O cotidiano de um grego na Era Clássica...





.....O grego em geral amava a vida e tinha imenso prazer em vivê-la consciente dos fatos diários. Mesmo na militarizada Esparta, a vida era simples e encantadora. Tinham, em todas as suas atividades, um sentimento latente de alegria com paralelo em lugar nenhum do mundo antigo. Levantavam ao nascer do Sol e punham-se a trabalhar da melhor maneira possível, buscando a felicidade nos afazeres do dia-a-dia...
.....
Cenas inusitadas eram as dos filósofos passeando com seus alunos ignorando o grande distúrbio causado pelo comércio, ou pelo agito dos tribunais ou assembléias. Apreciavam o lazer dedicando tempo para qualquer palestra, teatro ou competição e, sempre se reuniam entre amigos para animados banquetes musicais. Entretanto, viviam sob o constante paradoxos dos horrores das guerras.


.....A infância
.....As crianças gregas viviam como num conto de fadas, isso se sobrevivessem a aprovação do pai até os primeiros dez dias de vida. O pai a examinava e, se a considerasse anormal, poderia deixá-la em lugar público para que morresse de inanição sem que alguém o acusasse de assassinato. Sendo aprovada, o céu lhe era dado. Enchiam-lhes de brinquedos seguindo o conceito de que criança aprende brincando e, na brincadeira, a única coisa que uma criança era capaz de fazer com amor e perfeição. As mais velhas podiam brincar em comunhão com outras crianças em gangorras, balanços, bolas, círculos etc., nas praças públicas, por exemplo.
.....As mães cuidavam das crianças nos três primeiros anos de vida, livrando-as de tristezas, medos e dores. Depois, dos três aos seis anos, eram submetidas a maçantes esportes de dia e de tarde, sob os olhos dos atletas fora da idade de competição. Após o sexto ano de vida, meninos e meninas eram separados acabando com o paraíso. As meninas voltavam para a casa para a guarda da mãe nos afazeres domésticos e campestres e, os meninos, mandados às escolas e depois para o treinamento militar a fim de se formarem homens, segundo o conceito de Homem para os gregos.

.....A puberdade
.....Depois de separados os meninos das meninas, tendo as meninas a vida paradisíaca perto de suas mães até seus respectivos casamentos e, os meninos, lançados aos leões nas escolas para uma longa e dura caminhada de aprendizado, a qual se era prezado e exigido de todo e qualquer futuro cidadão. Os gregos sabiam que o futuro pertenciam aos jovens e, por isso, não mediam nem esforço e nem tempo na formação de quem quer que fosse, desde que fosse grego. Ilustrando esta idéia, segue as palavras de Protágoras:
....."Mãe ama, pai e professor disputam entre si para o aperfeiçoamento da criança, logo que esta é capaz de entender o que lhe dizem... Se obedece, tudo esta bem. Do contrário é corrigida primeiramente debaixo de severos sermões e, de segundo, sob ameaças e pancadas".
.....Também se mantinham, além das escolas particulares, os maus pagos professores públicos que davam suas aulas ao ar livre nas ruas das cidades a quem quisesse aprender ou tirar alguma dúvida.
.....Estes jovens estudavam dos seis anos até aos dezoito, matérias a fundo como ler, escrever, poesia, aritmética, música, matemática, filosofia etc.
.....A lei obrigava os pais a educarem seus filhos em escolas, mas não obrigava o estado a construir ou manter escolas, fazendo então das escolas, um motivo de orgulho nacional, de uma obra em comunidade de pura consciência.

.....Mãe e esposa
.....Apesar de um mundo masculino, um grego tinha a mulher como a coisa mais importante, guardadas à sete chaves, mantendo-as longe de quaisquer preocupações. Como Homero escrevera, a maior de todas as batalhas do mundo antigo, a guerra de Tróia, foi iniciada por causa de uma mulher. Eram idolatradas e respeitadas, mas em paradoxo, não tinham voz ativa em absolutamente nada.
.....Em seu cotidiano, uma mulher era livre, bem tratada e feliz desde que se mantivesse a distância, que fizesse de bom grado os afazeres de casa, que cuidasse com amor e carinho os filhos. Os casamentos eram decididos entre os pais e, os pais aconselhavam constantemente suas filhas, dizendo-lhes como agir sempre, depois este sendo substituído pelo marido previamente escolhido.
.....Em contra partida, o marido grego, quando em casa, no aconchego do lar, vivia em perfeita harmonia com sua esposa. Quando com os filhos, em família, respeitando as individualidades mutuas. Assim os gregos tinham a sociedade fomentada nos laços de família, estendendo-se a todos que falavam o grego.

.....Homem adulto
.....Após os dezoitos anos, o grego passava por treinamento militar e se decidido por vontade própria, continuava no ofício ou iria trabalhar nas cidades com negócio próprio ou não, mas tinha a base cultural para exercer praticamente qualquer profissão. Vivia entre homens durante o dia, os quais as mulheres não poderiam estar presente pela sua condição maravilhosa de mulher. Nas ruas, nos comércios, nas reuniões de assembléia, nos julgamentos etc., só os homens decidindo. Em tempos de guerra, todas as atividades nas cidades eram suspensas, ficando as mulheres e crianças reclusas em suas casas e os maridos e os jovens solteiros nos campos de batalhas, tendo como guardas de família nas cidades, os mais velhos e sábios.

.....Divertimentos e passa tempos
.....Com treinamento duro e exaustivo, além de monótono, tanto nas artes físicas com nas artes intelectuais, os gregos em seus momentos de folga, entregavam-se a atividades como as brigas de cães e de gatos, em rigorosos jogos com bola, cujas regras estão perdidas no tempo. Temos apenas suas conotações básicas em alguns registros literários ou em algumas pinturas e esculturas que chegaram até nós. Nestes jogos de sentido atemporal, que não mais servia que pasar o tempo disponível para descanço em algo diferente de simplesmente ficar sentado. Como nos jogos Olímpicos, estes também eram individuais, avalizando o temperamento grego individualista, impossibilitanto o conceito de equipe, quando de uma competição.

 

.