Resumo dos principais filósofos...

Duns Scot (1.265 - 1.308)

.....Toda a sua filosofia é baseada praticamente nas idéias centrais de Aquino e certos conceitos agostinianinos. A diferença foi a maneira crítica com que desenvolveu suas próprias teses e, alhúres, conseguiu uma temática na qual as duas filosofias se completavam, tornando-o um pensador de destaque na história.


.....Scot era famoso pelo seu raciocínio perspicaz e por sua mania em discernir tudo minuciosamente. Há indícios que tenha sido natural de Maxton ou Duns, na Escócia. Estudou em Oxford e depois em Paris.
.....Para Scot, a vontade era superior e mais forte que o intelecto, coisa de primeira importância para o entendimento de Deus, separando inclusive, as coisas referentes a razão das coisas pertinentes a fé. Suas idéias foram escritas de maneira desordenada, sendo organizadas e completadas por seus discípulos e sucessores, causando debates sobre a autenticidade e genuinidade de suas teses em nossos dias.
.....Sua principal obra, "Os Comentários das Sentenças", teve inspiração na literatura padrão da época imposta a qualquer mestrando em teologia. Esta obra também é conhecida por títulos inspirados nos lugares, nos quais o filósofo desenvolveu a obra, tendo em Paris o título de "Opus Perisiensis" e "Opus Oxoniense" em Oxford. Usou nesta obra uma dialética particular, pondo sempre em prova de valia os argumentos, tanto a favor, como contra, além de observar todos os pontos de vistas, chegando assim, em resoluções coerentes e reais.
.....Por ter sido um frade franciscano, foi elucidado nas filosofias de Aquino e Agostinho, acreditando que só a iluminação pela fé levaria a Deus, e que, a razão confirmaria e daria complemento para as verdades religiosas aprendidas por conta da revelação.
.....Este, usando os paradoxos das filosofia de Agostinho e Aquino, separou a filosofia da teologia, na qual, a teologia só tratava dos assuntos relacionados a Deus que não teriam sustentação empírica. Não acreditava que a razão poderia superar a si mesma se auto iluminando. Para conhecer Deus, segundo Scot, seria necessário primeiro entender em sua realidade o conceito do ser com sendo aplicável a Ele tanto quando para as coisas criadas por Ele, e, segundo suas palavras:
....."Ele se estende a tudo o que não seja nada."
.....O destaque vai para sua dissertação sobre Deus e suas criações como uno, conquanto o conhecimento é entendido pelo sensorial. Assim, se dá a necessidade de um princípio, pelo qual, o infinito dá origem ao finito, conquanto o finito é criação da vontade do infinito. Defendia que Deus não criou todas as coisas possíveis, mesmo tendo onisciência sobre todas elas e, deste proposto, não temos a impossibilidade de que estas coisas não existam. E as que existem, são a expressa vontade e escolha de Deus, sendo todas, sua própria essência, desvinculando Deus de suas criaturas, deixando-o livre e intocável, o qual é impossível o entendimento da criação em relação ao criador. Assim a fé passa a ser mais importante que a razão, com seu entendimento inacessível para a razão.
.....Para Scot, divergindo da tese sobre as Formas de Aristóteles, sobre a forma e sua particularidade ou "coisidade", alegou que as coisas dependem de suas essências particulares que, por sua vez, são obras de Deus, dando individualidade as formas em si.
.....Consolidou o Homem como um ser individual e avalizou o conceito do livre arbítrio agostinianino, com o qual, a vontade conduzia a razão para o intelecto formular as ações necessárias para obtenção do êxito.
.....Classificou, nestas bases, a vontade em duas classes, sendo a primeira como a vontade própria e aos interesses pessoais e egoístas e, a segunda, buscando uma visão perfeita do real valor objetivo de todas as coisas no Universo, sendo esta última vontade, causada por forças latentes intrínsecas em suas próprias finalidades, o affectio justitiae.
.....Assim, deixou como legado a seus sucessores, a máxima de que a filosofia nunca explicaria as coisas do céu. Seus escritos foram extensamente estudados e discutidos séculos mais tarde por filósofos como Pierce e Heidegger.
 

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