Resumo dos principais filósofos...

Bergson (1.859 - 1.941)



.....Natural de Paris com descendência anglo-polonesa, estudou filosofia e, após sua graduação, seguiu a carreira de professor, ganhando por seus bons trabalhos, a cadeira de filosofia no Collége de France.


..... Neste último período foram publicadas suas obras e, entre as mais importantes, destaques para "Sobre o Riso" e "Evolução Criativa".
.....A obra "Evolução Crítica" lhe trouxe muita fama internacional. Por fim, foi eleito como membro da Academia Francesa, mesmo tendo seus livros inclusos na relação de livros proscritos pelo Santo Ofício sob alegação de que seus conteúdos eram contra o intelecto e contra os dogmas católicos. Suas obras foram lidas por pensadores e leigos em alta escala.
.....Muito respeitado no meio intelectual, chegou a discutir com Einstein sobre a relatividade e, ao encerrar sua carreira cátedra, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
.....Sensibilizado pelos acontecimentos da primeira guerra mundial, voltou seus pensamentos em algo que pudesse trazer uma existência pacífica entre os Estados, independentes de religião e cultura. No início da segunda guerra mundial, residindo em Paris, veio a falecer de pneumonia.
.....Sua filosofia foi baseada no conceito do tempo e como o entendemos e representamos. O tempo, para Bergson, não era uma coisa homogênea pontuada e mercada com regularidade e uma divisão contendo minutos e horas, nas quais, o tempo é apenas uma seqüência de resultados dinâmicos como fluxo da vida em si mesma. Em outras palavras, isso significa que o intelecto controla o sentido do tempo de maneira a adequar os conceitos e suas seqüências nos dando a realidade em um prisma organizado sem tê-lo em si.
.....O tempo, na concepção de Bergson, não é uma coisa que se estende no espaço e também não é medido, existindo somente como duração porque nós o percebemos e o experienciamos assim.
.....Acabou também por especular a liberdade humana, elaborando o eu profundo como uma coisa que se é vivificada e entendida. Desta forma afirma:
....."Nó somos livres quando nossos atos emanam do conjunto da nossa personalidade, quando eles as expressam e quando eles possuem esse tipo de semelhança indefinível com aquilo que nós algumas vezes observamos entre a obra e o artista."
.....Não é possível provar a liberdade como uma coisa existente, mas ela é conceptível, principalmente porque a sentimos e, a sentimos cada um a sua particularidade, ficando impossível também seu estudo comparado. Acreditava que os homens, sem consciência disto, não se avantajavam da plena liberdade própria. Estas idéias estão bem representadas e explicadas em duas de suas obras: "Emergência Mental" e "Duração e Simultaneidade".
.....Já na obra "Evolução Crítica", se dirige para a metafísica, rejeitando as idéias de realidade materialista e mecânica alicerçadas no conceito pelo qual a realidade é um movimento em direção de um objetivo ou propósito. Defendia também a existência de uma força fundamental na qual ele denominava como "Élan" realizando a evolução criativa de todas as coisas. Esta força não contém objetivo ou qualquer outra coisa especificável produzindo variações sem fim, na qual, acaba por aumentar a liberdade do Homem, ultrapassando o conceito de matéria.
.....Independente de esta força vital ser Deus ou não, Bergson afirma que a vida é uma parte fragmentada de um todo chamado Élan, como escreveu:
....."Assim definindo, Deus não possui nada de pronto, ele é ininterruptamente vida, ação e liberdade. E a criação assim concebida, não é um mistério; nós a experienciamos em nós mesmos quando agimos livremente."
.....Logo, a vida é reconhecida como nós mesmos a apreendemos intuitivamente participando do desenrolar do tempo real sem o percebemos.
.....O intuitivo não é conceitual, sendo utilizado pelo intelecto para interpretar as coisas pelo que são em seu exterior, entendendo que o intelecto só tem a capacidade de entender as coisas pelo lado de fora delas usando símbolos. Desta maneira, resgata a tese de confusão e erro de Zenão. Afirma, junto a ele, que, utilizando símbolos para determinar as coisas produzimos paradoxos, como a tentativa de explicar o movimento, por exemplo.
.....Argumenta que o instinto, também não conceituado, vem do Élan, nos impulsionando para a intuição resultando coisas como uma idéia maravilhosa que vem do nada, nos momentos e condições menos propícias para se tê-las e, ainda, são idéias que resolvem o mais irresolúvel problema ou questão.
.....Este Élan impulsionou as coisas, do exato início em diante da criação em si, em várias direções diferentes com as quais o desenvolvimento se deu em diferentes coisas independentes como os vegetais, os animais, os minerais etc. A coisa Homem foi a que desenvolveu a inteligência e depois o intelecto, assim, tomando consciência de que "pensa, logo existe". Para Bergson, este Élan age em nível cósmico no qual tudo está direcionado para o autodesenvolvimento.
.....Vinte e cinco anos após a publicação destas idéias, Bergson lança outra obra com conceitos mais religiosos e místicos, deixando o racional e o material mais em segundo plano. Publica "As Duas Origens da Moral e da Religião". Especula nesta obra, as razões originais da moral religiosa estudando conceitos antropológicos e sociológicos. Chega a conclusão que o responsável é o Élan impulsionando, por meio do instinto para a intuição e, neste sentido, unindo a mente ao conceito em si e, para tal, a mente teria que seguir sua intuição mística admitindo assim, o místico acima do razoável.
.....Distingue dois tipos de moral, sendo uma com seus conceitos sociais em defesa de uma manutenção de comunidade por ser o Homem um ser sociável não sobrevivendo isoladamente de outros homens e, a moral universal intuída por conta do instinto para a percepção religiosa de algo mais primordial, mais elevado que o próprio Homem, assim se personifica a moral em si como um meio de conduta particular, conquanto, a moral ordinária e a moral social estão imbuídas na moral universal.
.....Foi muito criticado por abandonar as formas científicas, sendo classificado como antiquado. Por exemplo, Pierce se revoltou quando Willian james comparou suas idéias com as idéias centrais de Bergson.
.....Atestava contra a utilização de palavras e conceitos como inválidos para a percepção, mas usou palavras e conceitos para demostrar isso, invalidando suas próprias idéias por conseqüência.
 

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