Guerras pérsicas e do Peloponeso...





.....Com a ascensão do povo grego e sua migração para as terras no Oriente médio por conta da expansão colonial e, por outro lado, o grande avanço do Império Persa, provindo do próprio Oriente, fez-se um eminente confronto entre estas duas nações no qual foi inevitável o conflito generalizado, ficando além dos interesses de pequenas áreas, umas aqui e outras ali...

.....Em relação as guerras do Peloponeso, estas se deram internamente na disputa entre as duas maiores cidades-estados gregas da época pela hegemonia do poder. Atenas e Esparta se gladiaram até as últimas conseqüências no pós-guerras contra a Pérsia.

.....Guerras Pérsicas e do Peloponeso, fatos geradores de uma nova Grécia.

.....O início da invasão Persa pela Trácia:
.....No início, as cidades helênicas do litoral da Ásia menor foram de imediato subjugadas pelos persas, não pelo conflito militar direto, mas por acordos, nos quais, se pagando tributos ao Império Persa, estas ficavam em paz diplomática e, não obstante, seus governantes e política ficavam inalterados dando independência e liberdade. Sardes era a cidade de onde o Império Persa controlava todas as outras. Os governantes que estavam no poder nas cidades gregas desta região eram tiranos que administravam sob um sistema "feudal" e, com interesses próprios, deixando a lealdade aos persas sempre em último plano.
.....Dario ao suceder Ciro, o Grande da Pérsia, invadiu a Trácia transpondo o rio Danúbio por uma engenhosa ponte flutuante. Politicamente, também obteve a ajuda de alguns gregos que tinham a intenção de ver os Citas caírem que ora habitavam o norte desta região. Entretanto, a investida de Dario neste primeiro momento não durou muito, pois as cidades gregas de Bizâncio, Perinto e Calcedônia se rebelaram e o expulsaram os persas devolta aos seus domínios. Mesmo assim, Dario deixou um exército no norte da Trácia que acabaram por conquistar todas as cidades litorâneas desde a entrada do mar Negro até Axios, bem a oeste da Calcedônia, levando a Macedônia a aceitar a política do Império Persa. Por sua vez, os Citas se reorganizaram percebendo que Dario não mais se concentrava nesta região e lutaram expulsando os persas tirando do poder o governador grego, Milciádes de Quersoneso, nomeado pelos próprio Dario. Estes acontecimentos acabaram em vantagens para os gregos que conseguiram novas colônias perto do monte Pangeu, na costa leste de Calscídica, conquanto as terras eram férteis e bem próxima às minas de prata. Apesar destas colônias terem sido um fracasso por má administração, os persas se viam invejosos e, Aristágoras, um grego governante de Mileto, marido da filha do imperador Dario, incentivou a Pérsia a invadir e dominar toda a Grécia, tomando o poder e hegemonia comercial em todo o mar Egeu, Jônico e Mediterrâneo.

.....A revolta na Jônia:
.....A estratégia de Aristágoras teve início quando a oligarquia foi expulsa de Naxos pela própria população e, Aristágoras, aproveitando a situação de fragilidade política, sugeriu a Dario que mobilizasse seus exércitos para a cidade e depois para todas as ilhas e antigas cidades mercantis de Eubéia. Dario então, em 499 a.C., manda 200 navios que em quatro meses não obtém sucesso algum. Aristágoras cai em desgraça, levando todos os gregos das cidades sob influência persa à rebeliões nas quais todos os tiranos foram expulsos simultaneamente pelo próprio povo, libertando-as dos altos tributos pagos ao Império Persa pondo fim ao medo do avanço destes em terras continentais. Em Lesbos o tirano Metileno, que governava não em nome, mas diretamente para o Império Persa, foi apedrejado até a morte. Aristágoras em eminência de tanta revolta, desiste de Mileto pacificamente e se exila por conta própria.
.....O resultado desta revolta foi uma união consciente das cidades como nação na qual cunharam suas próprias moedas com o mesmo padrão a todos. Pediram ajuda militar a Esparta para a defesa de futuros ataques persas sem resultados, mas que, politicamente foram atendidos por Atenas e Eritréia que enviaram navios e tropas para comporem uma armada de defesa permanente.
.....Dario foi muito lento para agir, fazendo com que Aristágoras mudasse de lado queimando Sardes, entretanto, sem tomar a fortaleza antes dos persas o derrotar em Éfeso. Após sua derrota, Aristágoras refugia-se em Myrkinos.
.....Com a morte de Aristágoras, seus novos aliados de Atenas nomeiam um pisístrato como magistrado supremo e, Dario por sua vez, envia Histeu, pela Susa, para sufocar a rebelião. Histeu, como Aristágoras, muda de lado fugindo para Quios passando para a pirataria, como faziam os bizantinos nesta época. Foi pego pelos enviados de Dario que o crucificaram em 493 a.C. como exemplo de resultado para atitudes como essa e a de Aristágoras.
.....Dario então investe diretamente contra Mileto e destrói a armada ateniense, fazendo com que Lesbos e Samos desertassem do conflito, deixando apenas Quios em sua luta pela não subjugação. Os sobreviventes de Mileto foram enviados para a foz do rio Tigre como escravos diretos do império, inclusive mulheres e crianças. Em Didyma, o santuário de Apolo foi queimado e, quando as notícias da invasão e atitudes persas chegaram a Atenas, esta a recebeu com fúria e ardor de revanche.

.....Dario continua a idéia inicial de Aristágoras:
.....Dario se entusiasmou com a idéia inicial de Aristágoras, antes de sua traição, e mobilizou um grande número de homens e navios, não para apenas conquistarem a Ásia Menor, mas com o intuito de subjugar toda a Grécia e suas colônias. Já havia submetido Chipre e em seguida, os gregos da Cária, no sudoeste da Ásia menor. Pelo norte, seu genro Mardónio, atacou a Trácia e por fim impôs a soberania persa, tanto na Trácia como na Macedônia. Depois de estabelecido o poder no norte desta região, se dirigiu com seus navios para Atenas e Erétria, mas, devido a uma tempestade no meio do caminho, Mardónio perde mais da metade de suas embarcações, salvando as duas cidades de um ataque de peso.
.....Em uma estratégia militar, Dario muda seus planos e ataca o norte da Europa através do Mar Egeu, dominando ilha a ilha à medida que avançavam. Neste ponto, as cidades de Naxos fora queimada e Delos, a ilha sagrada de Apolo, poupada. Os persas não eram fanáticos religiosos e nem ideológicos, mantinham seus sistemas de guerra por meio de acordos políticos, diplomáticos e comerciais, levando avante o conflito militar caso alguma área não aceitasse o subjugo ou não cumprisse as ordens de doações de navios, homens e tributos.

.....Maradona, conflito que ficou para a história:
.....Os persas, em sua investida generalizada contra a Grécia, queimaram Erétria após uma batalha de mais de sete dias e, seus habitantes, vendidos como escravos. Em seguida, tomaram rumo até Maratona, uma enorme planície pantanosa sob o conselho de Hípias no argumento que ali seu pai havia atracado cinqüenta anos antes para se prepararem para atacar Atenas. Por sua vez, Atenas já pedira ajuda a cidade-estado de Esparta que a negou justificando estarem em Lua cheia, coisa sagrada para os espartanos. Perto de nove mil atenienses e mais mil homens de Platéias, únicos a ajudarem contra esta investida persa, se defrontaram com um enorme exército. A tática dos persas era tentar subjugar os gregos inicialmente com flechas e depois trucidá-los com a cavalaria. Contrariando todas as expectativas, possibilidades e probabilidades, os gregos investiram de surpresa, a pé e a passos rápidos, sob um lampejo de coragem e atitude de extrema inteligência calculada, cortando o exército persa ao meio, separando-os de suas alas e de seus comandos diretos, tendo como resultado, um massacre do lado persa, ficando por fim, quase a totalidade dos gregos vivos correndo atrás dos sobreviventes perdidos na planície em fuga para seus barcos. Os atenienses só somaram cento e noventa baixas contra uma verdadeira carnificina nos persas. Os navios persas, cerca de seiscentos, bateram em fuga e julgando que Atenas estaria desprotegida, concentrada neste conflito, rumaram em uma única tentativa de atacá-la. Mais uma derrota para os persas que, ao chegarem em Atenas, se depararam com uma enorme esquadra ateniense de prontidão a qual os fizeram voltar. Esta vitória levanta a hipótese de que os gregos tinham pessoas ao longe mandando sinais por terra sobre os movimentos do exército e força naval persa, pois suas ações foram de grande harmonia e rapidez.
.....Atenas no pós-guerra de Maratona voltou-se para seus assuntos internos e envolvimentos em guerras internas contra outras cidades e colônias em busca de terras férteis, minas de prata e hegemonia no comércio. Já a Pérsia, passou mais de dez anos se reorganizando para nova investida contra os gregos, focando sempre sua arquiinimiga Atenas. Acreditavam que se derrubassem Atenas, derrubariam todas as outras cidades influentes na Grécia. Mas Dario não viveu o suficiente para a nova investida. Morreu em combate em uma rebelião em suas terras no Egito.

.....Xerxes ataca a Grécia, mantendo a idéia de Dario:
.....Xerxes sobe ao trono após a morte de seu pai, Dario, e resolve o dilema no Egito. Organiza um forte e treinado exército e passa o inverno inteiro em Sardes. Xerxes era um tirano de caráter violento e impiedoso, como exemplifica sua atitude frente à preocupação dos generais em manter seu filho mais velho fora da futura guerra contra a Grécia. Então, o tirano manda matar e cortar o corpo do filho pela metade e obriga todo o exército a desfilar entre as metades em fila indiana. Manda, em seguida, construir duas grandes pontes para unir a Europa e Ásia a qual uma tempestade a destrói. Xerxes então manda decapitar seus engenheiros e castigar o mar com mil chibatadas.
.....É difícil acreditar nos números levantados pelo historiador Heródoto, que na época ainda era vivo e jovem, mas, ficou registrado que o número era colossal envolvendo etíopes com suas peles de leopardo, arcos e setas com pontas de pedra, indianos e asiáticos com pele de cabra e trácicos com peles de raposa, lanceiros, arqueiros etc. Heródoto chegou a contar mais de um milhão de homens na infantaria e oitenta mil na cavalaria, mas que, proporcionalmente dizendo, a força terrestre não passava de duzentos mil homens e a força naval com no máximo mil navios.
.....No lado grego, as disputas antigas geraram muito ódio entre as cidades-estados que não se acertaram em uma liga de ajuda mútua contra o eminente ataque de Xerxes. Os espartanos realizaram um congresso no istmo de Corinto com mais de trintas cidades. A Tessália e a maior parte das cidades da Beócia, somadas as cidades menores do norte, bem ao meio da rota do exército de Xerxes, com motivos mais que suficientes para acreditar que o sul não os ajudaria militarmente, deixaram sem muitos resultados tal congresso. Outros congressos em Siracusa, Creta e Corfu também fracassaram por motivos mesmos. Apenas Atenas e Egina se reconciliaram inteligentemente a Esparta formando um exército de mais de dez mil homens que se instalaram no vale do Tempe, entre a Tessália e a Macedônia, mas, devido ao medo e desconfiança em se ter os aliados da Tessália nas costas, escondidos nas entradas dos desfiladeiros, recuaram.
.....Sob o comando do rei Leônidas de Esparta, sete mil homens foram deslocados à uma nova posição estratégica na extremidade da Eubia em um desfiladeiro de águas térmicas, as Termópilas. Mesmo assim, essa tropa recuou até o istmo, deixando a esquadra ateniense como fator principal na proteção de Atenas. No Peloponeso, o exército se recusou a sair para a guerra antes do final dos jogos Olímpicos e das festas sagradas a Apolo, deixando todo o norte da Grécia praticamente sem defesa. Atenas em uma ação rápida evacuou sua cidade levando toda a população para as cidades no Peloponeso, deixando apenas alguns homens defendo a costa ateniense em terra. O resto do exército ateniense foi mandado para o norte em defesa da Eubéia, tendo por retaguarda os estreitos de Cácis.
.....A esquadra ateniense contava com cerca de duzentos e oitenta navios contra uma enorme frota persa que, colocada em linha erroneamente, subestimando mais uma vez os atenienses, foram destruídos por uma tempestade ocasional e destroçados em seguida, salvando assim Atenas mais uma vez.
.....O ataque persa nesta fase já era inevitável e com grande parte do exército do Peloponeso preso a suas tradições no sul, o que restara em terra fora massacrado pelos homens de Xerxes, não facilmente, pois, mesmo em número bem menor, os gregos eram mais inteligentes e com estratégias impressionantes para a época, causaram, proporcionalmente, mais baixas do que sofreram. Nos desfiladeiros, os gregos mantinham espiões observando a movimentação do exército oponente e, como exemplo disso, o exército do rei espartano Leônidas, batendo em retirada, avisado por um destes espiões, antes de serem cercados pelos flancos no desfiladeiro de Termópilas, pela tropa de elite de Xerxes. O rei Leônidas é morto nesta batalha, mas leva consigo, dois irmãos de Xerxes com suma importância no comando do colossal exército persa.
.....No mar, os persas perseguiram a esquadra ateniense até seu território e, por terra, os gregos se re-agrupavam no istmo. A acrópole ateniense caiu após semanas em uma forte resistência dos atenienses que lá ficaram. Os santuários foram todos queimados e a cidade toda saqueada. Perdeu-se deste dia em diante, toda a harmonia e engenhosidade de Atenas como centro cultural do mundo antigo de modo à nunca mais se recuperar. Os atenienses deixaram as ruínas deste feito em pé com o intúto de se fazer lembrar a todos os gregos do que haviam passado sozinhos em defesa de todos.

.....Atenas, precursora da derrota persa:
.....Apesar de queda da cidade de Atenas, os cidadãos atenienses espalhados pelo Peloponeso, mais seu contingente militar espalhado por terra e sua incrível astúcia naval, sob o comando de Temístocles, provocaram, por meio de golpes diplomáticos e muita inteligência organizacional, uma batalha marítima, entre Salamina e o continente, de extrema carnificina na qual resultou a vitória grega, segundo segue um testemunho ocular de Ésquilio:
....."Vi o Mar Egeu a florir de corpos. Os homens agrediam-se com extrema violência, como se andassem a pesca de Atum, com remos partidos e pedaços de madeira".
.....Xerxes e seu exército de sessenta mil homens retiraram-se para a Ásia, acomodando-se em seu ponto de partida em Sardes. Reuniu mais forças provindas da Tessália com a intenção de sitiar as cidades fortificadas.
.....No continente os gregos se deleitavam com a vitória construindo monumentos comemorativos, dividindo as riquezas dos saques recuperados e, por curiosidade, elegeram a Egina dando-lhe o título de honra em defesa da Grécia e Atenas ficando em síntese, em segundo lugar. Elegeram Temístocles como general supremo pela maioria dos votos.
.....As vitórias gregas, pela segunda vez em dez anos, fizeram com que os gregos entendessem que eram uma nação e que sempre valeria a pena resistir em nome da liberdade individual a qual este povo tanto pregava e honrava.
.....Os persas mandaram seu súdito, o então rei da Macedônia, como enviado diplomático para uma aliança honrosa entre o Império Persa e a Grécia. A oferta de Xerxes era ficar com a esquadra ateniense e as minas de prata. Mas Atenas se manteve fiel à Grécia como um todo e honrou seu acordo com Esparta. Xerxes então, investe novamente contra a Grécia com seu exército reorganizado por terra e, Esparta, se desculpando novamente com seus festejos divinos, escondeu-se atrás de suas muralhas. Entretanto, Esparta em reflexão, calculando o que lhe poderia acontecer se Atenas cedesse, voltou atrás e entrou definitivamente na guerra com toda a sua força, que por sinal, era de se invejar, pois tinham em seus homens a coragem e determinação guerreira em si, pois, para um espartano morrer honrosamente em defesa de um ideal real é o máximo da glória. Foram cinco mil espartanos, cinco mil súditos de Esparta e vinte mil servos gregos que se juntaram aos oito mil restantes de Atenas, fazendo assim o maior exército já formado pelos gregos com alta disciplina e organização estratégica e militar. No caminho, este exército foi aumentando pelos habitantes das cidades menores, engrossando consideravelmente seu contingente.
.....O confronto direto se deu junto a Platéias, na planície Tebana. A força de Xerxes foi destroçada e, junto, o seu maior general, Mardónio. Os Tebanos, que hora se aliaram às forças persas, foram levados a Atenas e executados de imediato. As notícias correram como o vento e a derrota definitiva de Xerxes pelo exército grego no continente, fez-se explodir várias revoltas nas ilhas orientais e cidades gregas no litoral da Ásia menor, além das colônias na Ásia.
.....Atenas teve com a vitória, sua hegemonia no mar, levando influência e o comércio ateniense por toda a parte oriental.

.....A influência ateniense e a liga de Delos no pós-guerra contra a Pérsia:
.....Atenas, preocupada com novos ataques, tanto dos persas como de qualquer outro povo, fundou em Delos, a Liga de Delos perto de 470 a.C. com várias cidades complacentes com a teoria dos atenienses, pela qual, a Grécia, mesmo com suas cidades-estados independentes uma das outras, era uma só nação e que todos deviam se unir em um conselho administrativo, financeiro e militar para os tempos de guerra. Esta Liga consistia em se arrecadar impostos e em uma política militar igual a todos os integrantes, formando assim um tesouro público comum a todos. Atenas, em pouco tempo, consegue se sobressair por si própria sobre as outras cidades e acaba por formar a maior frota naval da Grécia, fortificando também por conta própria a Acrópole gerando grande poderio militar. Assim, esta começa a exercer forte hegemonia sobre a Liga de Delos.
.....Com Címon, filho de Milciádes, Atenas consegue abrir caminho entre as cidades persas do Ocidente, no Helesponto, depois, a ilha de Siros, dominando a rota da madeira, prata e ouro, todos provindos da Trácia. Címon avançou ainda para as cidades do sudoeste da Ásia menor, na Lícia e na Cária, livrando de vez um dos últimos redutos grego nas mãos dos persas.
.....As regras para os integrantes da Liga eram severas. Por exemplo, se alguma cidade deixasse de pagar suas contribuições ao cofre público, ou a deixasse, era punida com fortes sanções, sob o argumento de que se estaria deserdando a favor dos persas.
.....Caristo foi adquirida a força na Liga e Naxos recolocada sob uma forte ação de extrema violência sobre o povo da cidade. Outro exemplo das regras soberanas e do poder a que Atenas detinha sobre a Liga é a rebelião de Tasos, conquanto, Atenas entrou em confronto militar, derrotando-a, confiscando todos os seus navios e destruindo as muralhas que cercava a cidade. Nesta ação, Tasos pedira ajuda aos espartanos, mas estes estavam por demais ocupados contra suas próprias cidades rebeldes.

.....Fatos geradores da guerra do Peloponeso:
.....Os dez anos que se seguiram após a guerra contra Dario e Xerxes da Pérsia, a Grécia viu Atenas em firme ascensão, chegando quase à supremacia total sobre todas as cidades gregas. A vitória dos gregos sobre os persas causou muita mudança por todo o Mediterrâneo, inclusive influenciando e revalidando com o comércio e a supremacia de Cartago.
.....Os atenienses, impulsionados por incentivo próprio, dominaram as rotas comerciais no mar e na terra. Aterrorizou a todos na firme formação da Liga de Delos englobando quase todas as cidades e, alhures, as que não estavam diretamente na Liga, estavam como aliadas a Atenas. Mesmo assim, Atenas não conseguiu apagar os espartanos que, orgulhosos, determinados e disciplinados, começaram a agir a seu favor indo, por conseqüência, diretamente contra os interesses da cidade-estado de Atenas. Em resumo, pode-se hoje comparar, pelos fatos históricos em sendo a cidade de Esparta para Atenas, assim como a Grécia foi para a Pérsia.
.....Logo após a guerra contra a Pérsia, Esparta não se encontrava nas mesmas condições que Atenas. Os messénicos se revoltaram e Esparta, mesmo vencendo o conflito, perdeu boa parte de seu contingente militar. Neste conflito, Esparta pediu ajuda a Atenas que lhe mandou Címon com mais quatro mil homens. Esparta os recusou de forma indigna. Assim, Atenas em resposta diplomática, forma aliança com a cidade de Argos contra Esparta.
.....Outra curiosidade entre estas duas cidades era o sistema político. Enquanto em Atenas a democracia florescia, em Esparta o que valia era obediência cega aos costumes antigos, pelos quais um espartano era o símbolo do herói grego de Homero; forte, honrado, orgulhoso, corajoso e disciplinado.
.....Vários conflitos menores se seguiram, com os quais Atenas sempre estava envolvida, de um modo ou outro, até mesmo em conflitos internacionais. Por exemplo, a revolta do Egito contra os persas em que Atenas perde e, outros em que Atenas sai com vitória como foi contra Egina, trazendo esta para a Liga de Delos. Outros fatos vieram a conturbar a relação entre Atenas e Esparta, como por exemplo, a desistência de Mégara, que em conflito político com Corinto, deixa a Liga do Peloponeso de Esparta e migra para a Liga de Delos de Atenas. Então Esparta e seus aliados cercam Corinto em várias frentes, conquistando Naupactos, depois Lócrida, cidades nas quais os atenienses haviam instalado os refugiados messénicos. Ao mesmo tempo, Atenas agia economicamente por meio de sanções no Mediterrâneo ocidental, alimentadando ainda mais a rivalidade entre Esparta e Atenas.
.....Em 457 a.C., Esparta entra em conflito direto contra Atenas em Tanagra na intenção de manter uma força armada em Tebas como contra peso da hegemonia ateniense. Esparta vence junto aos seus aliados, mesmo de forma contestável. Este fato mostra até que ponto chegou a Grécia do pós-guerra contra os persas. Não era mais um conflito localizado, ou briga de oligarquia contra oligarquia, era um confronto civil de Liga contra Liga.
.....Atenas então, calculando a defesa do tesouro Liga depositado nos templos particulares de cada cidade participante em Tebas, o traz para a acrópole com a desculpa de melhor proteção.
.....Uma trégua foi assinada entre as duas cidades concorrentes que durou cinco anos, outras com duração maior, como entre Esparta e Argos que perdurou por trinta anos. Em contra partida, Atenas continuou suas investidas contra o Império Persa, tomando então a ilha de Chipre com Címon no comando que, de volta do exílio político, foi chamado pelo então tirano de Atenas, o maior estadista de todos os tempos, Péricles. Neste momento, Péricles se viu entre guerrear na Ásia contra os persas ou aumentar os domínios econômicos e políticos de Atenas em solo próprio contra Esparta. Escolheu a guerra contra seus irmãos espartanos que ameaçavam com realidade mais eminente, ao contrário do Império Persa que se via em decadência, mesmo que imperceptível. Negociou então a paz com Artaxerxes, sucessor de Xerxes no trono persa. Com a paz entre os gregos e a Pérsia, a Liga de Delos começou a perder seu sentido e desintegrar-se. Beócia, Fócida e Lócrida se tornaram independentes e, Mégara e Eubia se rebelaram com ajuda espartana sendo a primeira confirmada e a segunda derrotada de forma desastrosa. Péricles então firma um tratado com a Liga do Peloponeso por trinta anos e reduz os impostos aos participantes. Entretanto, Atenas endurecia cada vez mais sua influência na Liga de Delos, provocando descontentamentos entre as cidades pela política comercial protecionista em relação a algumas cidades, e, ações tirânicas como o envio de mais de quatrocentos e cinqüenta colonos pobres da cidade de Atenas para se apoderarem de terras em Naxos e em outros lugares.
.....Nesta fase a moeda ateniense era obrigatória em todas as cidades da Liga e a política submetida às decisões da assembléia ateniense que por fim, acaba formando um império dentro da própria Grécia sob o nome de Péricles.
.....Uma forte onda de construções tomou Atenas e outras cidades provindas das riquezas concentradas e, Atenas, em particular, fortificou grandemente a acrópole. Atenas se via rica e impenetrável, tendo apenas alguns problemas comerciais por terra em relação às rotas do norte que eram atrapalhadas pelos macedônios e pelos trácicos, mas que, pelo mar, reinava sem o menor problema. Mesmo com a Pérsia, Egito e Fenícia com a hegemonia no norte da África, os atenienses conseguiram politicamente manter um comércio lucrativo e dinâmico.

.....Por fim, a guerra entre Esparta e Atenas, a guerra do Peloponeso:
.....No lado espartano, havia a mesma idéia de hegemonia política, econômica e militar de Atenas. De uma certa forma, Esparta também o fizera, consolidando a Liga do Peloponeso, que acabara por produzir resultados piores. Esparta estava aterrorizada com o domínio ateniense e com a mesma arrogância, partiu para a agressão direta e em contínuas politicagens na dança das cidades entre uma Liga e outra.
.....Atenas entra em conflito direto com Corinto que, contra os avisos de Esparta, se alia a Corfu. Péricles também propõem à Liga que se excluísse Mégara por quinze anos e que se fechasse todos os portos para esta cidade. Esparta sentiu na pele a política imperialista de Atenas e pôs-se a agir mais uma vez. Zangados, os espartanos então combatem os atenienses em uma sangrenta batalha por mais de vinte e sete anos que por fim, a disciplina e força cultural espartana derrubam Atenas.
.....Na realidade, a guerra começa pelo não comprimento do tratado de paz de trinta anos entre as duas Ligas. Para os macedônios, trácicos, asiáticos, sicilianos e até entre os celtas e no sudão, Atenas já era um fantasma latente.
.....Em 431 a.C., Tebas invade Platéias que por sua vez, estava aliada à Atenas. Atenas entra no conflito e rapidamente sufoca o exército de Tebas. Em contra tempo, Esparta invade o território ateniense empurrando toda população para dentro da acrópole, enquanto os espartanos destruíam seus campos e casas, sitiando as fortalezas menores. Já os atenienses, coincidentemente, se asseguraram em novas importantes alianças, colonizando toda Egina e fazendo uma grande reserva de dinheiro e navios.
.....A invasão espartana acabou por se tornar um desafio longo, contrabalançado pelas investidas da armada ateniense pelo mar, fazendo com que o exército espartano se dividisse entre uma frente de ataque e outra de defesa. Fatos horrorosos se sucederam deste fato em diante, como por exemplo, o povo da Poteidaia comendo carne humana antes de se renderem à Atenas no desespero de não serem escravizados. Mas com a acrópole sitiada, Atenas passou a perecer de pestes e o próprio Péricles viera a morrer e, em conseqüência, várias cidades se desligaram da Liga de Delos, tornando-se independentes e neutras no conflito, configurando ainda mais a guerra como uma guerra particular entre Atenas e Esparta. Lesbos se declara fora da Liga de Delos e a assembléia ateniense a condena ao massacre total de sua população, mas acabam por decidir apenas em destruir suas muralhas e confiscar seus navios e todas as suas terras fazendo dos colonos, meros empregados dos novos cidadãos atenienses, da mesma forma com que os espartanos faziam com suas cidades servas rebeldes.
.....Por fim, os conflitos se tornaram generalizados de tal maneira que em toda a Grécia havia uma batalha em andamento, sendo ora vencida pela Liga do Peloponeso e ora vencida pela Liga de Delos. Depois de anos lutando, ambos os lados exauridos já com seus contingentes diminutos, resolvem acertar uma trégua que por vezes era violadas por algum general, ora de Esparta e ora de Atenas. Não obstante, em 421 a.C. fora acertado uma paz de cinqüenta anos, mas, Corinto, Mégara e Beócia se alteraram furiosamente com os termos acordados nas condições de paz e não a aceitaram sob pretexto algum.
.....Com a paz acertada entre Atenas e Esparta a Liga do Peloponeso começou também a ficar sem sentido e a se desmantelar. Com a dissolução desta Liga, Argos se aliou à Corinto, Mantinéia e Elis. A nova aliança atacou Epidauro e, Esparta, prontamente interferiu ativando novamente a guerra. O conflito de maior importância nesta fase foi à batalha de Mantinéia, com Atenas envolvida e derrotada perdendo quase todos os seus aliados de uma só vez. Atenas, tendo no próprio povo ares descontentes, começou seu declínio eminente, principalmente ao atacar as ilhas neutras de Melos sem justificativas ou motivos, talvez por interesse particular futuro, no sul da Cíclades, matando todos os homens com idade militar e escravizando o resto da população.

.....A queda de Atenas:
.....Atenas estava no caminho certo para a autodestruição perto de 416 a.C.. De forma impensada, a assembléia ateniense se envolve nas disputas medíocres na ilha da Sicília. Alcebíades, nomeado pela assembléia é enviado para a Sicília na cidade de Siracusa como comandante da expedição, mas foi acusado de atos heréticos contra Deméter e Hermes, talvez como justificativa política. Alcebíades escapou com vida e fez do resto de sua vida uma aventura de seguidas traições, desacreditado na pureza das ações dos homens. Alcebíades então vai para Esparta e faz um discurso convincente de que se era necessário mandar tropas em defesa de Siracusa contra o eminente ataque ateniense. Esparta então manda um exército sob o comando de Gilipo que chefia as tropas, tanto no contingente espartano como nas tropas de Siracusa. Esta batalha foi a mais desorganizada dentre todas, tendo o novo comandante ateniense, Nícias, perdido quase todo o seu contingente, batendo em retirada para Atenas em pouco tempo de luta.
.....Na acrópole, seus governantes estavam atados a ver a hegemonia de Atenas afundar-se por si própria em meio a tanta politicagem e brigas internas de interesses particulares, além das revoltas sociais, como em dado momento, uma rebelião com cerca de vinte mil escravos que fogem para Deceleia, uma área de influência espartana. Na Ática, a assembléia ateniense resolve fechar suas minas de prata pela consciência de que não poderiam mais defendê-las. O dinheiro ateniense passou a ser apenas folheado a ouro e depois, cobre folheado a prata. Atenas, ao chamar soldados de suas cidades amigas, não conseguia os manter por falta de dinheiro, mandando-os de volta para suas pátrias nativas e, aos poucos deixando, seus avanços militares de lado. Os governantes provinciais do império persa na Ásia, passaram a ajudar Esparta nas empreitadas contra Atenas. Nesta fase, a democracia já estava em ruínas e uma facção familiar estava a pleitear a volta da oligarquia em Atenas. Por fim, uma revolta contando mais de quatrocentos homens, toma Atenas colocando novamente um tirano no poder e, Esparta então assina um tratado de paz. A tirania dura apenas três meses após a paz entre Atenas e Esparta. Sem mais o motivo ou a ameaça espartana para se manter uma tirania, os atenienses restauram a democracia.
.....Uma vitória ateniense deu indícios de desequilíbrio entre as forças, colocando então os espartanos na posição de trégua e os levando ao pedido de paz o qual, os atenienses recusam. Novamente as duas cidades entram em confronto direto, mas agora pelo mar e pelo lado oriental da Grécia. No Helesponto, a frota espartana dissemina uma frota ateniense em um ataque surpresa. Atenas já estava exaurida e lutando com suas últimas forças, tentando bloquear os espartanos sem muito sucesso por terra e pelo mar. Esparta retrocede no inverno de 405 a.C. e Atenas, forçada a se render, pois seu povo, de quase todas as colônias e cidades aliadas restantes, estavam já passando fome. Assim, Esparta confisca todo os territórios atenienses no estrangeiro, bem como suas colônias e todos os seus navios. Esparta então se torna, como no tempo de Homero, a força representativa do poder grego, mesmo que não na sua grande realidade.

 

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