A Grécia na Idade do Bronze...



.....Exposta aqui, uma tentativa de discorrer sobre os antigos gregos, suas experiências e modo de vida. Expor seus valores em uma época que eram coisas ininteligíveis aos outros povos contemporâneos.
.....Ficavam estupefatos com a arrogância e elegância de um cidadão grego de qualquer cidade-estado do século V a.C. até seu declínio e mesclagem com o ascendente Império Romano.


.....Cnossos e Micênas, primeiras civilizações palacianas.

.....Greta em 2.000 a.C., praticamente o início da civilização grega:

.....Cnossos na ilha de Creta foi a cidade com o primeiro palácio, embora sem fortificações e nem túmulos próprios. Este nos serve como um "marco inicial" do povo grego. Em Micênas, no continente, seus palácios foram erguidos em cima de ruínas de povoações anteriores.
.....O povo cretense veio, provavelmente, foragido do Egito ou até de mais longe. Uma coluna datada de mais de 4.000 a.C. comprova que a ilha já era habitada e que, aí se deu o início da futura civilização grega. Este povoado se desenvolveu vagarosamente até começar exercer influências por todo o mar Egeu perto de 2.800 a.C., já com sua cultura praticamente formada, com seus palácios, seus túmulos ababodados com características próprias, exportando sua arte e conhecimento até a região continental da Grécia e do Oriente Médio.
.....Apesar de serem encontrados vasos provenientes do Egito datados de até 3.000 a.C. não se comprova que os egípcios tenham se apoderado desta e outras ilhas no Egeu, configurando apenas um primitivo e ocasional comércio entre o Império Egípcio e a ascendente civilização micênica.
.....Viveram nesta ilha com muito zelo aos bens materiais, passando de geração a geração até praticamente o desenvolvimento do comércio e certa unificação com os povoados do continente grego e litoral do Oriente Médio.
.....Neste período, Micênas também já estava se despontando no continente como uma potência guerreira, com alto grau e domínio do bronze e, não obstante, suas armas eram mais avançadas que as de seus vizinhos. Foram os maiores responsáveis pela disseminação da língua pré-grega.

.....Nos palácios, o contexto básico do início da Grécia:
.....Os primeiros vestígios da escrita grega datam de aproximadamente 1.900 a.C. em helioglifos. A arte de escrever em pedra veio da Síria por meio de refugiados. No início, a escrita era minóica, a Linear A, que registravam os dados apenas administrativos e que até hoje, não foram totalmente decodificadas. A Linear B, desenvolvida a partir desta primeira, é considerada uma escrita micênica e que já está totalmente decifrada e, foi esta escrita que se estendeu por toda a região que futuramente se tornaria a língua pátria dos gregos.
.....Junto à escrita, veio o desenvolvimento da arte, pela qual, configurou o povo micênico em si. Perto de 1.450 a.C, tinha-se o mesmo conceito por todo litoral continental grego e Oriente Médio, ficando as ilhas no Egeu como povoados minóicos. É neste período e processo que temos a configuração real do homem grego.
.....Voltando no tempo novamente, na ilha de Creta em Cnossos no seu apogeu cultural e econômico, encontramos os primeiros grandes palácios como o de Faísto, Mália e Cãndida.
.....Estes palácios tinham o tamanho de uma faculdade atual e, o número de ovelhas que pastavam ao seu redor poderia ser comparado aos rebanhos dos mosteiros católicos do século XIV d.C.
.....Os palácios minóicos marcaram a cultura cretense que só entrou em decadência após vários terremotos na ilha que destruiu casas e plantações continuamente, gerando fome e doenças, obrigando a população a abandonar pouco a pouco a região, se enfraquecendo e dando chance aos micênicos do continente se sobrepujarem.
.....Não se sabe ao certo ainda se, os micênicos invadiram e tomaram Creta e sua região de influência ou, se fizeram uma aliança, federação ao simples união cultural por conseqüências simpáticas. O certo é que, após o abandono dos palácios cretenses e a debandada do povo das casas ao seu redor, os micênicos, em ascensão, viajaram pelo Egeu e, de uma maneira ou outra, se mesclaram em uma só cultura e que, mais tarde, esta se tornou uma característica do povo grego de absorver e mesclar os conceitos e preconceitos de povos que dominavam ou mantinham relações comerciais até a Era Clássica perto do V século a.C.

.....Arquivos minóicos explicando a vida palaciana:
.....Em Cnossos e Micênas foram encontradas várias placas de barro e pedra gravadas com escritas em Linear B contendo cálculos e registros da economia dos palácios. Estes escritos datam de 1.700 e 1450 a.C. e coincidem com outras placas em várias ilhas e pontos nos continentes, mostrando a união de raciocínio que estes povos tinham, caracterizando-os como pré-gregos.
.....A militarização era eminente e houve um grande declínio nas artes das cerâmicas e afrescos, pelos quais os artistas se voltaram para as cenas de guerra. Os micênicos tomaram muito mais de Creta do que se imagina. Desenvolveram suas armas e táticas após a invasão ou unificação com os povos sob influência cretense e, no litoral do Oriente Médio, isto não tardou a acontecer também.
.....Nestas placas, fica bem claro que a riqueza dessa nova civilização era a agricultura e, em segundo plano, os carneiros que eram contados em um sistema matemático criativo, prático e exclusivo. Estas mesmas placas mostram apenas um rei como governante, conselheiros que distribuíam as terras em proporções equivalentes e um funcionário subordinado diretamente ao rei com remuneração pelos serviços prestados ao reinado. Há indícios que no início o rei governava a religiosidade do povo, o conselho e mais um funcionário direto, os afazeres seculares, mas não comprovado até hoje se sim ou se não. Nestes arquivos encontram-se também as classes inferiores de artesões, comerciantes, operários especializados, pastores, carpinteiros etc. Todos, cada qual com suas contabilidades na escrita Linear B.
.....O ouro já era uma coisa que demonstrava status e diferenciação social. Os escravos podiam ser propriedade individual com os mesmos ofícios de seus donos. As mulheres exerciam a força laboral, seguindo a idéia pré-histórica do homem caçador e coletor. Faziam os pães, azeite, vinho e coisas, digamos residenciais, como cuidar dos filhos e o bem-estar do patriarca. Também foram achados nestes arquivos, indícios do uso de especiarias como hortelã, o uso do gado e da cabra e, curiosidades como o queijo. Os cavalos nesta fase eram poucos e, o porco uma relíquia muito apreciada em datas festivas.

.....A religião micênica, a pré-mitologia da Grécia:
.....Acredita-se que os micênicos, assim como os egípcios, acreditavam na vida após a morte. Em seus túmulos, principalmente nos dos ricos, o cidadão era sepultado com alguns utensílios de uso diário e muito mel. As cavernas na ilha de Creta explicam de certa maneira, muitos cultos de fundos divinos e de caráter reprodutivos, de fecundação, tanto para seus rebanhos como para a agricultura e cidadãos. Como exemplo, a Porta dos Leões em Micênas e o Machado Duplo, provavelmente de algum deus do céu, achado em uma caverna elevada em Creta.
.....A lista é numerosa de deuses micênicos, o que nos leva a síntese mitológica do grego clássico. Foram inúmeros os deuses encontrados nos arquivos e afrescos de Creta e de Pilos no continente.
.....Os indícios encontrados nas placas de escrita de Linear B nos dizem, por exemplo, que Poseidón era o deus mais importante na época e que, Efigênia, da era da tragédia grega de Homero, era precursora da deusa Hécate da mitologia clássica. A frase: "Servo de deus" encontrada em uma dessas placas em Pilos, tinha o significado de agricultor ou trabalhador dos campos. Muito mais se vê nos afrescos cretenses e micênicos sobre a religião pré-grega que nos mostram claramente o resultado na mitologia clássica.

.....A arte micênica marcando a exclusividade do pré-grego:
.....Com certeza foram os palácios e a vida palaciana cretense que tornou os micênicos mais civilizados. Os espetaculares objetos de luxo dos cretenses, com muitas pedras preciosas, bronzes delicados, terracota elaborada, pequenas esculturas de alto grau artístico para a época, pinturas abstratas nas paredes dos palácios, casas, ouro muito bem trabalhado, vidro e polimento escultural nos lápis-lazúli, podiam competir, em qualidade e quantidade, com outros povos, perdendo apenas para os chineses, no que tange apenas ao bronze, que foram estes, neste período, os melhores sem dúvida alguma.
.....Uma curiosidade vista nos afrescos nas ilhas do Egeu e em grande quantidade no continente grego e Oriente Médio é, uma festa ou rito, pelo qual os rapazes, com poucas vestes, pulam em um salto mortal por cima de um touro que investe golpes fulminantes. Isto caracteriza, talvez, um jogo ou costume micênico, gravado por conta das pinturas para a eternidade. Não se sabe ao certo se, as touradas espanholas advêm deste costume antigo dos micênicos, mas que há indícios fortes que tenha sido exportado para a península Ibérica e, perdurado nos povos que lá, iniciaram suas jornadas na história da humanidade.por meio

.....A civilização micênica propriamente dita:
.....Ao final da Idade do Bronze, os palácios ainda de pé dos pré-micênicos, passaram a serem usados como armazéns de troca de mercadorias e serviços, um centro econômico de um povo perdido culturalmente, embora com alguns vislumbres sociais da era palaciana.
.....Perto de 1.400 a.C. arde os palácios de Cnossos em Creta e Tebas no continente sem serem reconstruídos. Ao final do ano de 1.300 a.C. as magníficas fortalezas foram atacadas várias vezes, corroendo suas estruturas a tal ponto que foram abandonadas. Em meados de 1.200 a.C., Micênas é destruída e Tirinte e Pilos pereceram em chamas e muitos outros centros menores foram abandonados.
.....Mesmos nestas adversidades, os micênicos chegaram a uma desenvoltura intelectual e luxuosa. A nova arquitetura era sólida e mais resistente ao fogo e aos terremotos. Os túmulos cresceram em número e esplendor de luxo, ficando como um marco inicial da cultura micênica como um só povo. As muralhas e paredes eram grandes e espessas mostrando o que foram os micênicos, conquanto, gerações posteriores atribuíram essas construções aos deuses ou semideuses. Estas fortificações se encontravam por quase todo o território micênico.
.....O comércio micênico já era percebido desde o litoral do Oriente Médio, passando pela ilha da Cicília até a região hispânica.
.....A arte e o ofício já estavam praticamente unificados e a língua grega já instituída como uma só aos micênicos. Logo, aqueles bárbaros de grandes barbas e poucas vestes se tornaram em espetaculosos intelectuais de alta cultura, fazendo da arte e da filosofia seus maiores legados, pelos quais, os diferenciaram do resto do mundo antigo. Prosperaram e tomaram rumo para o desenvolvimento máximo que hoje chamamos de Grécia Clássica.
.....O fato de terem sido, desde seu início, povos em eternos conflitos e de guerras com alto teor de carnificina, não os impediram de se tornarem um só povo, mesmo que continuando nos gregos clássicos, as guerras entre si ininterruptas no peíodo das cidades-estados.
.....Foram os micênicos a idealizarem carros puxados por cavalos como nos afrescos encontrados nas sepulturas mais recentes desta fase. Seus carros eram de estrutura homérica, com sua base baixa, transportando apenas um homem puxado por dois cavalos. Eram de uso estritamente militar.
.....A influência micênica chegou até a Europa ocidental, conquanto, foram encontrados vários vasos datados de 1.400 a.C.
.....Não se sabe como os micênicos decaíram a ponto de serem substituídos pelos gregos, "modernos", pois não há nenhum indício de uma nova dinastia ou registros de que foram expulsos, dados a grandeza e forte influência que exerceram desde seu início na ilha de Creta em Cnossos e em Micênas no continente.

.....Religião ligada à arte micênica:
.....Em nível de alta sofisticação e luxo, em especial as peças em marfim, a arte micênica, desde seu início, se voltou à representação do cotidiano e, ao mesmo tempo, ligada à mística religiosa não a demonstrando como coisas separadas. Os trajes das rainhas micênicas eram tidos como modelos para os artistas representarem ou criarem suas peças para os mais diversos deuses e deusas. Também foram encontradas várias outras estatuetas micênicas por todo o território no qual o comércio exercia poder e influência de grande simplicidade representativa, mas de muito teor artístico, sempre ligadas ao cotidiano e, ao mesmo tempo, aos seus significados religiosos. As cerâmicas, raras nas escavações por sua fácil deterioração, mas de largo uso e, quando encontradas, encontradas em diferentes pontos do mundo antigo, mostram-nos como e onde, os micênicos desenvolveram sua cultura e mesclagem com outras culturas, coisa que nos dá uma idéia precisa de onde e como vieram os gregos propriamente ditos.
.....Basicamente, os micênicos trabalharam artisticamente o antigo conceito religioso das deusas mães pré-históricas, mantendo acesa a idéia de natureza e do Homem em relação a ela mesma. Estas deusas mães foram, mais tarde, as deusas da mitologia grega clássica, como por exemplo, Deméter.

.....Relíquias micênicas, o iluminismo grego:
.....O desenvolvimento micênico em seus mil anos, a partir de 2.100 a.C. foi marcado pelo seu contraste entre os acontecimentos iluminados espetacularmente em adversidade com o início obscuro. Dos 300 anos em diante de seu início, este desenvolvimento se deu uniformemente e em todo o território de sua influência de maneira coincidente, talvez pelo desenvolvimento do comércio primitivo somado a idéia da consciência e valorização do Homem.
.....A agricultura e os rebanhos de animais domésticos nunca deixaram de existir e nem de fazerem suas funções de subsistência durante este processo iluminista, o que levou os micênicos até a proposta formação do povo grego.
.....Uma teoria que explica a passagem da civilização micênica para a grega é um dramático e rápido aumento da população, inchando as cidades trazendo a recessão e, conseqüentemente, crises políticas e sociais, debandando o povo para suas origens.
.....A queda dos micênicos como cultura de influência marca a Era das Trevas, na qual, mais tarde, reavivada inicialmente pelos jônicos e revitalizadas pelos descendentes dos micênicos no Egeu e no continente grego.

.....Desmantelamento dos centros urbanos micênicos. Início dos centros gregos:
.....Na fase negra da cultura micênica, alguns migraram para a Acaia no norte do Peloponeso e outros foram parar no Egito como mostram os seus registros administrativos no qual se lê: "Os nortenhos estão inquietos nas suas ilhas", outros mais, se instalaram na ilha jônica de Cefalónia pacificamente com seus antigos moradores. Alguns desapareceram, deixando suas cidades ao vento como nas regiões de Tarso, na Sicília e nas costas da Anatólia. Alguns de maneira errante e nômade se mesclaram com os filisteus e caldeus dando origem aos judeus.
.....Mas onde ficaram exatamente os sobreviventes micênicos? Os indícios históricos nos mostram que poderia ter sido em Iolco, na Tessália, onde seus velhos túmulos abobadados continuaram a serem construídos. Lá, se manteve a criação de cavalos, o sistema patriarcal baseado na posse da terra e os campos irrigados nos mesmos moldes de 400 anos antes.
.....Alguns micênicos sobreviveram nas ilhas mais remotas, mas, com o tempo, também desapareceram, talvez fugidos ou exterminados pelas catástrofes naturais como vulcões e terremotos efetivos naquela época.
.....O final didático da cultura micênica se dá com a queda de Mileto. Mileto foi reocupada por sobreviventes em sincronia cultural com Atenas, tendo as mesmas cerâmicas pintadas com derivação mais pobre e mais simples das cerâmicas micênicas, caracterizando um início desajeitado do estilo geométrico primitivo da decoração grega. Estas cerâmicas caracterizam um repovoamento, perto da metade do século XI a.C. Estes movimentos dos sobreviventes micênicos são comparados com as ondas do mar. Saíram e voltaram das ilhas no Egeu, foram e vieram pelo continente na região da futura Grécia e no litoral do Oriente Médio, rumaram tanto para o sul como para o norte. Não se tem ao certo, como e quando estas migrações se deram, mas o fato é verídico. Uma coisa marcante na debandada do povo micênico, já falando o grego, foi o aumento do território, no qual, pela sua geografia, os sobreviventes, se unindo a pequenos povoados mais antigos, levaram de uma certa maneira seu desenvolvimento para todos os lados a partir da área da antiga cidade de Micênia no continente, por todo o litoral jônico e litoral do Oriente Médio, além das ilhas do Egeu.
.....Nesta etapa é que se começa a mistificação da religião, a formação das lendas pelas quais, mais tarde se tornariam a religião comum para todos os gregos; a mitologia grega conhecida hoje por nós. Como exemplo, a lenda do Minotauro.
.....A escrita, de certo modo, se perdeu e os acontecimentos neste período se passavam de boca-a-boca havendo muitas mudanças durantes os anos que hoje, não nos dão muito sobre a Idade das Trevas na Grécia.

.....A continuidade micênica nos gregos e o fim da Idade do Bronze:
.....As provas de uma nova forma de vida provem dos sinais do vazio que incluem as alterações e fixações humanas e a corrupção dos padrões decorativos nas cerâmicas e afrescos, por exemplo, ascendendo um desenvolvimento próprio. A arte se desenvolveu com extrema lentidão, como a progressão dos desenhos geométricos que levaram quase 400 anos. Com o fim da era palaciana dos micênicos, marcou-se o fim da Idade do Bronze, contrastando esta nova cultura emergente.
.....Neste período, os “quase” gregos trocaram o bronze pelo ferro em suas espadas, facas e arados. A introdução do ferro no início da Grécia não se deu igualmente como em outros lugares do mundo. Na Grécia primitiva, o ferro foi usado largamente como matéria-prima em si, enquanto nos outros lugares, como liga reparadora do bronze.
.....Perto de 1.500 até 900 a.C. os gregos já dominavam praticamente em todo o território sob sua influência cultural a metalurgia do ferro. Todos os utensílios já eram totalmente de ferro, salvo os que tinham intuito artístico ou decorativo, ou de âmbito divino.
.....Outra idéia desta continuidade é a de que vários povoados nos territórios sob influência micênica, de atividade agrícola, tenham absorvido na Idade das Trevas, os estrangeiros que de hora a outra se debandavam de outras regiões. Nesta fase temos a genialidade de Homero que, nos deixou como legado, a verdadeira história grega daí para frente, mesmo que romanceada e misturada às lendas provindas dos micênicos e à unificação das várias vertentes religiosas entre os outros povos a qual tinham contato.

 

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