Resumo dos principais filósofos...

Hume (1.711 - 1.777)

.....Logo na puberdade, já admitido na universidade de Edinfurgo, afirmou:
....."Tenho uma insuperável aversão para tudo, exceto pela investigação filosófica e pelos estudos clássicos."
.....Largou os estudos acadêmicos e, por conta própria, se tornou um importante pensador.


.....Sua filosofia influenciou todos os sistemas futuros no lado ocidental, soando ainda seus ecos até nossos dias. Suas teses eram céticas e defendiam que tudo o que se tinha na mente, antes fora percebido pelos sentidos, refutando as teses racionalistas. Deus, alma, valores etc., não atestam a sua existência por si só e, seu foco, foi especular sobre a natureza humana e o entendimento humano afirmando:
....."Não há nenhuma questão de importância cuja resolução não esteja incluída na ciência do Homem."
.....Para este filósofo, só tem valia as verdades objetivadas pelas experiências e observações.
.....O "Tratado na Natureza Humana", considerado seu melhor trabalho, foi publicado anonimamente, entretanto, seus dois volumes, o primeiro em 1.739 e o segundo em 1.740, foram abafados mesmo antes de “sair do prelo”.
.....Sem sucesso na carreira cátedra, Hume ocupou vários cargos e trabalhos. Se aventurou na França e, nesta terra, assumiu o cargo de secretário na embaixada inglesa e, assim, veio-lhe o sucesso e fama. Escreveu sua famosa "História da Inglaterra" e vários outros livros, artigos, panfletos filosóficos, religiosos, políticos e morais que foram admirados por todos, ganhando este filósofo o título de o maior escritor da Inglaterra.
.....Depois de três anos aclamado por toda Paris, volta a Inglaterra junto com um amigo, um refugiado político, Rousseau, que desenvolve várias de suas teses. Mas esta amizade foi desfeita em menos de dois anos...
.....Começou seus pensamentos nas dúvidas e curiosidades sobre como o Homem percebe o mundo. Concluiu que há somente dois tipos, sendo uma as impressões que são todas as coisas como medo, paixão, emoções etc., e outra, as idéias que nada mais são que as imagens independentes das "impressões" nas especulações mentais. Tanto as idéias como as impressões podem ser simples ou complexas e por proposição. As idéias simples são derivadas de impressões simples, as quais, as impressões causam as idéias, mas as idéias não causando impressões. Nos alerta sobre o poder da memória que, guarda as coisas percebidas e apreendidas pelos sentidos de maneira organizada de acordo com suas entradas e, o poder da imaginação, que nos dá a organização das idéias em nossa mente. Assim, um homem pode conceber mentalmente uma mulher e a idéia de automação, logo "imaginando" uma mulher cibernética... A maior diferença entre as impressões e as idéias era o conceito de potência, pela qual, a impressão tem lugar de destaque por uma coisa mais ativa e vívida, acertando a tese dos racionalistas no referente à experiência dos sentidos e a razão, assim como o seu próprio funcionamento.
.....Nesta perspectiva, coisas como Deus, alma, coisas incolores e imateriais; são possuidoras de qualidades impossíveis por não terem nenhuma impressão dos sentidos aos quais essas coisas se originam.
.....Sobre as idéias gerais, dá razão a Berkeley, as quais são particulares e impossível suas generalidades abstraídas. Assim, uma idéia em particular, pode conter várias idéias formando um composto único e assim por diante.
.....Nesta filosofia, Hume argumenta que qualquer preposição contém relações de idéias em sendo tanto falsas como verdadeiras, baseados em seus dados iniciais ou, estabelecendo um fato apenas contingente sem ser verdadeiramente falso ou verdadeiro. Hume discerne bem esta temática:
....."Se examinarmos, por exemplo, um volume de teologia ou metafísica escolástica e indagarmos: Contém algum raciocínio abstrato acerca da continuidade dos números? Não! Contém algum raciocínio experimental a respeito das questões de fato e de existência? Não! Portanto, laçai-os ao fogo, pois não contém senão sofismos e ilusões."
.....Para todo o significado de uma idéia há uma impressão dos sentidos pré registrada na mente. Seu maior problema foi ajustar suas teses na máxima de que todo evento tem sua causa, na qual, a considerava importante em seus conceitos e cálculos na prática. Mas adiantou seu racicínio alegando ser impossível as causas na mente exemplificando que nenhuma coisa irreal "causa" impressão. Explicou que os sentidos observam as coisas aos pares como por exemplo, o fogo "causando" calor, portanto, um par levando a outro. Nesta lógica, Hume afirma que as causas nada mais são que hábitos mentais desenvolvidos por nossas experiências nos dando a idéia de ação e reação, causa e efeito, derivando estes de observações e experiências passadas, latentes na mente. Isto não faz parte do mundo real, estando estes conceitos de causas e efeitos organizados apenas na mente, ficando o real com sua realidade própria, independente da realidade imaginada na mente por conta destas experiências e observações.
.....Com relação ao tema do "eu", Hume afirma ser uma ilusão, argumentando o "eu" ser apenas um amontoado de percepções e que, cada homem com seu “eu" próprio e particular. Mas, por fim, confessa estar esta explicação, este amontoado de experiências, bem acima de sua compreensão.
.....No mesmo esquema de pesquisa, Hume disserta sobre a moral, na qual assegura que o Homem reflete sobre suas impressões e estas causando novas impressões, dando então a causa e efeito na mente, conquanto, esta faz seus julgamentos causando mais impressões, as quais, Hume as chama de impressões de reflexão, sobre coisas como certo ou errado, bondade ou maldade etc.
.....Assim, mais uma vez vai de encontro aos racionalistas que afirmam ser a moral uma coisa da razão e Hume, em sua filosofia, afirma ser uma coisa das impressões de reflexões, uma coisa da emoção.
.....O livre arbítrio para este filósofo, nada mais é que não estar impedido fisicamente de fazer algo ou, quando não é obrigado a fazer algo que não queira, estando estas duas temáticas relacionadas com as impressões de reflexão em particular em cada homem. Portanto, a liberdade é uma coisa diferente para cada homem e que, o que se dá como liberdade para um, pode ser não liberdade para outro.
 

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