A Grécia na renascença e tirania...




.....A Idade da Tirania na Grécia é marcada pelo renascimento cultural no início do século VIII a.C. e, neste período, os gregos já com várias colonizações na Ásia Menor. Foi uma época marcada pela expansão de seu território continental e ilhas no Egeu no sentido oriental e, vindos do oriente, os fenícios se expandindo para o ocidente, levando a Grécia, além de seus costumeiros conflitos internos, a guerras conturbadas por disputas comerciais e territoriais.

.....Renascença grega, o maior legado para o Homem ocidental.

.....O renascimento grego:
.....A rivalidade entre gregos e fenícios era em si, não na Fenícia, mas sim na Sicília, mesmo antes do controle total do mar Egeu e Mediterrâneo por ambas as partes. Nesta fase, os estilos de vida acabaram-se por se misturarem nas terras do Oriente Médio e, quando chegaram ao continente propriamente dito, estes já estavam adaptados mesmo que de maneira impura. A cultura grega fora transformada completamente pelas influências de outros povos de fora para dentro, bem ao contrário do período de apogeu Clássico, cujas influências eram da Grécia para o resto do mundo antigo. O apogeu intelectual, artístico e político da Grécia e sua expansão nos tempos áureos foi junto à absorção das culturas latentes dos povos vizinhos. Marco do início do renascimento grego.
.....No século X a.C. a cultura, como base didática, era grosseira e de caráter regional. Argos ou Tebas influenciavam por conta de seus domínios e, outras, por exemplo, Esparta, pela força militar e outros mais, por meio de alianças entre cidades como as Doze Cidades Jônicas do Oriente. Outras ainda em agregação livre com uma cidade central, como Élida.
.....Os grandes santuários centrais, denotados como inter-cidades-estados, como o de Delos, Dodona e Olímpia, já existiam antes como áreas comuns de culto, fato que ajudou na formação do povo grego como um povo uno. Não obstante, também por meio de leis comuns, mesma língua e da religião mitológica igual para todas as cidades.
.....No início do renascimento, estas cidades foram de importância vital na unidade geográfica, pois em Olímpia, por exemplo, bem antes mesmo do século VIII a.C., já se realizava o primeiro dos quatros grandes festivais atléticos inter-cidades-estados, no istmo, o segundo, o terceiro em Delfos e por fim, o quarto em Nenea. Na renascença grega, estes jogos se transformaram nos jogos Pan-Helênicos. O calendário era sincronizado entre o povo grego, tanto no continente como nas ilhas do Egeu e em suas colônias.

.....A renascença: pintura, escultura e arquitetura:
.....Apesar das influências de outros povos na arte grega durante a Idade das Trevas, os estilos se mativeram regionais, entretanto, sem muita diferenciação, mesmo comparado com a decadência da cultura micênica.
.....No início da renascença, em toda a Grécia, os padrões se tornaram evidentes em todo o território continental com foco nas cerâmicas e nas pinturas como artes monumentais. Atenas nesta fase, já estava praticamente com o domínio das cerâmicas com seus vasos utilitários de cores castanhas amareladas alternadas com o preto e desenhos sóbrios, arrojados e completos, espalhando e influenciando toda a Grécia. O contorno geométrico de outros tempos ensinou bastante aos gregos que desenvolveram e continuaram a desenvolver durantes gerações e gerações seguintes.
.....Já a pintura nunca perdera a firmeza e a organização formal e geométrica dos séculos X e IX a.C., dentro de seus limites formais. Assim, a pintura no século VIII obteve vigor espetacular.
.....Nesta fase também encontramos as primeiras esculturas, diferentes da Idade do Bronze. Já não se tinha mais a conotação de pequenas estatuetas para cultos religiosos, coisas esculpidas em ossos, madeira ou marfim, mas sim, várias esculturas de bronze maiores com motivos cotidianos de grande vivacidade e elegância, digamos.
.....As primeiras figuras dos deuses olímpicos, mostravam ainda uma pequena influência oriental, mas que, em pouco tempo se tornaram genuinamente grega.
.....A arquitetura também teve sua revitalização sem precedentes. As cabanas elípticas deram lugar, principalmente nos ambientes sagrados, para um estilo mais elegante e decoração mais completa e exata, de formas retangulares com colunas de sustentação para o teto. As casas residenciais começaram a serem construídas a partir de suas lareiras e de forma geométrica quadrada ou retangular.
.....Em poucos anos a arte grega já estava em número estrondoso e se encontravam seus artifícios em toda as regiões coloniais. Não se sabe ao certo o motivo desta explosão artística, se foi o aumento demográfico ou aumento de riquezas, ou o aumento das expedições comerciais ou, até mesmo, o aumento das expedições de colonização, tanto para o Oriente como para o Ocidente.
.....A graça artística grega demorou mais de um século até sair dos desenhos geométricos atenienses até as obras em mármore, por exemplo, com estremo realismo. O classicismo.

.....No continente, os herdeiros da era heróica:
.....Em Atenas e outras cidades gregas, as grandes famílias começaram a reclamar suas antigas linhagens. Seus ancestrais, alegavam, seriam semideuses ou heróis. Não se sabe quando foi a primeira reclamação e nem em qual lugar, mas nos túmulos destas famílias, as esculturas foram de grande importância nestas reivindicações. Na Idade das Trevas, estas famílias obtinham estes títulos sem grandes problemas devido a pouca diferença social. Com a expansão colonial e o aumento das riquezas nas cidades continentais, somados a escrita comum a todos, e mais a formulação das leis, praticamente iguais a todos, e, contando com os registros mais concretos, levaram estas famílias a adquiriram uma nova importância social.
.....A divisão da riqueza na grécia era em si, digamos, proporcionais entre o povo, com apenas a Ática em contrário, lembrando um pouco a fase mercantil da Idade Média na Europa depois de Cristo.
.....As classes começaram a se distanciarem e, no início da renascença, já haviam túmulos com esculturas monumentais dos mais abastados aos de menores tamanhos com pequenas estatuetas.
.....Com o aumento da população, veio a imigração dos homens do campo em busca de riquezas, acarretando a falta de alimentação para as cidades que se encontravam, de certa maneira, inchadas e necessitadas do aumento da produção no campo. Assim foram, os povos, indo e vindo das cidades para os campos até se equilibrarem.
.....As grandes famílias aristocráticas tinham poderes e influências por conta de bases sólidas baseados em suas propriedades agrícolas. Apoderavam-se de terras alheias criando grande rivalidade umas com as outras, principalmente nas terras menores. Outras curiosidades neste aspecto são os túmulos dos heróis de guerra destas famílias que eram levantados em meio a suas terras, dando assim, um tipo de marcação territorial por conta da veneração destes ossos por anos e anos, deixando bem claro, a posição familiar nas províncias.
.....As artes eram o reflexo desta ideologia, pelas quais, várias cópias de capacetes de povos do oriente, feitos na própria Grécia e enterrados junto a esses heróis de guerra.
.....As cópias artísticas eram praticamente rotina neste período, ficando apenas Coríntio como uma produção particular de obras finas e Esparta com uma criatividade nativa, revelando, junto aos túmulos nos campos, os conflitos entre as cidades gregas, nas quais, ora se derrotava, ora se venceia, marcando a luta incessante de poder entre as famílias gregas.

.....Os gregos ultramarinos:
.....Não há uma resposta exclusiva ao motivo que levaram os gregos a se expandirem pelo Mediterrâneo ocidental, mas podemos afirmar três motivos básicos, que em conjunto, nos pode dar uma explicação lógica: O desejo de possuir novas terras com melhores condições agrícolas, a instabilidade nas cidades e a expansão comercial. Por exemplo, os colonos da Eubeia na costa ocidental da Itália eram comerciantes e, suas mercadorias, eram a cerâmica de várias origens como de Atenas, da própria Eubeia, de Coríntio, de Rodes, de Creta, da Etrúria, da Apúlia, da Fenícia e dos hititas que comercializavam com todos os povos no Mediterrâneo. Nos achados arqueológicos, encontraram também, vários objetos originados do Egito e Síria. Isto marca um comércio longínquo que, justificando as colônias gregas, mostra-nos até onde chegou a colonização e influência comercial dos gregos. No início, a arte era cópia dos produtos de Atenas e Corinto e, com o tempo e desenvolvimento artístico, as colônias começaram a exportar estilos próprios, aumentando o prestígio grego no eixo comercial.
.....Não podemos julgar o sucesso de um povo apenas pela sua cerâmica pintada, mas podemos entender como os gregos conseguiram superar os povos orientais, que detinham e já estavam bem à frente nas fronteiras ocidentais, por meio de sua expansão em si. A Grécia conquistou o mundo antigo por conta do comércio e não pela luta armada, coisa latente no renascimento grego. No Oriente, os gregos comercializavam com os lídios e frígios. Na realidade, tanto os gregos como os fenícios, buscavam um caminho em direção ao Atlântico, se fixando em lugares estratégicos, fundando portos e colônias que no decorrer do tempo se transformaram em verdadeiros centros comerciais, incentivando, ano a ano, o desenvolvimento naval.

.....O alfabeto:
.....No final do século VIII, temos, para exemplificar, vasos com desenhos que indicam, ou não, os acontecimentos tanto heróicos como os fantásticos. Em certos vasos encontramos coisas como: Um soldado nobre encostando a mão em uma mulher. Será Paris raptando Helena? Em outro, um assassinato de uma criança por um esgrimista, observado por um casal de adultos, será a morte de Astianax, filho de Heitor? Em outros, podemos nitidamente reconhecer Zeus com seus raios e várias outras cenas de Paris e Helena, os Ciclopes e tudo mais...
.....Vemos nestas representações artísticas uma abundância de representações da mitologia, registros familiares e heróicos, com alto grau de desenvolvimento comunicativo em vista da arte primitiva dos micênicos.
.....Neste aspecto, os gregos sentiram uma necessidade latente de expressão de forma mais resumida, prática e direta. Por fim, adotaram um alfabeto que, como todo o resto na história da escrita, teve suas diferenças nas diversas regiões gregas, mas com a mesma síntese, assim como foi com a arte.
.....O alfabeto grego é uma derivação da escrita fenícia que não sabemos por quem e nem exatamente onde começou. Na ilha de Creta temos o que podemos chamar de mais antigo, conquanto, o seu alfabeto é mais próximo do simétrico e, ao mesmo tempo, provas e mais provas do relacionamento entre Creta e Fenícia. Com certeza, esta adaptação aconteceu em algum porto comercial entre a ilha de Creta e a Fenícia.
.....O alfabeto completo grego, propriamente dito, aparece em meados do século VIII e nunca anteriormente.
.....A introdução da escrita mudou completamente a concepção que o grego tinha de si mesmo e como encarava o mundo, na medida em que podia controlar e registrar seus acontecimentos, raciocinando em cima destes mesmos registros, além da descrição lógica das coisas passadas de pessoa a pessoa, de um lugar a outro, independente da distância. A escrita fez a diferença no renascimento, pois formatou a sociedade, a moralidade e por fim o próprio comportamento grego, alterando sua história, política, filosofia, ciência e religião.
.....A perspectiva nos desenhos e nos trabalhos artísticos, como as esculturas em pedra e mármore, as bases medicinais, as normas e bases de argumentos, o direito e a exploração, registro e descrição de terras; só vieram aos gregos após a adoção da escrita alfabética. Códigos baseados em letras fonadas que, somadas e combinadas de diferentes maneiras davam, como na escrita atual, tudo o que é preciso para ser representado, falado, reproduzido, registrado e comunicado, como é hoje em todas as línguas ocidentais.

.....A mitologia grega, religião latente:
.....Outro aspecto dado ao renascimento grego foi a religião. A história inicial da religião grega é confusa e difícil de reconstruir, principalmente pelo fato de ser uma religião mesclada de várias religiões de outros povos a qual os micênicos elaboraram na medida da necessidade e no decorrer do tempo, mas que a levou para a religião mitológica da Grécia Clássica.
.....À medida que vão surgindo as imagens e a escrita alfabética, aparece a sua concepção provada nas coincidências das esculturas em comparação com a literatura. Estes dados são mais abrangentes e solenes que os contos de Homero, mesmo que mais terríveis. As escrituras mais antigas são, mesmo que dramáticas, mais alegres e simples, enquanto nesta nova fase, são mais sangrentas e com requintes de detalhes. Por exemplo, Perseu corta a cabeça da Medusa com detalhes e, um escrito que narra dois centauros batendo e enterrando a cabeça de um homem ao chão devido à violência do golpe. Assim, a literatura no renascimento grego virou brinquedo de gente grande.
.....Os profetas tinham seu cargo hierárquico com funções múltiplas na religião grega, mais que seus dons religiosos em si. Há provas e mais provas de profissionais religiosos trabalhando para reis e príncipes, interpretando os sonhos e as vontades dos deuses em detrimento dos acontecimentos naturais, ou, em se saber o que um determinado deus ou deusa queria para atender a determinados pedidos humanos.
.....Os santuários oráclicos micênicos eram em grande número, mas longe da glória divina do apogeu religioso do renascimento e da época áurea do classicismo. Delfos e Olímpia eram as cidades com maiores oferendas aos divinos e, mais tarde, outras cidades como Elêusis, na qual, Deméter era adorada como principal divindade. Eram vários os lugares de peregrinação e todos movimentados em todas as épocas dos anos.
.....O monte Olímpo era a casa de Zeus pelo simples fato de Zeus ser o deus supremo, deus do céu e das nuvens, logo, nada mais justo em fazer sua moradia no lugar mais alto da Grécia e, por sua vez, a cidade ali fundada, levando o nome de Olímpia. Os nomes dos deuses gregos provieram dos antigos micênicos, cujos nomes são todos originários da língua pré-grega, a língua micênica. Seus deuses e suas famílias divinas em si, foram todos criados de uma aglutinação dos povos indo-europeus. Os micênicos, quando colonizaram esta área, as sombras desta montanha, colocaram este nome, monte Olimpo, e deles vieram a conotação de casa de Zeus, há pelo menos, mil anos antes da renascença do século VIII a.C.. Por outro lado, este monte é visto tanto do mar longínquo como em quase qualquer lugar nas terras gregas.
.....O politeísmo em si se deu gradualmente em um sistema de adequações aberto e desordenado. Não criaram deuses a torto e a direita, mas sim uma receptividade e identificação com os deuses estrangeiros com os nomes já existentes, como por exemplo, Astarde que influenciou Afrodite. Ártemis nada mais era que uma mestra dos animais no Oriente, Eolo, o deus do vento, foi adaptado e assim por diante. Tudo isso por fim, não alterou nem a coerência e nem a maleabilidade da concepção religiosa micênica, fundindo as ideologias divinas numa mitologia concreta até a Era Clássica.
.....Não sabemos se a mitologia conhecida no renascimento grego, bem explicada com o advento da escrita, se era antiga ou se era nova, mesmo as comparando com as obras de Homero no sentido que o autor as trata.

.....A religião tomando decisões:
.....A colonização se deu à necessidade emergencial da Grécia em achar terras cultiváveis para a demanda populacional e, ao mesmo tempo, desinchar as cidades em crescimento desordenado. O lugar para onde mandar os colonos eram ditadas nos oráculos, assim como sa decisões nacionais, constitucionais, guerras etc.
.....Cada cidade, na Era da Tirania, tinha um deus padrinho que, este sempre entrava em conflito com outros deuses, padrinhos de outras cidades, quando em guerra. Os soldados, antes da batalha, cantavam hinos ao seu deus predileto e, partia para o conflito na certeza de que seu deus, mais forte que o do inimigo, lhe protegeria a vida. As decisões políticas eram todas decididas com bases nas vontades divinas. Daí, os profetas profissionais.
.....As grandes famílias aristocráticas exibiam suas ricas oferendas aos deuses em competição com outras famílias na busca de maiores prestígios sociais, isso ainda, elevando as cidades, pelas quais, cada cidade ostentava seu padrinho mais em competição de força e riqueza que propriamente fé.
.....Da religião arcaica até a religião mitológica formada e perpetuada com o advento do alfabeto, temos, no início, as cavernas para cultos, passando para lugares diversos com a concepção de oráculos e ao final, grandes templos retangulares em cidades com caráter mitológico como Delfos e Olímpia, por exemplo.

.....Homologação das primeiras leis:
.....As leis primitivas na Grécia antiga eram ditadas por questões morais e controladas por um certo terror, conquanto, se o indivíduo fizesse isso, sofreria aquilo, mas, se estivesse sob determinada condição, então sofreria aquilo outro. Havia um juíz para cada caso e uma infinita adaptação dos princípios gerais. Por exemplo, na ilha de Creta, haviam leis consagradas, passadas de boca em boca como se fossem provérbios até serem escritas no século V a.C.
.....Outra conotação das leis primitivas foi a interpretação na linguagem mágica e ritual que sobreviveu nas maldições e epitáfios. Funcionava por conta da crença do grego nas divindades originadas no início da cultura micênica, com a qual, nenhuma possibilidade podia ser deixada ao acaso. Como exemplo, segue uma lei falada e muita levada a sério em Teos na Ásia Menor, semelhante ao velho código micênico:
....."Quem praticar magias malévolas contra os oriundos de Teos, terá sua cidade ou todos dela, uma morte prestes ou a queda de seu gado".
.....Com a escrita e mais tarde o genial alfabeto grego, as leis passaram da vocalização decorada para registros. Eram de igual teor, mas com regras diferentes entre as cidades. Estas leis eram responsabilidade de funcionários sagrados e escritas somente por eles. Isto aconteceu de forma lenta e de diferentes maneiras nas diferentes cidades.
.....Exemplificando, temos em Atenas, as leis de Sólon escritas depois de 600 a.C. Já as leis de Dredos, datam antes do século VII a.C. e as de Quios, no ano de 575 a.C.
.....As primeiras leis codificadas, propriamente ditas, foram aparentemente na ilha de Creta em Aphrati por um alto funcionário com responsabilidades religiosas com ajuda de um escriba, que aliás, pode ter sido esta, a primeira a formar escribas, digamos, profissionais. O mais longo código de leis arcaico que temos certeza, pelos achados arqueológicos, é o de Gortina em Creta.
.....Por meio destes códigos, obtemos com exatidão a sociedade grega na renascença, com as classes bem divididas entre os gregos livres, gregos livres sem poderes políticos, escravos domésticos, servos e os escravos em si. Assim, obtemos estas classes moldadas de maneira natural durante o desenvolvimento social e não de maneira imposta. Essas leis distinguem caso-a-caso o que um juiz tem de decidir de acordo com o estatuto e as afirmações das testemunhas sob um júri de gregos livres que decidem, com total liberdade de raciocínio, sobre a acusação formulada em questão.

.....Tempo e ascensão dos tiranos:
.....Os tiranos apareceram por perto de 650 a.C. incentivados pelo governo de Fídon em Argos. Neste período havia muita instabilidade e inquietação por toda a Grécia (exceto em Argos a qual a aristocracia era mais forte) com conceito desunido em todos os sentidos entre eles próprios. As novas dinastias que subiam neste período provocavam conflitos entre as cidades e o aumento no interesse em uma se apoderar da outra, aproveitando de alguma fragilidade de qualquer dinastia em ascensão. Aumentavam suas riquezas públicas se colocando como protetoras e com exibicionismo acima do aceitável, esperando assim, conseguirem prestígio, quase sempre, gerando deslealdade e política de bastidores.
.....Em meio a esta confusão aristocrática, apareceram os primeiros tiranos nas cidades basicamente mercantis e de territórios pequenos e, por fim, chegando até as grandes cidades-estados que se achavam pressionadas pelos distúrbios civis e administrativos, dando espaço para a classe comercial que, investiram pesado na colonização de outras terras e nas derrubadas de reis e chefes de Estado, subindo ao poder alguém com ideais relativas aos interesses comerciais como um todo. Mais tarde, com o aparecimento do dinheiro cunhado, esta classe passou a apoiar diretamente as tiranias por meio de exércitos mercenários, por exemplo.

.....A ascensão espartana:
.....Os conflitos eminentes na renascença não se caracterizam apenas entre as grandes famílias, se estendiam também no nível do povo e nos conflitos entre as cidades que, por fim, se transformavam em verdadeiras guerras, guardadas as devidas proporções. Transferiam os povos vencidos em refúgios para as áreas de colônias, os misturavam com outros povos de outras cidades ou fundavam novas cidades ao longe da vencedora. Assim temos constantemente uma redistribuição da população, na qual, seus dialetos foram se misturando. Nesta concepção, Esparta, com personificação rígida e militar, começou sua expansão através do Peloponeso e, com êxito, uniu todas as cidades desta região. Esparta tinha um particular de defesa natural. Ficava no meio de montanhas, num vale com apenas uma entrada, dando tranqüilidade e segurança para a cidade. Só se poderia invadir Esparta por apenas uma estreita entrada entre estas montanhas.
.....Em síntese, Esparta coloca Micênas aos seus pés e, após várias guerras, acaba por ser derrotada pela cidade-estado de Argos. Não fora de tempo, Micênas rebela-se e novamente é submetida. Assim, Esparta manteve sua campanha de expansão. Já no século VI a.C., os espartanos tinham em mãos a costa leste do Peloponeso e mais a ilha de Citera, no sul.
.....A supremacia dos espartanos era fomentada por meio de conflitos diretos, ou diplomáticos que, nada mais era que uma extensão de suas guerras. Ascendeu sobre Argos e criou uma aliança protetora com a Arcádia. Posteriormente, Esparta partiu para sua expansão ultramarina derrotando a tirania de Sícion ganhando um forte aliado no golfo Coríntio e automaticamente ameaçando o tirano Polícrates de Samos. Na Ásia menor, os espartanos expulsaram Lígdamo de Naxos e respectivamente atacaram outro tirano, Hípias, filho de Pisístrato.
.....Com uma rede de aliança permanente, Esparta obteve em seus domínios uma liga de cidades-estados menores, mas com altas influências, com regras e estatutos bem definidos e assembléias para decisões em grupo. Esta liga recebeu o nome de Liga do Peloponeso, pela qual, só Esparta poderia convocá-la e, pelo prestígio e terror, todos a apoiavam militarmente.
.....Para manter-se no poder e manter sua vigilância militar, Esparta pagava um preço alto. O povo espartano era obrigado a viver em regime rígido com disciplina cruel.
.....Por fim, Esparta resolve não cunhar moedas e continuar as trocas com barras ou espetos de ferro, mantendo-se como uma organização imperialista, defendendo sua pureza e força, mas que, com o início do declínio comercial, veio a diminuição do luxo exuberante. Os espartanos eram a elite, ficando os trabalhos braçais e no campo para os escravos ou servos. Os cidadãos espartanos tinham uma rigorosa e exagerada educação militar. Tinham a cultura de produzir jovens, fortes, violentos, disciplinados e cruéis, não deixando a desejar, e no mesmo sentido, igual na educação das mulheres. O governo espartano, assim como o povo em si, era orgulhoso pela sua ideologia de força bruta, de coragem e de seus discursos com altas brevidades.

.....A ascensão de Atenas:
.....Entre 800 e 500 a.C. Atenas ascendeu de forma particular e surpreendente em uma época turbulenta, mesmo que lentamente. Por conta do comércio, principalmente de suas cerâmicas, se enriqueceu formando seu exército e desenvolvendo de forma espetacular o intelecto de seus cidadãos. Nesta época, vários filósofos vieram difundir e discutir suas idéias nesta cidade, obtendo prestígio cultural por toda a Grécia. Os filhos da aristocracia de toda a Grécia e colônias eram todos mandados a Atenas para estudos.
.....O desenvolvimento econômico ateniense chegou a tal ponto que foram obrigados a cunhar sua própria moeda, mesmo tendo uma ilha pequena, Egina, por exemplo, sob sua influência, já cunhando suas moedas mais de 50 anos antes.
.....Na realidade, a moeda fora uma invenção do povo da Lídia e, as cidades e colônias iniciais gregas na Ásia Menor haviam-na adaptada perto de 600 a.C., difundindo rapidamente por todo o continente e ilhas.
.....Atenas se firmou como potência cultural, comercial e militar após derrotar seu antigo inimigo comercial, Egina, numa guerra sangrenta, na qual, esta fora obrigada a entrar na Liga de Delos, comandada por Atenas em 459 a.C..
.....Deste período em diante, Atenas não detinha mais o poder comercial em si, mas era o centro nervoso, tendo nas colônias e as cidades-estados "amigas" o fluxo comercial e cultural.
.....O povo em Atenas passou a se distinguir em classes sociais bem definidas, sendo o pobre cada vez mais pobre e a ariatocracia, acumulando mais e mais riquezas, mantendo-se no governo de forma hereditária. Houve até tentativas de golpes entre estas famílias, como por exemplo, o escândalo de Quílon; uma luta entre os nobres apenas. Assim, Atenas adotou um novo código de leis escritas, o Código de Drácon, condenando assassinos e abolindo a cultura da vingança familiar.

.....A eminência da ameaça persa:
.....Enquanto Grécia e Esparta se expandiam, unindo o povo grego em um só, com a concepção de nação, no outro lado do mundo, os persas estavam avançando do Oriente para o Ocidente se expandido de maneira forte e rigorosa. Os persas conseguiram, mesmo que lentamente, num período de mais de mil anos, formar um tempestuoso império que começou na Ásia central e depois no sentido ocidental.
.....Os assírios, povo que formou um importante império no início da humanidade, haviam perdido seu poder e influência para os medos e babilônios pelo leste. Os medos tomaram Urartu e ameaçaram a Lídia. Esta foi salva por um casamento dinástico, ameaçando então as cidades gregas no litoral da Ásia Menor. Com o rei Creso no poder, a Lídia conseguiu conquistar, entre 560 e 546 a.C., toda as cidades-estados gregas na Ásia menor, com exceção de Mileto. O povo da Lídia, de certa forma, era uma civilização de formas helenizadas, fazendo oferendas aos deuses gregos e usando o Oráculo de Delfos para suas decisões.
.....Ciro, por meio de uma revolução, sobe ao trono dos medos derrotando Creso que, não conseguiu, mesmo coma ajuda grega e a neutralidade dos babilônicos e egípcios, detê-lo. Assim, os lídios foram conquistados e Sardes caiu junto com suas cidades costeiras. Em seguida, a Babilônia, já sob o julgo de Ciro, formou o Império Persa propriamente dito, tornando-se uma eminente ameaça à Grécia.
.....Com a queda da Assíria, a Grécia teve êxito em penetrar em terras como as do Egito por meio de um casamento diplomático entre Amásis com uma princesa grega da colônia de Cirene, no norte da África. Mas os persas, por meio de guerras de expansão, foram aos poucos tomando todo o comércio no Mediterrâneo, dominando o Egito, submentendo Chipre e Cirene ao novo império. Por outro lado, os espartanos já estavam com todo o Peloponeso em suas mãos.
.....Neste período, a Grécia se encontrava com suas colônias militarizadas se defendendo também dos fenícios com base na cidade de Cartago, no Mediterrâneo e, do o povo Etrusco, pelo norte da Itália que, nesta fase, sua cidade, Roma, já estava em constante crescimento e ascensão. Assim, a Grécia ficou dividida em praticamente duas potências internas, Atenas e Esparta, concentradas em três fronteiras de defesa. Entretanto, eram os persas, pelo seu tamanho e contingente, a verdadeira ameaça para os gregos.

.....Sólon e suas reformas:
.....Sólon foi um grego viajado com conhecimento das culturas egípcias e do povo de Chipre. Sua contribuição foi legislativa e, dentre todas, a mais importante foi em defesa dos pobres de Atenas, salvando-os das dívidas e abolindo a escravidão por este motivo. Assim, os atenienses exilados, os vendidos ao estrangeiro e os escravizados na Ática, tornaram-se livres. Aboliu também os impostos sobre determinadas terras, outro tipo de servidão na qual, se um camponês não atingisse sua cota de referência tributária, se tornaria escravo. Proibiu a exportação de cereais ou de qualquer outro tipo de alimento, exceto o azeite, fato que equilibrou a demanda interna de alimentos à população, principalmente para as mais pobres e dos ex-escravos.
.....Pôs fim ao acesso hereditário do domínio no Estado e criou o direito de recurso das sentenças. Desta maneira, Sólon, com uma única atitude, conseguiu criar em Atenas uma disputa justa e equilibrada entre as classes a qual não previu.
.....Classificou o povo e suas classes por conta das "quinhentas medidas", sendo: homens, cavaleiros, soldados e trabalhadores. Os soldados eram a infantaria, recebendo duzentas medidas, e os cavaleiros, trezentas medidas. Estas medidas eram contadas em cereais. As mulheres e crianças não poderiam ter mais que uma medida. Estas medidas foram calculadas com base na manutenção do ofício e família média. Este conceito foi implantado por Sólon na intenção de resolver as confusões causadas pelo cálculo da nova moeda ateniense, o Drácma.
.....Implantou também um novo sistema governamental no qual se constituía basicamente em noves funcionários da alta aristocracia das cidades sob influência ateniense e algumas das cidades na Jônia, Ásia Menor, e, abaixo deles, a Assembléia Geral do Povo. Entre estes dois poderes, uma assembléia menor de 400 cidadãos que preparavam a agenda para a Assembléia Geral do Povo.
.....Foi no tempo de Sólon que Atenas concebeu a articulação social e o senso de justiça democrática e de liberdade política.


.....A união da Ática:
.....Mais lenta que a unificação do Peloponeso, liderada por Esparta, e ainda mais lenta que o desenvolvimento do Império Persa, com os quais seus exércitos já haviam atingido o Helesponto, a Ática se uniu sob uma só influência; a de Atenas. Nesta região a unificação foi mais complicada na formação de uma sociedade organizada. Seu desenvolvimento, mesmo que tardio, se deu por razões econômicas, acasos das guerras internas e externas, contribuições estrangeiras e pela base social da democracia dos atenienses. Assim, Atenas herdou toda a genialidade dos gregos orientais, perpetuando-as até nossos dias.

 

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