem interna nestes países, nos quais, seus produtos entram gerando desemprego local e tensões sociais.
.....A atitude de um governo para a proteção de seus interesses podem gerar vários outros conflitos com outras nações que, a "princípio", não se teria nada em comum. Uma ação hoje, desencadea várias outras envolvendo diversas nações e interesses, fazendo da diplomacia, uma arma política interessante e moderna, mas que, quando sem resultados, o Homem volta as suas origens selvagem. Partem para o acerto violento, para as guerras que, curiosamente, também se encontram globalizadas.
.....Outro aspecto da Globalização é o fato de hoje se estar, em algumas horas, de um lado a outro no planeta, tanto as mercadorias como as pessoas e, ainda, com o advento da internet, o Homem tem praticamente o mundo todo dentro de sua própria casa, independente de cultura, língua ou crédulo.
.....As diferentes culturas dos diferentes povos não acompanham o desenfreado acontecimento global, gerando inúmeras intempéries sociais e confusão econômica. O Homem atual está dividido entre os que detêm o conhecimento e tiram proveito e, os que não os tem, se submetendo as regras impostas pela sociedade de cima para baixo.
.....Mesmo com a Globalização das línguas inglesa e espanhola, o Homem ainda se depara com os contrastes culturais entre os ocidentais e orientais e, em meio a isso, uma cultura que insiste em suas raízes retrógradas como a mulçumana, atrapalhando de certa forma, o o processo, mas que mostra claramente o quão longe o Homem está da verdadeira Globalização.
.....Hoje o planeta está se fundindo em blocos comerciais, lingüísticos e culturais, "fechando" suas fronteiras comerciais entre si, formando verdadeiros mega-países, como por exemplo, a Comunidade Européia, a Alcoa e o Merco-Sul. Por sua vez, estes mantêm vantagens comerciais em seus próprios eixos e territórios e criam dificuldades fora, como por exemplo, impostos de importação encarecendo o produto de outras comunidades na hora que estes entram. Estes fatos dão origem à vários problemas sociais, que de certa maneira, encontram-se globalizados e, provando isso, como exemplo, os grandes quartéis de drogas que se fazem presentes em todos os lugares do mundo.
.....Fica fácil perceber o caminho em que a humanidade se encontra se olharmos para trás e entendermos que esse caminho não passa de um processo inevitável na história da própria humanidade, na qual, em seus primórdios, com o aumento populacional, com o desenvolvimento da economia, das tecnologias e do comércio, saiu de pequenas cidades para grandes nações e impérios e, expelida pelo próprio desenvolvimento, desbravou os mares, descobrindo novas terras e nelas implantado sistemas exploratórios visando lucro e mais lucro e, por fim, guerras e desordem mundial. Hoje, o Homem tem total consciência de quem é e, quem está a sua volta, mantendo o poder por meio da soberania comercial e tecnológica.
.....Há movimentos utópicos como o desenvolvimento de uma língua mundial, o Esperanto, e, idealistas que acreditam em um sistema unificado, tendo o mundo todo, todas as nações, um único imperador, um único sistema de leis e uma única religião e que, seus súditos, todos com conhecimento e consciência social, mantenham a qualidade de vida para todos em total igualdade, na qual o lucro não se fará pelo status ou pelos bens materiais e sim, pelo conforto espiritual, físico e mental, pela consciência livre e descansada, sem traumas ou culpas. Difícil até que o Homem quebre seus dogmas religiosos, seu amor e apego aos produtos supérfluos da vida mundana.
.....Ou o Homem acaba com tudo pelo poder tecnológico destrutivo que hoje tem, ou o Homem viverá como seres de iguais ideais de vida. Difícil! Mas não impossível. Digamos que é até inevitável, por quanto, em mais alguns poucos séculos, o próprio Homem escolherá. Prova da segunda tese é a unificação da língua humana que, mesmo mantendo seus dialetos territoriais e culturais, acatou, a inglesa e a espanhola, como línguas mundiais.

 

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