Conceitos básicos da história grega...



.....Exposta aqui, uma tentativa de discorrer sobre os antigos gregos, suas experiências e modo de vida. Expor seus valores em uma época que eram coisas ininteligíveis aos outros povos contemporâneos.
.....Ficavam estupefatos com a arrogância e elegância de um cidadão grego de qualquer cidade-estado do século V a.C. até seu declínio e mesclagem com o ascendente Império Romano.


.....Povo grego, legado intelectual deixado para a civilização ocidental.

.....Geografia, clima e paisagem; os moldes para formação do povo grego:
.....A Grécia possuía uma geografia particular, na qual, em seu território haviam formas e mais formas de diferentes relevos e diferentes vegetações, como por exemplo, na Tessália, uma planície propícia para a criação de cavalos que levou os tessálianos a tornarem os fornecedores deste animal para seus irmãos durante séculos e, tidos ainda, como a maior força cavaleira da época. Mais ao centro, nas terras dos espartanos, um lado rico e fértil para a agricultura e outro selvagem e montanhoso que os protegia de ataques eminentes.
.....Esta terra, que hoje não temos a certeza do que como realmente era nos primórdios gregos; se a quantidade de área florestal é a mesma escrita nos poemas homéricos, o quanto de área cultivada se tinha e, como o aumento de população mudou esta paisagem, mas sabemos que seu relevo os levaram, mesmo sob a mesma língua, a viverem separados entre si, conquanto cada cidade era, digamos, uma nação independente uma da outra. Entre uma cidade e outra, uma variedade de escarpas ingrimes, planícies e planaltos longos causavam grande dificuldade para a troca de informações rápidas. Se uma cidade-estado era atacada, as outras praticamente só tinham o conhecimento até que esses invasores tomassem rumo e entrassem em seu território. Por outro lado, a própria geografia das terras gregas garantia dificuldades eminentes a qualquer povo que tentasse sua invasão.
.....Pelo mar, os gregos ocuparam as inúmeras ilhas do mar Egeu, mantendo praticamente a mesma idéia geográfica.
.....A Trácia e a Macedônia, no nordeste, áridas. Epiro também árido perto do Mar Jônico. A Arcádia, parte mais afastada do Peloponeso, cheia de planícies férteis. A vegetação era a mais variada possível com diversificações enormes de espécies. As montanhas ocupavam mais da metade do território deixando pouco espaço para o cultivo de alimentos. As planícies costeiras e as ilhas foram de fundamental importância na agricultura da antiga Grécia. Daí se explica o motivo pelo qual nunca se colonizou a totalidade do território grego.
.....Os movimentos e as lutas entre os próprios gregos eram intensos em busca dos melhores territórios, principalmente com o aumento populacional no decorrer dos séculos.
.....A temperatura variava muito entre uma região e outra, por qual, os verões eram quentes e úmidos e invernos suaves nas regiões sul e costeiras. Invernos rigorosos na Macedônia e regiões montanhosas. Chuvas intensas no lado ocidental enquanto no lado oriental rara. As estações tinham suas diferenças bem acentuadas com verões fortes e curtos, invernos longos, primavera delicada e outono suave.
.....Estes fatores acabaram por formar o povo grego de forma mister desde as suas festividades divinas, deslocações de rebanhos, questões de guerra e paz, pormenores nas atividades coloniais etc.
.....O calendário grego era baseado na matemática babilônica, mesmo causando contradições. Em Atenas, por exemplo, era corrigido periodicamente.
.....Os rios, fontes e cavernas foram também de grande importância, pois, eram os rios e a forte forma do relevo, seus marcadores de fronteiras. As cavernas eram lugares misteriosos usados para cultos, sendo estes, os primeiros oráculos simbolizados da mitologia, como os amores secretos e nascimentos obscuros entre os deuses olímpicos, estando ligadas a cultos rústicos de fertilidades, por exemplo.
.....Assim, a economia florescente da Grécia teve nas regiões montanhosas, planícies do interior, planícies costeiras e suas inúmeras ilhas no Mar Jônico e Egeu, as condições piores possíveis para seu desenvolvimento, obrigando o grego a sobreviver com audácia, coragem e muita criatividade e inteligência, levando-o a chegar no classicismo do século V a.C.

.....Servos e escravos; forças motrizes do povo grego:
.....O desenvolvimento grego, apesar de próspero, fora limitado pela sua geografia, recursos naturais e ignorância de melhor aproveitamento desses recursos. Por exemplo, as minas de prata de Atenas já eram exploradas pelos micênicos e, perto do século V a.C. ainda se via em fase primitiva a sua metalurgia. Estas mesmas minas eram exploradas pelos escravos de modo esporádico e por concessões na medida da necessidade e demanda. Assim, neste exemplo, temos o grego genuíno não obrigatoriamente fazendo seus trabalhos públicos, e sim a classe escrava e serva. Em Esparta, os servos eram controlados pela aristocracia militar até o sul do Peloponeso. Em Atenas, o número de escravos era também grande e de largo aproveito.
.....Os templos, os monumentos e obras em si, eram todos executados pelos servos e escravos que, em época de guerras internas, deixavam as cidades-estados derrotadas mergulhadas em crise por falta de mão-de-obra, pois, o vencedor levava praticamente todos os servos e escravos para suas terras.
.....Não se sabe ao certo o quanto estes escravos ou servos trabalhavam nos campos de agricultura e nos pastos. Acredita-se que eram maioria na Ática, na qual se via a agricultura e a criação de cabras como forma econômica predominante.

.....A variação entre ascensão e queda:
.....O motivo que uma cidade-estado ascendia ou decaia, era o mesmo quando o indivíduo ascendia ou decaia. Em Coríntio, os dois portos dominavam o comércio no istmo, tanto ocidental como oriental. Os romanos, quando reinaram na Grécia, destruíram estes portos e a cidade e, fundaram em seguida Patras que, em pouco tempo, fora superada por Coríntio, quando reerguida.
.....Outra curiosidade era a do povo subir os penhascos quando em tempo de guerra e descer no tempo de paz ou de próspero comércio. Na Ática, os moradores, na medida do desenvolvimento, desceram das montanhas para fundarem as futuras cidades da região, independentes das crises comerciais e conflitos militares.
.....O fato é a inevitável acomodação e fixação dos cidadãos gregos em lugares estratégicos a qual a geografia felicitava a vida cotidiana, como por exemplo, Atenas e Coríntio, que se desenvolveram as margens do mar Egeu devido a seus portos naturais e a planície micênica que ao longe se une ao mar.
.....Isto explica porque várias cidades da Grécia Clássica se ergueram em ruínas de antigas cidades micênicas.

.....O lugar geográfico da Grécia no continente:
.....A Grécia é parte do hemisfério ocidental, mas sua história mostra-nos muitas vezes como uma terra do Oriente Médio, lembrando que as colônias gregas no litoral do Oriente Médio se perduraram por milênios desde seu início, mesmo quando dominadas pelos persas, passando pelo Império Romano, ficando nas mãos do Império Bizantino até meados do século XV d.C. como terras relativamente gregas. Mas podemos, com certeza, dizer que a Grécia não faz parte dos Bálcãs. Esses fatos têm base sólida na geografia e provocam ressonância na história da humanidade mesmo nos dias atuais.
.....Outra curiosidade era a de que os gregos provindos da Trácia, considerados bárbaros, mas com efetiva intervenção cultural na formação final da Grécia Clássica - marcaram o território mais ao norte.

.....Os costumes herdados dos micênicos:
.....O desenvolvimento do povo grego se deu por intercâmbios, originando um dialeto único, mas de certa maneira isolado. Um paradoxo que nos faz entender hoje, como um povo poderia lutar tanto entre si e, quando atacados por outros povos, se unirem rapidamente em uma verdadeira nação.
.....Os micênicos levaram do continente para as ilhas do Egeu toda a sua cultura e filosofia de vida, mesclando com a cultura e filosofia minóica, mesmo que de certa maneira retrógrada. Fez com que os futuros gregos se tornassem também um povo de características guerreiras com seu sistema familiar centrado no homem, pai de família e, este, exercendo seu poder inquestionável. Por meio de seus costumes guerreiros, a Grécia entrou mais cedo na Idade do Ferro, na qual eram exímios fabricantes de armas. Este fato se deve ao certo, por uma falta no fornecimento de bronze, obrigando-os a dominar a forja do ferro. Mais pesado e mais resistente, os gregos revolucionaram as embarcações com peças navais sendo feitas com o ferro, dando maior durabilidade em relação a outras embarcações de outros povos que, geralmente eram constituídas com madeira.
.....Os micênicos herdaram o alfabeto dos fenícios, as artes e as esculturas dos egípcios e a arquitetura dos demais povos vizinhos.
.....As estradas deixadas pelos micênicos foram todas reaproveitadas, ficando nos dias atuais, ainda em funcionamento como caminhos de mulas de alguns povoados que persistem em viver na mesma região.
.....Dos micênicos surgiram várias “raças” gregas que, mesmo conscientes que eram uma só nação, se indispunham uns contra os outros, como por exemplo, os dóricos, jônicos e acaios. Tinham uma concepção moderna de sociabilidade, dividindo todo o povo grego em duas classes. A dos bárbaros e dos helênicos.

.....História grega como processo histórico na Europa e no Oriente Médio:
.....Os estudos arqueológicos da antiga Grécia fornecem, nas gerações antigas sobre postas a gerações mais antigas ainda, os motivos e tendências de diferenças sucessivas, deixando traços naquilo que pensamos e agimos nos dias atuais.
.....Quando o Império Romano anexou a Grécia e absorveu seus conceitos e preconceitos, tornaram todo o Império Romano em uma cultura quase que totalmente grega. As artes, arquitetura, literatura, filosofia e até mesmo a mitologia eram praticamente gregas. A língua grega, quando do domínio romano, era falada e escrita em todo o território sul da Europa e Oriente Médio. A noção dos desportos, da liberdade e valorização do Homem, foi respeitada e absorvida pelo povo romano que, levaram o direito, a ética e a moral para o resto do mundo antigo. A política grega era desprezada pelos romanos, mas que, em paradoxo, melhoraram e muito seus conceitos quando as absorveram.
.....A história grega já tinha seus adeptos desde os tempos imperiais de Roma com Plutarco remexendo toda a cultura e escritos gregos, chegando a considerar o verdadeiro homem romano como um grego helênico.
.....Por fim, veio a Renascença, séculos mais tarde, que se deu após a invasão turca ao Império Bizantino com a tomada de Constantinopla, fazendo com que vários sábios procurassem refugio na Europa italiana, trazendo consigo, os escritos gregos-romanos, fazendo com que o Homem europeu acordasse de sua alienação teológica.
.....Daí se deu uma verdadeira corrida aos monumentos gregos antigos pelos renascentistas europeus, iniciando, mesmo que de maneira amadora, um estudo científico, arqueológico e antropológico do antigo povo grego.
.....Nesta fase européia, as casas dos intelectuais eram cheias de peças e artefatos da antiga Grécia como forma de se mostrarem mais cultos e desprendidos dos dogmas teológicos da época.

.....Corrida arqueológica aos artefatos gregos:
.....O interesse dos europeus renascentistas nos artefatos gregos cresceu de forma estrondosa, haja visto que nos mosteiros católicos se encontravam, em grande quantidade, escritos e esculturas da antiga Grécia escondidos por terem estes idéias consideradas hereges, fato que elevou o preço e principalmente a idéia de que nas ruínas gregas, haviam grande quantidades de tesouros. As primeiras escavações foram feitas por Milton em Delfos. De Roma, saiu a expedição da British Society of Dilettanti que localizou, por conta das escrituras gregas e dos poemas de Homero, a cidade de Olímpia.
.....A maior prova do gosto romano pela arquitetura grega foram os desenhos das ruínas de Paestum, feitos por Giovanni Battista Piranesi e os desenhos intitulados "As antigüidades de Atenas", feitos pelos artistas James Stuart e Nicholas Revett.
.....A maioria das ruínas gregas já estavam fazendo parte das cidades modernas desenvolvidas por cima e, coisas como o templo de Zeus, em Olímpia, transformado em um castelo. O Pártenon em uma igreja e o resto da acrópole ateniense, em um imenso palácio.
.....No fim do século XVIII, apareceram os primeiros viajantes eruditos vindos da Itália, França e Inglaterra que registraram em detales estas ruínas, mas sem seguidores posteriores, ficando nas mãos dos saqueadores o que tempo preservou. Foram perdidos inúmeros escritos, vasos atenienses entre outras coisas. Mas o pior foi a destruição causada pelas batalhas corriqueiras neste período, fazendo das ruínas gregas, verdadeiros destroços.
.....Foram os óculos do Renascimento italiano que fizeram com que o Homem enxergasse a Grécia antiga.

.....A arqueologia mostrando a face verdadeira da Grécia:
.....No início do século XIX, William M. Leake, oficial das forças armadas inglesas, com incumbência secreta de achar pontos fracos nas defesas turcas no sul da Grécia, fez o mais ardiloso e documentado estudo já feito neste sentido. Em seguida, uma expedição oficial francesa continuou com mesma força estes estudos com excelentes resultados, desvendando por conseqüência, muitas dúvidas latentes sobre os gregos antigos e sua relação com o povo romano.
.....No final deste século, as escavações e estudos na Grécia eram moda sem precedentes e, mesmo com técnicas arcaicas e sem muitos fundamentos, a arqueologia naquela região se intensificou de tal modo que muitos milionários se entretiam nas buscas de artefatos artísticos. Tróia e Micênas de Homero, por exemplo, já eram realidades físicas encontradas por Heinrich Schliemann. Cnossos encontrada e pesquisada por Sir Arthur Evans e assim por diante...
.....Neste período, as escavações passaram de meros catados de objetos para profundas análises e registros dos terrenos, ruínas e escritos comparados.
.....Houve tumulto comparativo entre aqueles que estudavam os achados, confundindo as eras como a micênica da cretense, as quais, somente após a Segunda Guerra Mundial se publicou a primeira obra sobre as ruínas gregas e os costumes dos antigos gregos, coisa que, antes da revolução industrial e ascensão da burguesia, era somente para os nobres.
.....Hoje, com as facilidades tecnológicas, transporte e estadia, somada a consciência do Homem atual sobre seu próprio passado, podemos dizer que entendemos os pormenores dos gregos desde as primeiras aldeias nas ilhas do Egeu e das tribos no litoral do Mar Jônico até o Iluminismo Clássico em que se transformou a Grécia perto do século V a.C.

 

.