Grécia e Roma - acordo político e cultural...





.....Após Alexandre, todos os generais, cada qual com sua parte no Império Macedônio, desmantelaram as forças restantes menores. Mesmo assim, não unificaram como Alexandre o fez e deixou.
.....Anos após surge Roma como uma importante cidade na península italiana. Em III a.C. já estava reinando por toda a península. Com o mercado livre para o comércio, Roma começa então sua ascensão militar na qual a levaria ao estatus de Império Romano. No caminho, a Grécia. Não a conquistou, mas sim absorveu toda a sua cultura, transformando os romanos em gregos-romanos.

.....Roma toma, não a Grécia em si, mas sim seu legado intelectual e cultural.

.....Roma se expande militarmente durante o século III a.C.:
.....Enquanto a Grécia se desenvolvia intelectualmente e culturalmente no século V a.C., Roma dava seus primeiros passos para a formação de uma forte civilização. Depois de Alexandre, o Grande, a Grécia se manteve como sempre, mas sem o poder militar ou até a intenção militar, ficando este pretenção para os governantes sucessores do Império Macedônio. A Grécia manteve seu desenvolvimento intelectual e cultural, enquanto Roma, para se defender dos etruscos, gauleses e outras tribos isoladas do norte, se desenvolveu militarmente. Após o saque de Roma pelos célticos, construíram muralhas envolvendo a cidade. Só então Roma então começa a se expandir nos territórios a sua volta.
.....De início, derrotaram os etruscos ao norte e junto, sua maior rival, a cidade de Cere. Ambas tinham como riqueza o mesmo mercado livre. Antes disso, Roma havia acertado uma liga entre as cidades vizinhas que, mais tarde, as absorveu cruelmente formando um estado local romano. As colônias começaram a prosperar com a queda das colônias gregas na Itália, ultrapassando seus próprios limites territoriais. Nem mesmo as cidades de Cápua e de Preneste poderiam lhe fazer frente. Assim, Roma, no século III a.C. já tinha um território que iria desde a Etrúria ao norte até além de Lácio ao sul, contando com quase todos os cruzamentos comerciais e estradas que duraram bem mais que qualquer império já forjado no mundo antigo.
.....Esta expansão romana, assim como todas na história, provocou guerras que, por suas vezes, provocaram mais conquistas e mais expansões. Os romanos, em combate, anexaram a ilha de Córsega, os montes Alpinos, Sardenha e Sicília, além do Vale do Pó.
.....Seu poderio militar se desenvolveu baseado nas estratégias de guerra dos gregos, pelas quais suas tropas imitaram as falanges gregas, só que mais disciplinadas e adaptáveis aos momentos nas ações.
.....O rei de Molosia, aliado de Terento contra Roma, chegou até a metade da península italiana com mais de sessenta mil homens, mas foi massacrado em Télamon. Depois aconteceram as Guerras Púnicas, nas quais Roma sai vitoriosa sobre Cartago e em seguida invade sem maiores problemas a costa norte da África se tornando então, uma potência militar e comercial igual ou maior que os estados dissidentes do Império de Alexandre. Pouco depois, conquistam mais da metade do território hoje conhecido como Espanha.

.....Roma contra a Macedônia (1ª Guerra Macedônica):
.....Em meio a primeira Guerra Púnica contra Cartago, os romanos já estavam no litoral oriental do Adriático como estratégia para fechar o mar contra Cartago. Então fundaram Brindisi, uma colônia extremamente fortificada com um excelente porto natural, provocando conflitos com os ilírios. Mesmo com expedições de protetorados, Roma não resolve de imediato esta questão. O fato que generalizou a guerra contra a Macedônia foi o pedido de ajuda de Demétrio para o rei macedônio Filipe V. Este último calculou neste pedido, um pretexto para segurar a expansão rápida de Roma na costa do Adriático. Estrategicamente, Filipe V se alia a Aníbal, que na época encontrava-se em seu auge no poder. Então Roma manda vários homens e navios à Grécia para causar o máximo de agitação e confusão possível. Durante a segunda Guerra Púnica, Filipe V desfaz a aliança com Aníbal e firma acordo com Roma. Na Grécia, os macedônios acabam por serem expulsos das cidades de Corinto, Sícion, Argos, Arcádia, Mégara e Egina por uma nova Liga grega formada pelos aqueus do norte do Peloponeso. Esta liga estava indo de encontro aos interesses espartanos que estavam em ponto de dominar o Peloponeso novamente. Então a Macedônia entra em cena virando o conflito a favor dos aqueus derrubando mais uma vez na história as cidades-estados de Esparta e Corinto.
.....Assim, Roma vendo a discórdia entre a Macedônia e a Grécia e, dentro da Grécia, as discórdias entre os próprios gregos, forma seus primeiros aliados na região central grega, mesmo que temporariamente: a Liga Eólica. Filipe V se não entrasse no conflito contra os romanos, teria que se defender destas cidades. Decidiu ir contra Roma, forçando-os em primeiro momento, na retirada e, as cidades da Liga Eólica a aceitarem um tratado de paz com a Macedônia. Assim, Filipe V forma aliança com a maior potencia no Oriente, com o rei da Síria, Antíoco, o Grande.
.....Não obstante, Filipe V, de olho nas inúmeras guerras entre os governantes do desmantelado Império Macedônio de Alexandre, resolve, em aliança com Antíoco, invadir o Egito para tirar os Ptolomeus do poder. As forças menores como Rodes e Pérgamo, se desesperaram e pediram ajuda a Roma, prevendo que os próximos seriam eles. Assim, entraram sem hesitação em guerra direta contra a Macedônia. Roma então entra nesta guerra internacional sem aprovação do povo, mas o Senado, julgando de suma importância para o desenvolvimento de Roma, decide acabar com a Macedônia e assumir sua hegemonia territorial e comercial. Roma, derrota a Macedônia nesta questão e lança um ultimato a Filipe V no qual este deveria pagar uma alta indenização a Rodes e Pérgamo e assinar um tratado de não agressão a qualquer cidade grega.

.....Roma contra a Macedônia (2ª Guerra Macedônica):
.....Inevitavelmente Roma entra em guerra contra a Macedônia com a desculpa de libertação das cidades gregas ainda em poder macedônico. Desta forma, Roma teria estas cidades como protetorados romanos e um pano de fronteira contra os sucessores de Alexandre provindos do Oriente. Nesta fase, Atenas se alia aos aqueus e também adota a política anti-macedônia, e as cidades etólicas se aliando a Roma.
.....A guerra não demorou a terminar, pois Filipe estava sem contingente e sem boa parte de sua esquadra, perdidos nas batalhas contra Rodes e Pérgamo. Na Tessália, os romanos com seus aliados etólicos derrotam o exército macedônio, com um jovem general romano no comando, Flamínio.
.....Ao fim da guerra, a Grécia se vê mais subordinada que antes, pois agora Roma tomara o poder, substituindo Filipe V no reinado. Filipe entregou todo o resto de sua esquadra, as colônias asiáticas e algumas cidades fortificadas em posições estratégicas no continente grego, incluindo Corinto. Foi obrigado a pagar uma indenização e tornar-se aliado de Roma, conquanto os etólicos, nesta negociata nada ganharam.
.....Em 196 a.C., o general Flamínio proclama, em meios aos jogos olímpicos do istmo, a liberdade nominal de toda a Grécia e assim fazendo-se aliada de Roma. Logo após este período de acerto oligárquicos, Roma se viu na importante tarefa de acertar os ressentimentos entre as principais cidades-estados gregas, um legado vindo de séculos e séculos, desde seu início na civilização micênica. Por sua vez, Filipe V, no tratado de paz com Roma, cedeu Argos e Esparta em uma jogada estratégica na intenção de causar transtornos futuros e enfraquecimento do poder de protetorado romano. Isto não demorou a acontecer, pois em meio às negociatas de paz entre estas cidades-estados, Flamínio nega Argos a Liga dos aqueus, provocando uma enorme revolta nos espartanos que, com quinze mil homens, investe contra Flamínio e este, por sua vez, usa todos os aliados gregos contrários a Esparta somando cinqüenta mil homens a esmaga. Assim começa a surgir a cultura que hoje chamamos de grego-romana.

.....Antíoco da Síria é subjugado por Roma:
.....Com toda a Grécia sob seu julgo, Roma agora precisava protegê-la. Suas fronteiras estavam frente à costa da Ásia Menor, na qual, Antíoco da Síria fazia suas incursões militares. Roma negociou por mais de três anos com a Síria e por fim, esta última retirou seus exércitos da Grécia.
.....Em uma jogada política e diplomática, Antíoco casa sua filha com Ptolomeu V do Egito e soma os estados do norte da Ásia que ora eram aliados do Egito. Nesta fase, Antíoco tinha uma relação de neutralidade com Roma e foi-lhe mandado um convite por conta dos etólicos para que invadisse a Grécia em aliança com Filipe V e os espartanos. Antíoco invade a Grécia comprindo sua parte no acordo causando revolta interna, o que provocou e facilitou uma nova incursão política e militar de Roma nesse território. Roma, com interesse próprio, age contra e vence o exército de Antíoco nas Termópilas, mas Antíoco escapa. Um ano após, Roma manda novo exército sob o comando de dois africanos, Cipião e seu irmão Lúcio, e recupera a Trácia, acertando uma trégua com os etólicos. Em seguida marcham para a Ásia pela primeira vez.
.....Numa série de batalhas singulares no mar Egeu, uma força romana, aliada a Pérgamo e Rodes, destroem a frota da Síria. O poder naval de Roma era imenso devido as suas vitórias nas Primeira e Segunda Guerras Púnicas, pelas quais, Roma engrossara consideravelmente sua esquadra, além da experiência adquirida. Roma conseguiu a hegemonia comercial no mar, primeiro subordinando os atenienses, depois os macedônios e por último os cartagineses, assegurando assim o controle de todo o Mediterrâneo.
.....Por terra, Roma invade com sucesso o noroeste asiático e, no ano seguinte, vence as batalhas de Magnésia e Sípilo na Lídia, obrigando Antíoco a assinar um tratado de paz no qual perde muitas terras na Ásia, navios, elefantes e uma quantidade imensa de dinheiro.
.....Agora Roma era dona da Grécia continental e o Mediterrâneo era um mar romano e, todas as disputas internas resolvidas por intermédio dos comissários romanos sob ameaça de intervenção militar direta de Roma. Mesmo assim, no Peloponeso, a disputa entre os espartanos e a Liga Aquéia reacendeu até que em 181 a.C.. Roma, mais uma vez, intervem e restaura a Esparta a sua hegemonia na região.
.....Assim, Esparta encheu-se de romanos, motivo pelo qual deformou a cultura espartana em si ao longo dos anos. Por exemplo, estes imigrantes assistiam os rituais seculares espartanos de fustigamento, durante a iniciação dos rapazes no altar de Artemíase em idade militar, não como um fato essêncial e solene do povo espartano, mas sim como uma mera atração turística.

.....Roma contra a Macedônia (3ª Guerra Macedônica):
.....A Macedônia, por sua vez, já demonstrava o não contentamento com a governabilidade romana e, por ser ainda uma potência forte, começou novamente a ameaçar Roma. Filipe V morreu contestando Roma e incentivando a libertação de toda a Macedônia. Tinha como plano aliar-se às tribos célticas do Danúbio, invadindo a península italiana enquanto ele mesmo invadiria a Grécia e, em sua cabeça, a Itália para os célticos e a Grécia de volta para a Macedônia. Seu filho Perseu casou com a filha do sucessor de Antíoco conquistando a amizade do povo de Rodes e de Pérgamo, além de se aliar aos povos da Etólia. As populações destas cidades olhavam para Perseu como um salvador, pois, já não tinham mais a quem recorrer contra Roma. Por outro lado, o rei de Pérgamo, sentindo-se ameaçado por Perseu, muda de lado e pede ajuda a Roma para destruí-lo. Quase é assassinado na sua volta à Grécia e Perseu então é acusado de mandante do crime, obrigando Roma a entrar no conflito. Como Roma não tinha diplomacia, partiu de imediato para a ação militarizada. Assim, os romanos entram com um exército de mais de cem mil homens contra nem a metade do exército de Perseu. O povo céltico do Danúbio negou a investida militar na península italiana pela falta de dinheiro de Perseu e seus aliados. Em 168 a.C., Perseu é aniquilado em Pidma e levado para uma prisão em Roma na qual ficou até a morte.
.....Após a morte de Filipe V e a prisão de seu filho Perseu, a Macedônia, sem um herdeiro direto e forte, fora dividida em quatro repúblicas, pondo fim à ameaça macedônica.
.....As conseqüências para a Grécia foram as de sempre. Cidade pra cá, cidade pra lá, como fora desde seu início. Rodes é saqueada, Delos entregue à Atenas como um porto livre e administrada pelos atenienses que a recolonizaram e a Liga Aquéia desmantelada de vez. Não obstante, Pérgamo foi deliberadamente enfraquecida comercialmente. No Epiro, a população foi escravizada e vendida ao preço mínimo, despovoando a cidade.
.....Anos depois, um novo Antíoco, Antíoco V, sobe ao poder e dá início a uma invasão ao Egito, ainda dos Ptolomeu, e com êxito a conquistam. Mas Roma estava de tal maneira forte que, com um simples ultimato de retirada fez com que Antíoco V obedecesse prontamente.

.....Por fim, cai Corinto:
.....O final da Grécia como um povo de supremacia e liberdade acaba por fim com a queda de Corinto já no século II a.C.. Roma nesta época, arrogante por conseqüência, tinha mais êxitos em sua política cruel e violenta a que suas decisões diplomáticas.
.....Roma manda de volta seus prisioneiros aqueus para a Grécia com o intuito deste, por meio de conflitos internos, enfraquecer ainda mais a já enfraquecida Grécia. Estes por sua vez, entram em guerra com Esparta, abandonando a Liga Aquéia. Roma mais uma vez, colocando lenha na fogueira, intervem a favor de Esparta e manda um exército à Corinto, que nesta fase já era tida como a principal cidade da Liga e, os aqueus, furiosos os atacam. Neste eminente ataque, outro exército que resolvera uma pendência de disputa do trono macedônico, se dirige à Corinto e encontra os gregos, misturados entre fraqueza e temeridade. São esmagados sem muita resistência em 146 a.C..
.....Roma então destrói todas as cidades as quais haviam ou mostravam resistência à administração romana. Os sobreviventes de Corinto foram massacrados e outros poucos, vendidos como escravos, incluindo mulheres e crianças, e mais ainda, até os próprios aqueus que antes foram libertados. Em toda a Grécia foi estabelecido um governo romano com bases nas propriedades particulares e abolidas todas as formas de democracia. Fixaram impostos para que nenhuma cidade-estado se re-estabelecesse ou se re-organizasse militarmente. Todas as Ligas foram dissolvidas e, em seqüência, proibida a formação de novas sob altas penas militares por parte direta de Roma.
.....A Macedônia tornou-se uma simples província romana e, em seguida, a Acácia é anexa, mesmo que sob seu julgo.
.....Assim, a Grécia passa para o estatus de nação rica em cultura e intelecto, despontando séculos e séculos como exemplo a outros povos, mesmo como uma simples província do novo Império Romano. Depois outra simples província do Império Bizantino e por fim, fica nas mãos do Império Otomano até o século XVIII d.C. Somente depois de mais de dois mil anos a Grécia voltaria a ser uma nação livre e politicamente independente como nos brilhantes tempos de Homero ou Péricles. Mesmo assim, a Grécia continuou a contribuir sem precedentes a todas as culturas com os seus pensamentos e seus mais valorizados aspectos históricos como nenhuma nação ou império o fez até os dias atuais.

 

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