As filosofias do mundo...
 

Filosofia medieval

.....Sem uma denominação própria para o longo período em que o europeu passou desde o término do império romano até a formação dos Estados, na Era dos Reis, toma-se emprestado então o nome de filosofia medieval, cuja filosofia se funda na historicidade da própria Europa e, que ainda, em seu desenvolvimento, baseado no cristianismo, nega as idéias filosóficas do Oriente médio e Oriente, além da filosofia da Grécia antiga.
.....Foi um período que teve sua base filosófica marcada na religiosidade, descartando e refutando todos os avanços filosóficos da Antigüidade. Foram séculos de lutas pelo poder, no qual, a filosofia teológica era a base fundamental para se manter o domínio sobre os homens comuns. Foi-lhes subtraído o acesso ao conhecimento, mantendo-os na ignorância e sob o medo de um Deus poderoso que castigavam todos aqueles que não seguissem seus mandamentos. Mandamentos esses forjados pela classe dominante em forma de dogmas católicos.
.....Neste período, surgiu o Direito Canônico, elaborado por uma já forte Igreja Católica, oriunda dos diversos resultados provocados pelo fim do império romano e perpetuação da filosofia cristã primitiva.
.....Este quadro começa a mudar quando o império otomano conquista os bizantinos, no Oriente médio, forçando os pensadores, políticos e artistas a procurarem refúgio nas terras européias. Junto com estas pessoas, veio novamente o conhecimento para o povo europeu. As antigas escrituras, como as de Aristóteles e Platão, por exemplo, deram origem, na Europa, ao que hoje chamamos de conhecimento escolástico que, por fim, deu início ao movimento renascentista no século XV e depois ao iluminista, no século XIX.
.....Antes destes movimentos históricos, a verdadeira filosofia estava sendo discutida apenas entre os árabes e bizantinos que, tentavam fundir os antigos conceitos gregos com suas religiões. Foram estes filósofos que mantiveram conservadas as antigas escrituras, com as quais, nas mãos dos europeus, mudou o rumo histórico de toda a Europa.
.....Esta ruptura é marcada por novas leituras filosóficas que vão, desde Agostinho, até Descartes e, depois, pela original abordagem de Kant que deu subsídios para a atual filosofia Ocidental.
.....No Oriente, durante este período, não se teve grandes mudanças no pensar filosófico, no qual se manteve fiel aos conceitos encontrados, para os hindus, nas escrituras védicas e, para os chineses, nas idéias de Buda.
.....A filosofia medieval era reflexo de uma religião, para a qual foram criados dogmas para as coisas não explicáveis da natureza e da alma. Condenaram as idéias gregas e, os filósofos medievais faziam questão, em seus escritos, de colocá-las de maneira pejorativa, alegando que o provimento vinha de Deus e, em Deus, por fim, se explicava tudo. Era inadmissível qualquer conceito científico e, neste contexto, a Igreja Católica disseminou seu domínio sócio-econômico-político por toda a Europa, controlando as pessoas, desde um simples camponês até um nobre monarca.
.....A vida era uma coisa na qual um homem deveria usá-la, por meio de suas ações, como um caminho para o Céu, ou para o Inferno.
.....Assim, o homem comum, da Era Medieval, viveu sua vida inteira com medo, aterrorizado pela idéia de Inferno e por um temor sem mensura para com Deus, para com um Deus perverso e vingativo, e, na Igreja, sua única salvação.
.....Tal conceito teve sua origem na confusa fusão entre o neoplatonismo e o cristianismo primitivo. Neste período, várias doutrinas religiosas, como as judaicas, cristãs, pagãs, agnósticas etc., disputavam adeptos, conquanto os platonistas, aristotélicos, epicuristas e estóicos as questionavam.
 

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