Resumo dos principais filósofos...

Locke (1.632 - 1.704)


.....Assim como Hobbes, Locke desenvolveu suas idéias em meio a grandes turbulências sociais, pelas quais se tentava diminuir o poder do rei sobre a economia e sobre a política na Inglaterra.


.....A burguesia queria regularizar e estabelecer definitivamente o parlamentarismo. Acabar com autoritarismo do rei e implantar a liberdade comercial e religiosa, dentre outras coisas. Locke se inspirou nestes movimentos e assim atuou politicamente.
.....Locke superou o racionalismo de Descartes pelo seu empirismo, bem explicado no "Ensaio Sobre o Intelecto Humano". Esta obra disserta sobre a "origem, certeza e extensão do conhecimento humano, juntamente com os fundamentos e os graus de crença, opinião e assertiva."
.....Argumentou também a favor da causa parlamentar em seus dois "Tratados do Governo Civil", que refuta a idéia do poder divino de Deus e ainda afirma ser o rei tão igual a qualquer pessoa e, por conseqüência, todos livres em seu estado natural, com seus direitos e deveres naturais. Suas idéias políticas eram tão liberais e de conceitos fraternários que, em sua maioria, foram absorvidas e inseridas na constituição americana logo após sua independência, tal como na constituição francesa de 1.871. Porém, a maioria de seus escritos políticos foram publicados anonimamente.
.....Natural de Wrington, chegou a estudar medicina mas nunca exercendo o ofício, seguindo os passos do pai na política, chegando até o parlamento com a ajuda do conde Shaftesbury que compartilhava as mesmas idéias e, pelas quais, lutaram juntos contra Stwart entre exílios e revoluções.
.....Suas teses, bem discernidas em suas obras, especulam sobre a mente e o conhecimento. Defendeu que o racionalismo levou a razão muito além de si mesma, provocando um ceticismo igualmente exagerado. Para Locke, obter conhecimento era o mesmo que adquirir prudência na intromissão das coisas que vão além da compreensão, dando subsídios intelectuais, para quando, na posse do conhecimento, voltar a consciência da própria ignorância sob tais coisas que se achem além do alcance da nossa capacidade de entendê-las.
.....Assim, defendia que o conhecimento poderia ser adquirido por meio de experiências sensíveis, refutando a concepção de idéias nativas da mente humana, ou seja, não atestando que a mente humana tenha algum conhecimento que não seja absorvido pelas experiências diárias. Locke afirma, em seus escritos, que a mente é exemplificada como uma folha em branco, na qual, recebendo as informações sensoriais das experiências, era raciocinada, refletida e registradas para uso posterior. A consciência desta reflexão era tida como idéia, sendo dividida em duas categorias: As idéias simples como cheiro, sabor etc., e as idéias complexas formadas na mente sobre a consciência e reflexão das coisas em si. Elegeu as idéias como a linguagem para entender o mundo exterior e entender o mundo interior das outras mentes, consolidando assim, a explicação para a comunicação e a percepção das coisas reais do mundo exterior como reais e, as coisas irreais do mundo interior, como irreais.
.....Assim, seu sistema é causal, conquanto se é necessário os estímulos do mundo físico para as formações das idéias para, neste momento, se criar o mundo irreal em nossas mentes. Foi acusado de afirmar que seria então impossível ao Homem entender o mundo como ele realmente o é, acreditando que suas representações em forma de idéias nunca seriam o mundo físico real. Sua defesa foi argumentar que os cientistas já estavam explicando muitas coisas do mundo físico por conta da reflexão das coisas absorvidas pelos sentidos, refletidas e formadas, assim, as idéias destas coisas estudadas.
.....Propôs três qualidades para as coisas físicas, sendo primárias as latentes nos objetos em si como densidade, volume, textura etc. As segundarias, formadas na mente, independentes das coisas em si, como sabor, cheiro, temperatura etc., refutando a tese de Aristóteles de que cor, por exemplo, era uma qualidade da coisa em si e, por último, como sendo o poder das coisas em transformar suas qualidades primarias, entretanto e, não obstante, mantendo a coisa como coisa em si, como por exemplo, o calor com seu poder de transformar a forma de uma vela, mas sendo esta, independente de sua forma, cera.
.....Não conseguiu explicar a substância, mas admitiu ser alguma coisa inerente nas coisas em si, afirmando que, mesmo sendo nossos pensamentos como uma reação das coisas percebidas pelos sentidos, essas mesmas coisas em si, seriam formadas de alguma coisa, independente de serem percebidas ou não pelos sentidos, separando a percepção das coisas com sua existência em si. Enfim, para Locke, nossa consciência é a conseqüência de nossas idéias, sendo isto, particular a cada homem.
.....Continuando seu raciocínio, determina que a linguagem é um conjunto de sinais compostos de idéias já formadas, discutidas entre as idéias também já formadas de outras pessoas, sendo as palavras, coisas relevantes usadas apenas para se expressar as idéias enclausuradas dentro da mente em particular de cada um, chegando a noção de palavras gerais que representavam idéias em comum a todos, chamando isso de abstração, desenvolvido desde os primeiros dais de vida até a morte, observando qualidades comuns às coisas e às pessoas.
.....O conceito de universal, para Locke, não pertence as coisas em si e, tão somente na abstração formada na mente criada para uso próprio e representada apenas por meio das palavras, afirmando que cada idéia distinta, tinha sua essência distinta. Já o conceito de conhecimento nada mais era que uma conexão de acordo e desacordo das idéias, nas quais, os divide em conhecimento real e conhecimento irreal. O conhecimento real é aquele provado pela lógica ou pelas provas físicas percebidas pelo sistema sensorial e; conhecimento irreal, aqueles que não foram percebidos pelos sentidos, dados como habitual. Também afirma ser o conhecimento classificado como intuitivo, demonstrativo e sensível caracterizando assim, três graus de certeza.
.....O conhecimento intuitivo é dado quando a mente percebe o acordo ou desacordo por si só e, o conhecimento demonstrativo é a seqüência dos conhecimentos intuitivos. O conhecimento sensível é a captação das informações reais das coisas físicas externas pelo sistema sensorial.
.....Também filosofou profundamente sobre a política, defendendo o Homem como sendo uma coisa livre por natureza própria, seguindo apenas as leis da natureza como leis incriadas e invioláveis, sendo estas, as leis de Deus. Estas, dadas ao Homem para ser discernidas por conta da razão. Da mesma maneira um Estado deveria seguir as bases destas mesmas leis, pelas quais, é obrigação refutar danos uns aos outros e garantir a paz, sendo de dever punir severamente aqueles que ajam de modo contrário. Deveria os homens formarem um corpo político representativo e, alhúres, todos assumissem direitos e deveres uns com os outros, preservando as leis naturais, os direitos naturais, direito da liberdade e da propriedade e, se o regulador eleito desta sociedade age contrariamente, então o restante teria poder de afastá-lo e puní-lo. Assim, passou a ser a fonte de inspiração da política moderna, a semente da democracia contemporânea.
 

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