Resumo dos principais filósofos...

Sartre (1.905 - 1.980)



.....Além de filósofo, Sartre foi romancista escrevendo várias novelas. Atuou também como crítico literário. Estudou em Paris e seguiu lecionando em várias escolas na cidade.


.....Serviu na segunda guerra e, capturado, especulou muito sobre filosofia quando ficou nas mãos dos alemães por quase um ano. Libertado, em seu retorno a Paris, ingressou na resistência francesa.
.....Ao término da guerra, trabalhou como editor de uma revista mensal cuja temática dissertava sobre socialismo e existencialismo. Foi prêmio Nobel de Literatura na década de sessenta o qual recusou.
.....Seu grande e último trabalho, "Crítica da Razão Dialética", mostra os últimos pensamentos resultantes de sua busca da reconciliação entre o existencialismo e o marxismo. Teve também fama e sucesso com sua trilogia romântica, "Caminhos da Liberdade", considerada um clássico da literatura.
.....Sartre encarava o existencialismo como uma vasta possibilidade de visões, mas todas baseadas na existência e consciência humana. Tratou este tema tanto de forma individual como universal por estarem relacionadas e constituídas nas mesmas formas de existência. Tenta nos mostrar uma relação de experiências individuais que atestam a existência em si e suas dúvidas como coisas sobre a liberdade, escolha, autenticidade individual, interação entre as coisas e os outros indivíduos e, da mesma maneira por qual os significados são originados com base na consciência individual.
.....Sua obra, "O Ser e o Nada" é tida como uma referência aos assuntos do existencialismo e da ontologia. Em relação ao existencialismo, estuda as coisas latentes na consciência de acordo com seus aparecimentos e desenvolvimentos, independentes das coisas exteriores em si e, em seu conceito particular, concentrando-se apenas nas coisas dadas na consciência. Sobre a ontologia, tratando apenas das coisas como coisas existentes, Sartre especula quais coisas ou tipos de coisas formam o mundo. Assim, ele, por conta da análise fenomenológica ontológica, estuda a relação entre fatos e nossa consciência a respeitos deles.
.....Alega que o Homem existe em si, como uma coisa pertencente ao mundo e ao mesmo tempo existe para ser, tendo consciência de não ser apenas uma coisa no mundo, e sim um humano no mundo. A existência de alguma coisa é seu conhecimento do qual existe sem explicação. Alega que o Homem é incapaz de aceitar o conceito de que sua existência não passa apenas de sua existência em si, sem um significado diferente disso ou, existindo sob algum propósito que seja fora a sua sobrevivência e procriação, gerando desta maneira, o desejo e vontade de ser alguma coisa. Para Sartre: Ser ou não ser é:
....."O ser e o nada é uma totalidade irrealizável que persegue o para si e constitui seu próprio ser como um nada do ser."
.....A liberdade é explicada pelo desejo consciente de ser alguma coisa se referenciando no futuro, sendo ao mesmo tempo, o nada quando somos consciente daquilo que não somos, originando a possibilidade de escolher o que seremos no futuro. Nesta concepção, sendo a liberdade o nada, podemos então escolher alguma coisa com bases nos significados e valores humanos. Mas para escolher é necessário antes existir, independente do que se venha a escolher e também do que se venha a escolher no futuro. O que se escolhe é a essência de existir no futuro.
.....Estamos no Universo como coisas consciente do mundo e, segundo Sartre, por conta da consciência escolhendo infinitamente; negando o que somos pelo que fomos, e assim escolhendo novamente para nos assegurarmos como ser em si em direção do ser que ainda não fomos, denominando esse conceito como "Decisão Radical".
.....Apesar de tudo, alega que o Homem é apenas uma coisa material, ausente de caráter. Seu comportamento básico e diário, somado ao seu ambiente, formam o ser individual, ao qual, qualquer tipo de explicação que vá além disso, é mera reflexão consciente do desejo de ser além de si. A existência de um indivíduo consegue significado somente naquilo que lhe é de inteira responsabilidade.
.....Em relação as escolhas contrárias ao conceito de existência, como a má fé, Sartre explica como sendo um ato de distanciamento da liberdade, da angústia, a qual a escolha é dada sob total alienação ao presente e futuro, assumindo um papel já pronto na sociedade e que o livra de buscar escolher ser em si. Outra faceta da má fé e a negação do próprio ser fazendo conscientemente outras pessoas acreditarem que é alguma coisa sem o ser em si, conquanto é necessário conhecer o ser que não é, mas pretendendo mostrar-se sendo. Assim, Sartre afirma que o Homem que age e vive sob a máscara da má fé, se afasta da própria liberdade de encontrar o significado de si mesmo, existindo apenas como um objeto em função dos acontecimentos exteriores e, esta, como qualquer outra escolha livre.
.....Não devemos achar que Sartre, em suas especulações, atesta uma escolha ou outra, apenas as tenta descrevê-las, mostrando não como deveremos ser, mas sim como somos na realidade.
.....Já os Homens que agem de má fé, tem sua existência no que chama de "Espírito de Seriedade", no qual se tem a conotação dividida em dois conceitos diferentes entre si. O primeiro, atesta a seriedade cujos valores a estabelece independentemente dos Homens. O segundo, consiste na busca dos valores como um conjunto de coisas.
.....Desta maneira, o Homem aceita os valores e significados se iludindo que de algum modo, sua existência tenha algum objetivo além de sua própria natureza animal, não apreendendo o absurdo da contingência das coisas no mundo, não tomando consciência do nada que nos impulsiona a dar significado as coisas em si. O filósofo argumenta que fugimos da liberdade pela experiência de angústia que ela nos trás em razão de não determinar nada em relação a escolha, pela qual, qualquer escolha é possível. Assim, o existencialismo tem como marca o medo e a angústia, mesmo não sendo necessários para a compreensão da liberdade em si. Sartre, neste contexto, defende que o existencialismo, longe do pessimismo, é um sistema no qual leva o Homem a escolha do mais alto grau de otimismo, vista a escolha ser qualquer escolha, dotada do conceito de liberdade, cujo destino de cada Homem é colocado nele mesmo.
.....Após a segunda guerra mundial, Sartre retoma seus pensamentos refinado-os dentro de um contexto mais político e publica "A Crítica da Razão Dialética" em dois volumes, nos quais, o primeiro trata de um estudo teórico e abstrato e o segundo volume, tratando novamente das questões referentes a liberdade individual, pelas quais alega:
....."Não permito a ninguém que me interprete como dizendo que o Homem é livre em todas as situações. Eu quero dizer exatamente o oposto, que todo Homem é escravo na medida em que suas experiências de vida têm lugar no reino da prática inerente, na exata medida em que este reino é originalmente condicionado pela escassez."
.....Prática inerente para Sartre é a tocante a vida em relação a determinadas ações livres passadas. A dialética da prática individual, além da responsabilidade do fato histórico, pela qual, em sua última obra, a apresenta como sendo o núcleo de suas especulações.
.....Sartre se mostra muito além de um simples sociólogo, ou um antropólogo, ou até mesmo um filósofo em especular coisas profundas em seus escritos, mesmos que em romances, de suma importância particular a cada indivíduo em si como Homem.
 

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